Sienna - Linha Vermelha

1482 Palavras
Sienna Eu tava sozinha em casa o dia inteiro, e no começo até que gostei. Silêncio, tempo pra pensar, pra arrumar as coisas, pra orar um pouco. Depois do mirante ontem à noite, com aqueles beijos quentes e as promessas dele de tentar ser melhor, eu tava numa nuvem confortável. Namorando de verdade. Com o Coroa. O homem que todo mundo teme, mas que me olha como se eu fosse o mundo dele. Eu sorria sozinha lavando louça, dobrando roupa, lembrando da mão dele na minha coxa, do jeito que ele parou pra respeitar meu tempo. Mas aí, lá pelas três da tarde, a campainha tocou. Eu pensei que era Jordana ou Lohana vindo me chamar pra algum rolé, até porque ninguém passa pelos seguranças a não ser os filhos do Coroa. Desci animada, abri a porta. Era o Lucca. O filho dele. Sorridente como sempre, mas com um olhar diferente. Olhar que sempre me deixou desconfortável. Ele tava encostado no portão, olhos vermelhos, cheiro de cachaça vindo de longe. Bêbado demais, tanto que tava com o equilíbrio precário. — E aí, loira… — ele sorriu torto, entrando sem ser convidado. — Cadê meu pai? Eu recuei um passo, coração acelerando um pouco. — Ele… ele saiu cedo. Foi resolver "parada pesada no morro". Não sei quando volta. Lucca fechou a porta atrás de si, cambaleando um pouco. Olhou pra mim de cima a baixo, devagar. Olhar que me deu arrepio r**m. — Que pena. Eu vim pegar uma grana com ele. Mas… enquanto isso, a gente pode conversar, né? Tu tá sozinha aqui… e tá linda como sempre. Eu engoli em seco, tentando manter a calma. — Eu… eu posso ligar pra ele, perguntar se ele manda "a grana". Ele riu, chegando mais perto. Perto demais. Eu recuei até encostar na parede da sala. — Não precisa ligar não, gata. Eu espero. Ou… a gente pode se divertir enquanto isso. Ele estendeu a mão, tentou tocar meu braço. Eu desviei rápido. — Lucca, para com isso. Eu sou namorada do teu pai. Ele riu alto, hálito de álcool batendo na minha cara. — Namorada? Essa é boa. Meu pai pega mina o tempo todo. Mas tu… tu é diferente. Loira, pele branca, corpinho magrinho mas com curva onde importa… — ele olhou pro meu peito sem vergonha nenhuma. — Tudo que é do meu pai um dia vai ser meu. Incluindo você. Eu senti o estômago revirar. Medo puro. Medo de verdade. — Sai daqui, Lucca. Agora. Eu não quero papo contigo. Você tá passando do limite. Ele chegou mais perto, mão tentando pegar minha cintura. — Relaxa, loira. Só um beijinho. Meu pai nem vai saber. Tu vai gostar, te garanto… Eu empurrei o peito dele com força, corri pro corredor. Ele veio atrás, cambaleando, mas mesmo assim, rápido. — Vem cá, gata! Não foge não! Eu subi a escada correndo, entrei no quarto do Coroa — o mais próximo —, tranquei a porta com chave. Encostei as costas na porta, coração na garganta. Ele começou a bater. — Abre essa p***a, Sienna! Não seja criança! Bum. Bum. Bum. Porta tremendo. Eu tava chorando já, mão na boca pra não fazer barulho. Ele tava agindo como um lobo atrás da presa. Ele parecia que ia derrubar a porta a qualquer momento. Eu peguei o celular com mão tremendo, liguei pro Coroa. — Alô, Sienna? Tudo bem? — Vem… vem pra casa agora. Por favor. O seu filho Lucca… ele tá aqui. Ele tá bêbado? É assim que fala? Tá descontrolado. Tá… tava me apertando... apalpando. Eu me tranquei no quarto, mas ele tá batendo na porta. Ele ficou em silêncio um tempo. — Lucca? Meu filho? — Sim… ele disse que veio pegar dinheiro, mas… tá falando coisa errada. Tá tentando entrar. Desligou. Eu fiquei ali, encostada na porta, chorando baixinho, ouvindo Lucca xingando do lado de fora, batendo mais forte. — Abre, v***a! Tu acha que é melhor que as outras? Meu pai vai te largar logo logo! Tu vai virar marmita nesse morro, quem sabe eu pague uns cinquenta conto pra f***r tua b****a. Minutos que pareceram horas. Aí ouvi o ronco da moto. Forte. Chegando rápido. Portão abrindo com força. Passos pesados na escada. A porta do quarto voou. Não, ele não derrubou. Abri correndo quando ouvi a voz dele. — Sai daí, seu filho da p**a! Eu abri. Coroa chegou como um furacão. Olho vermelho de raiva, punho cerrado, corpo inteiro tenso. Lucca virou, tentou sorrir. — Pai… eu só vim pegar uma grana… Coroa agarrou ele pela camisa, jogou contra a parede com força. Bum. — Tu veio pegar o quê, seu abusado? Tocar na minha mulher? Dentro da minha casa? Lucca tentou se soltar. — Pai, calma… ela tá exagerando… Coroa deu um soco no estômago dele. Não forte pra matar, mas forte pra dobrar. Lucca caiu de joelhos, gemendo. — Exagerando uma ova! Tu tá bêbado, invadindo minha casa, assediando a Sienna! Meu sangue ou não, tu passou da linha, c*****o! Lucca tentou levantar, olho desafiador. — Tu acha que ela é tua pra sempre? Mina crente vai te largar quando cansar do morro! Dessa tua vida sem futuro. Coroa agarrou ele de novo, socou a cara. Nariz sangrando. Lucca revidou fraco, acertou o ombro do pai. Coroa jogou ele no chão, colocou o pé no peito do filho. — Tu tá deserdado, seu merda. Sai da minha casa. Sai do meu morro. Se eu te ver perto da Sienna de novo, eu mato você. Sendo meu filho ou não. Lucca cuspiu sangue, olhou com ódio, mas viu que era sério. Levantou devagar, cambaleando. — Tu vai se arrepender, pai. — Sai antes que eu perca o resto de paciência. Lucca saiu. Desceu a escada pisando duro, bateu a porta da rua. Moto dele ligando lá fora, sumindo. Eu tava encostada na parede do corredor, chorando. Chorando assustada com tudo. Com o Lucca, com a violência, com o sangue. Coroa virou pra mim, respiração pesada, mão sangrando um pouco do soco. — Vem cá — falou, voz mais baixa agora. Eu fui. Me joguei nos braços dele, chorando no peito dele. — Desculpa… eu… eu não sabia o que fazer… Ele me abraçou forte, passou a mão no meu cabelo. — Não pede desculpa, Barbie. A culpa é minha. Eu devia ter previsto. Meu filho… ele tem o sangue quente, cabeça fraca. Mas ninguém toca em você. Ninguém. Eu chorei mais um pouco. Ele me levou pro quarto dele, sentou na cama comigo no colo, fez carinho nas costas até eu acalmar. — Tu tá bem? Ele te tocou? — Não… eu corri antes. Mas ele tentou. Ele apertou a própria coxa perto do joelho, raiva voltando na voz. — Eu mato ele se tentar de novo. A gente ficou ali um tempo. Eu acalmei devagar. Aí veio a conversa séria. — Esse é o meu mundo, Sienna — ele falou, voz baixa. — Violência, traição, até da família. Tu viu agora. Confiança é rara aqui. Limites são cruzados toda hora. Tu ainda quer ficar nisso? Eu levantei o rosto, limpei as lágrimas. — Eu confio em você. Você me protege. Sempre protegeu. Eu quero ficar. Apesar de tudo. Porque eu sinto que é aqui que eu devo estar. Ele me olhou. Olhou fundo. Aí beijou minha testa. — Eu prometo te proteger sempre. Inclusive da minha própria família se precisar. Tu é minha prioridade agora. Meu coração aqueceu. Eu cheguei perto, beijei ele. Beijo que começou calmo, mas virou apaixonado rápido. Boca aberta, língua dele na minha com fome, mão no meu cabelo puxando de leve. Eu sentei no colo dele de frente, pernas dos lados, vestido subindo. O beijo foi ficando urgente, meu corpo colando no dele. Mão dele descendo pra minha b***a, apertando por cima do vestido, trazendo mais perto. Eu senti ele duro contra mim, gemi na boca dele. Tensão s****l no pico. Lá em baixo eu senti o fogo queimando tudo e molhando ao mesmo tempo. Eu deixei. Pela primeira vez, deixei a mão dele ir um pouco mais longe. Mão subindo por baixo do vestido, roçando a coxa nua, polegar quase chegando no meio. Eu arfei, arqueei o corpo, querendo mais. Ele grunhiu, beijo ficando mais selvagem. Mas paramos. Respirando pesado, testa encostada. — Não agora — ele murmurou. — Quando tu estiver pronta de verdade. Eu assenti, ofegante. O namoro tá ficando sério de verdade. Sério pra c*****o. Eu sinto ele no peito o tempo todo. Sinto que é real. Mas a dúvida religiosa ainda ronda no fundo. Uma vozinha baixa: “Isso é de Deus ou é só desejo?”. Eu oro toda noite pedindo sinal. Mas por enquanto… eu fico. Eu escolho ele. E que Deus me perdoe se eu estiver errada. ADICIONE NA BIBLIOTECA COMENTE VOTE NO BILHETE LUNAR INSTA: @crisfer_autora
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