August sentiu a dor reacender em seu peito, não poderia...não queria...
---Eu...---Aproximou-se da delicada figura parada a sua frente, com o polegar enxugou uma furtiva lágrima que rolava na face de sua...flor francesa. ---Sinto muito, só temos essa saida, por Juliete.
Lana impediu que mais palavras saíssem dos belos e másculos lábios, com o dedo indicador e com carinho colocou o dedo nos lábios do lindo Lord, pedindo silêncio, se perderam no olhar um do outro, Edmund deixou o casal sem ser notado.
---Não me olhe assim---Lana pediu suave.
---Como?
---Se despedindo.Não gosto de despedidas, tem sabor de solidão!
August a tomou nos braços, aproximou-se numa promessa de um beijo apaixonado, pararam a centímetros dos lábios um do outro, August usou toda a determinação que estava acabando a cada segundo para pedir licença e sair, perseguido pelo próprio tormento.
Beatrice
Beatrice não compreendeu quando seu noivo e amante não a recebeu com a fome habitual.
---Sente-se Beatrice por favor. ---A bela e voluptuosa mulher prestou mais atenção no rosto do amante, barba por fazer, olheiras...
---Esta doente, meu amor...posso lhe curar---Investiu mais uma vez e mais uma vez ele esquivou-se
August contou da desventura da jovem francesa e de sua sobrinha, Beatrice estava sem ação e sem palavras.
---Não sei se te odeio ou te amo August! Quer que eu acabe nosso noivado para que case com uma moribunda, e ainda por cima vai usar da sua influência para legitimar a filha dela?
---Nesse interim se encontrar um bom casamento, case Beatrice...
---Saia, August! ---Falou de forma dramática em prantos, na manhã seguinte o lord mandou um conjunto de diamantes que consolou deveras a moça.
Lana
Antes de partir queria rever algumas pessoas que conhecera naquela aventura pelo tempo.
Olhou pela janela e viu Edmund e Roseline serem vencidos pelo amor, os dois beijaram-se de forma feroz, e depois foram suavizando as carícias, perdidos em si mesmos, o amor romântico era lindo, sorriu conformada, não experimentaria, não saberia nunca qual seria o sabor de um beijo de amor verdadeiro, reconhecendo naquela hora que mesmo o que tivera com seu falecido marido, foi apenas desejo e depois conformismo de uma vida a dois. ---Suspirou
---Humanos! ---Suspirou Nimte em seu vestido branco em contraste com seu longo cabelo vermelho, Lana sobressaltou-se, a criatura mágica estava a seu lado olhando pela janela
---V-você...
---Não costumo fazer isso mas obrigada!
---Pelo que?
---O recado da minha irmã, foi muito válido, muita coisa mudou no mundo druida.
---Então, não foi um sonho? ---Perguntou lembrando-se do sonho vivido que teve ao tentar se conectar com a natureza. ---E o antídoto?
---Lamento, o que foi feito, esta feito...
---Vou morrer? ---Perguntou derrotada, voltando a olhar a cena romântica lá fora.
Nimte nada podia falar, d***a de feitiço bem feito, se falasse tudo se consumaria ali mesmo, e se não falasse...bem,sua tutelada era esperta,entenderia o recado,assim esperava.
---Algo para crer, e quando a última partícula de ** de prata descer ao seu lugar, o fino fio de vida a deixara, a não ser que um coração incrédulo volte a crer...
---Você é a aldeã, que o doutor edmund visitou? --- a bela Druida desapareceu sem responder, partira da mesma forma que chegara, Um enigma!
A semana passou,Lana tentou compreender o enigma de todas as formas,até que sem querer viu a porta do quarto do doutor entreaberta,era errado,mas queria ver a tal ampulheta,ele tinha saído para cavalgar com Roseline,Juliette estava na ala das crianças que voltou a funcionar,e não havia ninguém no corredor,abriu a arca do doutor e cuidadosamente em pé no cantinho do baú estava ela,o contador dos seus dias... havia pouquissimo ** prateado na parte de cima,então viu como se a cena passasse na sua frente.
August na cabeceira da sua cama mortuária, foi uma cena muito rápida, mas emblemática o suficiente para entender que o fim se aproximava, viveria o pouco tempo que lhe restava, não desperdiçaria procurando uma resposta...Afinal o que vale o tempo de vida se não vive-lo?
Era manhã de domingo, o povo usava a sua melhor roupa, até os que sempre arranjavam motivos para faltar as obrigações religiosas estavam presentes, afinal não era todo dia que nobres casavam em pequenas capelas campesinas.
Dentre os convidados estavam as meninas da pensão de Londres a própria Isabel Bran dona da pensão, Meg e o capitão Bob Smith! ---August ao saber num comentário despretensioso da noiva o desejo de rever os amigos, providenciou para que não faltasse ninguém.
As duas semanas que antecederam o casamento foi uma verdadeira loucura, costureiras, mercadores, enfim era um entra e sai na propriedade, afinal todos estavam animados com o casamento, até mesmo os noivos que eram bons amigos, brincavam com a pequena Juliette motivo de todo aquele aparato, August usou seus conhecimentos, aliados a uma recheada bolsa de ouro como donativo, para que a "santa" igreja legalizasse tudo, mesmo que precisasse alterar alguns números.
A bucólica capela estava adornada com flores, o ar matinal e o sol da manhã enchia de paz o lugar, o som do violino completava a cena de sonhos, um casamento sem as pompas costumeiras, porém fazia os presentes suspirarem, os mais sensíveis chorarem e as moças sonharem.
Lana repetia como um mantra que não se importava em casar sem amor, afinal havia uma necessidade maior...Então porque aquele nó na garganta e umidade nos olhos? Porque o vazio? Estava alegre, mas não poderia dizer que estava feliz.Era sua festa de despedida, August respeitou seu desejo de que ninguém soubesse do seu fim iminente, não gostava de despedidas, elas tinham sabor de solidão.Olhou para o noivo, e suas pernas fraquejaram, ele estava belo e másculo, totalmente desejável...
August nem se deu conta que segurava a respiração, atravessando a nave em sua direção, vinha a criatura mais magnifica em sua beleza éteria que vira, rosto de anjo, corpo de deusa, um misto de docilidade e algo selvagem, os olhos mistérios profundos impossíveis de ler e o mesmo tempo um livro aberto de inocência não fingida...
Ambos fizeram seus votos nupciais, e ninguém percebeu que não havia amor romântico entre os noivos, ou os noivos foram os únicos que não perceberam o carinho implicito no olhar que trocaram? August sentiu a dor incômoda e frustrante de uma previsão iminente quando o sacerdote os declarou marido e mulher.
----Os declaro marido e mulher até que a morte os separem.
Obedeceram ao beijo para selar a união.
Como um Flash o momento que estava no vale Druída e alguém a puxou de volta e a beijou, sentiu a solidão e a dor do seu agora marido;
Era solitário e triste o coração do seu belo cavalheiro...