Capítulo 3

1055 Palavras
Brianna O meu irmão, Jasper, deve ser a pessoa mais estúpida deste mundo. Eu não sabia o que dizer. Meu cérebro ficava confuso só de tentar encontrar palavras. Não, eu não vejo Jasper há alguns dias, o que não é incomum. Ele vem e vai, desaparecendo por horas, dias, semanas... até mesmo meses. Houve uma vez em que minha mãe pensou que ele estivesse morto, mas então ele apareceu com uma nova tatuagem, como se nada tivesse acontecido. Liam me observa pacientemente. Minha boca se move, mas nenhuma palavra sai. Perdi completamente a capacidade de formar frases. Estou ferrada. Completamente, absolutamente ferrada. Sim, não sou eu quem está roubando. Sim, é meu irmão que deveria estar em apuros aqui. Mas não é assim que os cassinos funcionam. Eles têm uma política de tolerância zero para deslizes, que se estende até aos membros da família. Se você causa problemas, se alguém próximo a você causa problemas, até se o seu antigo professor da primeira série causar problemas — você é quem vai sofrer por isso. E, sendo Jasper o responsável, isso torna tudo ainda pior. — Eu não faço ideia do que diabos ele estava pensando — digo finalmente, deixando as palavras saírem de uma vez, sem filtro. De repente, reencontro a habilidade de falar. — Jasper sempre foi o maior i****a do mundo e eu jamais, em hipótese alguma, ousaria roubar do cassino. Sempre fui uma funcionária leal e você sempre foi muito bom para mim, Sr. Chase. Esse trabalho é tudo para mim e para minha família. Jasper sabe disso, e se ele foi burro o suficiente para roubar, então algo realmente grave deve estar acontecendo com ele. Enquanto falo, as sobrancelhas de Liam se erguem cada vez mais, até que ele finalmente levanta a mão para me silenciar. Minha mandíbula se fecha e eu respiro fundo pelo nariz. Minha vida acabou. E Jasper vai morrer. Todo mundo sabe como funciona. Sim, os cassinos chamam a polícia o tempo todo. Se um cliente sai da linha, ele é encaminhado ao Departamento de Polícia. Eles ficam felizes em prender um bêbado preso por uma noite. Mas se alguém faz algo e******o, como roubar... o departamento de polícia não recebe essa chamada. Apenas... pessoas diferentes aparecem, e o "problema desaparece". — Seu irmão roubou de mim. — Liam está calmo e composto. — Havia aproximadamente 7 mil dólares naquela pilha de fichas. O responsável pelo caixa daquele vídeo foi demitido antes de você, e minha equipe de confiança está rastreando o dinheiro que sumiu. Tenho certeza de que eles também encontrarão o homem que pegou aquelas fichas. Quando o pegarmos, o que devo fazer com ele? Eu balanço a cabeça, perplexa. — Eu não sei. Eu realmente não sei. Sr. Chase, por favor. — Você sabe o que acontece com as pessoas que me roubam. — Não é uma pergunta. É uma afirmação. Aceno com a cabeça, me sentindo miserável. — Eu sei — digo, sentindo o estômago revirar. Meu Deus, Jasper, o que você fez? Ele sempre foi um i****a e um encrenqueiro, mas nunca algo assim. — Vou perguntar de novo. O que devo fazer com o seu irmão? — Leve-o para a polícia — sussurro, olhando para o chão. — Por favor, Sr. Chase. Jasper não é uma pessoa má, apenas um louco viciado. Talvez a cadeia seja boa para ele. Mas isso não vai ajudar. Ele já esteve preso antes. E isso nunca ajudou. — Já passamos desse ponto. Se eu for mole com seu irmão, que mensagem isso manda para esta cidade? Ele me roubou. — Eu entendo — digo, sentindo meu corpo murchar. Minhas pernas doem, minhas coxas queimam. Ficar tanto tempo em pé não é fácil, então me encosto na parede para aliviar um pouco o peso. Liam percebe e empurra uma cadeira para mim. — Sente-se. Hesito, sem saber se ele está sendo gentil ou apenas estratégico, mas no fim, não importa. Afundo no assento e solto um suspiro, esfregando meu joelho. — Jasper não quer fazer m*l a ninguém — digo. — Sei que ele precisa ser punido, mas não tem que ser... permanente? Liam inclina a cabeça. — Não necessariamente. Uma faísca percorre meu corpo. Não é esperança, exatamente. Mas vejo uma pequena luz onde antes só havia escuridão. — Deve haver outra solução. — Eu poderia demiti-la, queimar a casa da sua família e espancar seu irmão até quase matá-lo. Isso está bom para você? Faço uma careta. — Definitivamente, não. Liam cruza as mãos e se inclina para frente, apoiando os cotovelos nos joelhos. Meu olhar se fixa em seu antebraço. Não sei por que isso me atrai. Mesmo no meio da minha angústia e terror, não consigo deixar de notar sua presença. Ele é do tipo que absorve toda a luz ao seu redor e a reflete de volta, intensificada. — Que tal fazermos um acordo? Me endireito, incerta. Um acordo? Comigo? O que um homem como Liam Chase possivelmente poderia querer de mim? Eu não tenho nada. Sou pobre, ainda moro com meus pais aos vinte e seis anos, tenho uma deficiência, e meu irmão é um ladrão i****a. Não há absolutamente nada que eu possa oferecer para corrigir essa situação. Mas eu não tenho outras opções. — O que você quer? — pergunto, sentindo-me miserável. — Venha ao meu apartamento hoje à noite, às dez. — Ele se vira para o monitor e rebobina o vídeo, pausando perfeitamente no rosto de Jasper por alguns segundos. — Uma atendente do hotel desbloqueará o elevador para você. Eu não sei o que dizer. Um convite para o apartamento dele? O que ele está planejando? Mas não tenho escolha. — São exatamente quatro horas a partir de agora. — Eu, uh... ok, eu estarei lá. Ele continua assistindo ao vídeo repetidamente, ignorando minha presença por completo. Levanto-me, sem saber o que fazer, me sentindo estranha e deslocada, até finalmente me dirigir à porta. Quando minha mão toca a maçaneta, Liam fala novamente. — Não se atrase, Brianna. E, por favor, de agora em diante, me chame de Liam. Embora eu goste de como você fala "Sr. Chase". Minha boca se abre, surpresa pelo tom dele, mas ele segue assistindo à gravação, vendo meu irmão se destruir repetidamente, até que finalmente me forço a sair.
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