Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Brianna
Acho que meu chefe está me perseguindo.
Não, ele não é meu supervisor. Nem mesmo um gerente qualquer. Ele é o dono do Hotel e Cassino St. Louis, em Nova York. O chefão. O homem que faz todo mundo prender a respiração no instante em que entra em uma sala.
E eu? Bom, sou só uma funcionária do casino Uma das tantas que lidam com os jogos, tentando passar despercebida. Mas ultimamente, parece que Liam Chase está sempre no meu caminho. Não consigo dizer se é sem querer ou intencional, mas de algum jeito, a cada turno, ele esbarra em mim.
Liam Chase não é qualquer homem. Ele é o solteiro mais cobiçado de Nova York — talvez do mundo inteiro. E, esta noite, está mais irresistível do que nunca. A camisa ajustada revela os músculos firmes, o cabelo grisalho de galã brilha sob as luzes do cassino, e aquele ar de quem sabe que o mundo inteiro está ao seu alcance é impossível de ignorar.
Mas também tem o humor — insuportável, como sempre. Ele carrega no rosto uma expressão de quem pisou em espinhos o dia todo.
Mesmo assim, é assustadoramente atraente. Ele tem pouco mais de trinta anos, mas parece ter saído diretamente de um comercial de luxo. O físico de um jogador profissional, o rosto de um modelo de capa de revista e uma aura que mistura perigo e sedução. Não é de admirar que metade das garçonetes aqui seja louca por ele. A outra metade, mesmo comprometida, provavelmente trairia seus parceiros se tivesse uma chance. Aposto que alguns dos maridos nem se importariam.
Mas há algo nele que ninguém ousa ignorar: o perigo.
Os rumores são assustadores. Conexões com mafiosos do Centro-Oeste, rivais que desaparecem misteriosamente, uma frieza de quem poderia congelar o oceano Atlântico. Se metade das histórias for verdadeira, Liam Chase não é apenas intimidador; ele pode ser mortal.
Eu tento ignorá-lo. Concentro-me no que faço de melhor: distribuir cartas. Minhas pernas estão cansadas depois de um turno longo, mas o cassino costuma ser generoso comigo. Depois de um acidente de carro há sete anos, eles me dão pausas extras e até me permitem usar sapatos ortopédicos. Ainda assim, é exaustivo.
— Noite agitada? — sussurra Emily, minha melhor amiga e colega de trabalho. Emily é uma morena alegre, com olhos enormes e um sorriso que derrete qualquer cliente. Ela sabe como arrancar boas gorjetas.
— Acho que o Sr. Chase está de olho em você de novo — ela provoca, piscando para mim.
Levanto o olhar para a sala de segurança, e lá está ele. Liam Chase, parado como uma estátua, com aquele ar de insatisfação que parece permanente.
— Qual é a dele? — pergunto, trocando de posição para aliviar o peso nos pés.
— Quem sabe o que um homem como ele quer? — Emily ri, recolhendo as gorjetas enquanto me dá uma piscadela.
Apenas balanço a cabeça e sigo para o caixa, onde fecho minha conta e conto minhas gorjetas. Trabalhar como croupier não é o pior trabalho do mundo. O salário base é baixo, mas, se os clientes ficam generosos quando ganham, e consigo fazer um bom dinheiro.
É quase como apostar junto com eles. Eu torço em silêncio para que vençam, mesmo enquanto sigo rigorosamente as regras para garantir que ninguém leve vantagem.
Ainda assim, tento não pensar muito nisso. Nem em Liam Chase.
Mas é difícil ignorar o fato de que ele está em toda parte — e que seu olhar parece sempre estar fixado em mim.
Sempre há aquela tensão entre um croupier que quer boas gorjetas e a necessidade de garantir que ninguém esteja trapaceando. É um equilíbrio delicado.
Arrasto os pés devagar pelo chão. Desde o acidente, não consigo mais andar direito, e levou um esforço sobre-humano e anos de reabilitação para chegar a esse nível — doloroso, mas funcional. A maioria das pessoas percebe isso de imediato. O jeito como quase arrasto as pernas, como se meus pés estivessem presos a blocos de concreto.
Mas sei que sou uma sortuda. Os médicos disseram que, se o impacto tivesse sido um pouco mais forte, minha lesão na coluna teria me deixado completamente paralisada. Em vez disso, carrego uma limitação para o resto da vida, mas ainda consigo me locomover sem assistência — o que já é mais do que muitas pessoas na minha situação conseguem.
E tudo graças a um anjo.
O homem que me salvou naquela noite. Nunca soube seu nome e não consigo lembrar do seu rosto, mas a voz dele ficou comigo. Um sussurro baixo no meu ouvido, me garantindo que tudo ficaria bem, que ele cuidaria de mim.
Às vezes, sonho com essa voz. Mas, não importa o quanto tente, o homem continua sendo um mistério.
— Com licença.
Paro no meio do caminho, já perto do caixa, e me viro. Davis está parado ali, as mãos cruzadas à frente do corpo e a expressão séria.
— O que foi? — pergunto, tentando disfarçar minha apreensão com um sorriso. Algo está errado.
Davis é segurança da equipe e sempre foi amigável comigo, mas hoje à noite ele não está sorrindo.
— O Sr. Chase mandou me chamar.
Minhas sobrancelhas se erguem.
— O Sr. Chase quer me ver?
— No escritório dele — confirma, sem mudar a expressão.
Meu estômago se revira.
O que eu fiz de errado? Não cometi nenhum erro hoje.
— Onde está Dan? — menciono o meu supervisor, tentando entender melhor a situação.
— Dan não está envolvido — Davis responde simplesmente. — Você pode vir comigo?
Engulo em seco, sentindo a garganta repentinamente seca. Meu corpo todo parece entorpecido.
— Davis, sério... o que está acontecendo?
Ele solta um suspiro, desviando o olhar por um segundo.
— Você está se assustando à toa. Só venha comigo.
Começo a segui-lo, mas ele precisa diminuir o ritmo para não me ultrapassar. Acho que me ver lutando para acompanhá-lo o deixa um pouco desconfortável. Não gosto quando sentem pena de mim, mas, pelo menos, ele está falando.
— Olha... honestamente, só posso te dizer que é lá em cima — diz ele, em um tom mais baixo, lançando um olhar rápido em direção à sala de segurança do outro lado do andar.
Abrimos caminho pelo cassino, desviando dos convidados enquanto as máquinas soam ao nosso redor. Ignoramos os gritos de frustração e os gritos de alegria, as apostas ganhas e perdidas. Para eles, é uma noite de emoções intensas.
Para nós, é só mais um dia de trabalho.
Ou pelo menos deveria ser.
— Liam Chase não parece nem um pouco feliz. Will, Ava e Nate estão com ele.
Minha boca se abre em choque. Will é o segundo em comando depois de Liam, o chefe que supervisiona as operações diárias em todo o cassino. Em todos os meus anos aqui, falei com ele talvez quatro vezes. O homem é lendário — e não no bom sentido.
Depois, tem Ava, responsável pelas operações do hotel e a terceira na hierarquia. Nunca a vi antes. Para funcionários do meu nível, ela é praticamente uma entidade mitológica, alguém de quem se ouve falar, mas nunca se vê.
E, por fim, Nate, chefe de segurança, o quarto nome mais importante no cassino.
O que significa que, neste momento, estou prestes a me reunir com as quatro pessoas que administram este lugar.
Pessoas como eu não deveriam sequer estar no mesmo ambiente que Will, Ava e Nate — muito menos diante do próprio Liam Chase. Eles estão tão acima de mim que me sinto uma formiga diante de uma manada de elefantes.
Meu corpo inteiro treme. Um frio sobe pela minha espinha, acompanhado por um medo cortante.
— Isso é loucura — murmuro, forçando meus pés a se moverem mais rápido. Meu coração martela dentro do peito, adrenalina correndo pelas minhas veias.
— Eu sei — Davis responde, mas parece hesitante. — Quer dizer... me desculpe. Não sei o que está acontecendo, mas talvez não seja nada demais? Talvez seja só uma auditoria?
Solto uma risada amarga.
— Aqueles quatro não fazem auditorias, Davis. Aqueles quatro cortam cabeças.
Ele não tenta discutir. E isso só me deixa mais nervosa.