Brianna
O que diabos estou fazendo aqui? Eu não sei absolutamente nada sobre segurança corporativa ou problemas administrativos. Mas lá está Nate, parado do lado de fora da sala, esperando.
Seu olhar neutro não entrega nada. Ele é alto, tem cabelos escuros e é bonito de um jeito prático, como um ex-jogador de futebol. Grande, musculoso, alguém que impõe presença sem precisar dizer uma palavra.
Davis me deixa com seu chefe e desaparece pelo corredor.
— Brianna — Nate me chama, a expressão impassível, mas com um leve franzir de testa. — Entre. O Sr. Chase quer falar com você.
Minha boca fica seca. Meu primeiro impulso é perguntar a Nate o que está acontecendo, mas me contenho. Entre todas as pessoas nesta sala, ele é quem conheço melhor. Trabalhamos juntos diversas vezes, e sempre tivemos uma boa relação. Já levei dezenas de problemas até ele ao longo dos anos, e ele sempre foi prestativo.
Mas quando cruzo a porta, o Nate que conheço desaparece. No lugar dele, há um estranho.
Quatro pares de olhos se voltam para mim assim que entro no escritório principal de segurança. A sala é pequena, mas, neste momento, parece minúscula. O ar parece denso, sufocante.
Tomo todo o autocontrole que tenho para não virar e sair correndo.
Minhas mãos tremem. Sinto o suor frio escorrendo pela nuca.
E tenho certeza de que eles podem ouvir meus dentes batendo.
No momento em que vejo Liam Chase sentado na cadeira de controle, diante dos monitores de segurança, meus olhos se prendem a ele.
Ele também está olhando para mim.
De perto, ele é ainda mais impressionante. Musculoso de um jeito atlético, vestindo roupas perfeitamente sob medida. Seu relógio reluz, obviamente caro. O cabelo grisalho não o envelhece, apenas o torna mais distinto. E aqueles olhos... um azul profundo, hipnotizante.
Eu o vejo de longe o tempo todo, mas estar assim tão perto é algo totalmente diferente.
Agora entendo por que qualquer mulher com quem ele se deita ficaria feliz se ele a engravidasse.
— Você. — A voz grave de Liam corta o silêncio, me puxando de volta à realidade.
Ava não diz nada. Apenas me encara de sua cadeira, enquanto Nate permanece de pé ao meu lado.
— Obrigado por se juntar a nós.
— Uh... — Tento responder, mas minha voz sai esganiçada.
Liam ignora o som estranho que escapou dos meus lábios, porque, honestamente, nem foi uma palavra de verdade.
— Tenho certeza de que você está se perguntando por que está aqui — ele diz.
— Algo muito perturbador veio à tona recentemente.
Ava suspira, examinando as próprias unhas. Ela é atraente, aparenta estar na casa dos trinta, jovem para ocupar uma posição tão alta. Seus cabelos castanhos lisos e a pele clara dão a ela um ar refinado, quase frio.
— Vamos, Liam, acabe logo com isso. A pobre garota parece que vai desmaiar.
— Demita ela e pronto — resmunga Will.
Ele tem a mesma idade de Liam. Baixo, musculoso, com um rosto marcado pela dureza da vida. Bonito, mas de um jeito bruto.
Meu coração para.
— Me demitir? — Minha voz sobe uma oitava. — Me demitir por quê?!
Sou uma funcionária leal aqui desde o meu acidente, sete anos atrás. Devo a este lugar a minha vida — e a vida da minha família.
Sou a principal fonte de renda dos meus pais e do meu irmão. Se eu perder este emprego, nós estamos muito mais do que ferrados.
Eu não posso ser demitida. Eu simplesmente…
Meu estômago se revira, e a náusea sobe.
E o que acontece com meu seguro de saúde? Ainda faço fisioterapia uma vez por mês. Ainda tomo remédios. Ainda preciso de consultas, exames, acompanhamento médico.
O que eu faço se não puder pagar por nada disso?
O pânico se espalha pelo meu corpo como fogo.
— Já chega. — Liam eleva a voz.
— Só estou dizendo — insiste Will —, não tem nem o que discutir. Ela está na maldita câmera, Liam. Acabe logo com isso para podermos seguir em frente.
— Você vai deixar isso passar? — Ava questiona, cruzando os braços. — Demita logo a garota e nos poupe o tempo. Podemos lidar com isso sem você.
Will se levanta e, antes de sair, me encara por um breve momento. Sua expressão não demonstra nada. Sem raiva. Sem pena. Apenas uma leve curiosidade.
Ava segue logo atrás, nem sequer olhando para mim.
Nate limpa a garganta.
— Quer que eu fique?
Liam passa a mão pelo rosto, parecendo exausto.
— Não. Pode ir.
— Você realmente acha que uma garota que m*l consegue andar pode ser uma ameaça? — Will ironiza, já do lado de fora. — Eu cuidaria disso em dois minutos.
Nate solta um resmungo, me lança um último olhar — como se pedisse desculpas — e se vai.
Agora estou sozinha com Liam Chase.
O homem mais intimidador e bonito que já vi na vida.
Minha garganta aperta.
— Eu não fiz nada. — Minha voz sai baixa. Ainda estridente, mas, pelo menos, dessa vez formo palavras.
Liam me encara por um longo segundo antes de responder:
— Você está certa.
Um alívio gelado percorre meu peito, mas desaparece no instante seguinte, quando ele continua:
— Você não fez nada.
— Então... você realmente vai me demitir?
Seus lábios se comprimem.
— É isso que Will quer. Ava não se importa. Nate diz que você é uma boa funcionária e uma pessoa decente.
Ele me encara por um instante.
— O que você acha que eu deveria fazer?
Eu olho ao redor, como se fosse possível encontrar uma resposta na decoração fria da sala, nas prateleiras cheias de arquivos.
— Uh... Eu me daria um aumento?
Não sei por que digo isso.
É a primeira coisa que me vem à mente. Meu cérebro trava quando estou perto de Liam Chase, e minha boca i****a assume o controle.
Ele pisca, surpreso. Suas sobrancelhas se erguem, e, por um instante, vejo um leve sorriso tocar seus lábios antes que ele volte sua atenção ao monitor.
— Venha aqui.
Eu hesito, mas me aproximo para ter uma visão melhor.
Ele digita algo e um vídeo da câmera de segurança aparece na tela. O carimbo de data e hora indica que foi filmado na noite anterior, pouco depois das duas da manhã.
Minha testa franze.
— Eu não estava trabalhando nesse horário.
A imagem mostra as janelas do caixa, onde os clientes trocam fichas por dinheiro. O local está vazio, exceto pela funcionária do turno da noite, ocupada conferindo a contagem.
— Assista — diz Liam.
No começo, nada acontece.
A atendente está focada em algo fora do enquadramento. Sobre o balcão, um pequeno monte de fichas foi deixado de lado, esperando para serem contadas e armazenadas.
Então, alguém entra na cena.
Magro.
Cabelos escuros e desgrenhados.
Moletom preto, capuz puxado sobre a cabeça.
Ele parece inquieto, nervoso. As mãos enfiadas nos bolsos da frente.
Depois de alguns segundos observando a atendente, ele se aproxima da janela e, rápido como um raio, estende o braço para dentro.
A atendente não percebe.
As fichas desaparecem.
Acontece tão rápido que m*l consigo processar.
Liam aperta o botão de pausa.
Meu estômago se revira.
Minhas mãos voam até a boca, abafando o som que ameaça escapar.
O rosto da pessoa fica visível por apenas um segundo.
Mas é o suficiente.
O suficiente para me fazer querer vomitar.
Liam se vira para mim.
Seus olhos frios prendem os meus.
— Você teve notícias do seu irmão ultimamente? — ele pergunta.