Sienna - O Beijo

1161 Palavras
Sienna A porta da casa bateu atrás de nós com um som seco que ecoou na sala vazia. Silêncio pesado. Só o barulho distante do morro acalmando depois do baile, um funk longe morrendo aos poucos, e a nossa respiração. Eu tirei os sapatos na entrada porque os pés doíam, fiquei descalça no piso frio, tentando fingir naturalidade. O Coroa trancou a porta, jogou a chave na mesinha com um tilintar alto. Ele tava diferente. Não agressivo, não bravo. Só… solto. Ombros relaxados, olhos mais brilhantes do que o normal, passo um pouco mais lento. Bebeu o suficiente pra baixar a guarda que ele sempre mantém alta como muro. Ele foi pra sala, acendeu a luz baixa do abajur, sentou no sofá grande de couro preto. Olhou pra mim parada na porta, como se eu fosse um sonho que ele não queria acordar. — Vem cá, Barbie — ele me chamou, com a voz rouca, mais baixa que o normal, estendendo a mão. Eu fui. Sem pensar muito. Sentei do lado dele, mas não muito perto. Ele riu baixinho, aquele riso que faz meu estômago virar. — Mais perto, Barbie. Eu deslizei no sofá. Ele passou o braço pelo encosto, a mão grande descendo devagar pro meu ombro, puxando até eu ficar encostada no peito dele. Cheiro de bebidas alcoólicas, perfume masculino, suor do baile, cigarro. Tudo misturado num cheiro que já virou dele na minha cabeça. Eu apoiei a cabeça no ombro dele, coração batendo tão forte que eu tinha certeza que ele ouvia. Ficamos assim um tempo. Silêncio. Só respiração. A mão dele brincando no meu cabelo, enrolando uma mecha loira no dedo, soltando, enrolando de novo. Eu fechei os olhos, sentindo o calor do corpo dele, a batida do coração dele firme contra o meu braço. Aí ele se moveu. Devagar. Mão subindo pro meu rosto, dedos calejados roçando minha bochecha, polegar no meu queixo. Levantou meu rosto pra ele. — Olha pra mim, Sienna. — Meu nome na voz dele é como uma música atraente. Eu abri os olhos. Ele tava perto. Perto demais. Os olhos azuis estavam escuros, pupila dilatada, boca entreaberta. Eu vi o desejo ali, cru, sem máscara. E vi outra coisa que eu não sei nomear. Algo doce, quase carinhoso. — Tu tá linda pra c*****o hoje — murmurou. Eu nem consegui responder. Só senti o rosto pegar fogo. Aí aconteceu. Ele chegou mais perto. Devagar, dando tempo pra eu afastar se quisesse. Mas eu não afastei. Eu queria. Queria há semanas. Ele encostou a boca na minha. Primeiro leve, só lábios. Testando. A barba dele roçando na minha pele. Eu prendi o ar. Depois ele apertou mais, abriu minha boca com a dele, língua entrando devagar, quente, com gosto de bebida e homem. Meu primeiro beijo. O primeiro da vida inteira. E foi tudo. Intenso, quente, molhado, urgente. A mão dele no meu cabelo, puxando de leve pra trás pra ter mais ângulo, outra mão na minha cintura apertando forte. Eu correspondi sem saber direito como, só seguindo o instinto: boca abrindo mais, língua tocando a dele, mão subindo pro peito dele, sentindo os músculos duros, o coração disparado igual o meu. Corpo inteiro pegando fogo. Pernas moles, barriga latejando, um calor entre as coxas que eu nunca senti tão forte. Eu gemi baixinho na boca dele — nem percebi que fiz som até ouvir. Ele grunhiu de volta, um som rouco que arrepiou minha nuca inteira. Me puxou pro colo dele sem esforço, como se eu não pesasse nada. Eu fiquei sentada de lado nas pernas dele, braços em volta do pescoço, o nosso beijo não parava nem um segundo. Língua dele explorando minha boca inteira, mordendo de leve meu lábio inferior, chupando, voltando pra dentro. Eu tava perdida. Perdida demais. — Vem — ele murmurou contra minha boca, com a voz falhada. Ele me levantou no colo. No colo! Braços fortes em volta de mim, eu enroscada no pescoço dele, pernas penduradas. Subiu a escada assim, me beijando o tempo todo: boca, pescoço, mordendo de leve a orelha. Eu arfava, cabeça girando, corpo todo sensível. Entramos no quarto dele. Ele fechou a porta com o pé. Luz apagada, só o luar entrando pela janela enorme. Ele me deitou na cama dele — uma cama grande, com o cheiro dele em todo lugar. Ele deitou por cima de mim, um peso delicioso, boca voltando pra minha com fome. As mãos dele descendo: pescoço, ombro, cintura, coxa por cima do vestido. Apertando, acariciando, subindo de novo. Eu arqueei o corpo sem querer, querendo mais contato, querendo sentir ele inteiro. Eu queria que acontecesse tudo. Queria que ele tirasse minha roupa, que me tocasse onde ninguém nunca tocou, que me mostrasse o que é pecado de verdade. Eu queria ele dentro de mim, quente, pesado, me preenchendo até eu esquecer meu próprio nome. Eu nunca quis tanto uma coisa na vida. A mão dele subiu pela minha coxa, levantando o vestido devagar, dedos roçando a pele nua. Eu gemi alto dessa vez, sem vergonha. Ele grunhiu de novo, os beijos ficando cada vez mais urgentes, o quadril dele se mexendo contra o meu, eu sentindo ele duro, grande, contra minha perna. Eu tava pronta pra tudo. Aí… ele parou. Respiração pesada no meu pescoço. A mão parou na minha coxa. O corpo inteiro dele ficou tenso. Ele resmungou algo que eu não entendi. Depois… virou pro lado. Deitou de costas na cama, braço por cima dos olhos, respiração ofegante. Dois segundos. E apagou. Dormiu. Apagou de bêbado como se alguém tivesse desligado o interruptor. Eu fiquei deitada ali, olhando pro teto no escuro, boca inchada, lábios latejando, corpo inteiro pegando fogo, coração batendo igual louco. Fiquei sem acreditar. Meu primeiro beijo da vida foi com o homem mais perigoso e mais desejado que eu já conheci. Foi intenso, quente, perfeito… e ele dormiu no meio. Eu toquei os lábios com a ponta dos dedos. Inchados, sensíveis. Ainda sentia o gosto dele. Ainda sentia o calor da mão dele na minha coxa. Meu corpo latejava inteiro, um vazio gostoso e frustrado ao mesmo tempo. Eu tava excitada demais, confusa demais, feliz e com raiva da vida ao mesmo tempo. Fiquei ali uns minutos, olhando pro peito dele subir e descer tranquilo no sono. Ele parecia mais novo dormindo. Menos durão. Quase… vulnerável. Eu quase ri de nervoso. Quase chorei também. Levantei devagar, na ponta dos pés. Peguei meus sapatos na mão, saí do quarto dele sem fazer barulho. Fechei a porta com cuidado. Corri pro meu quarto, tranquei, me joguei na cama de bruços. Olhei pro teto no escuro, mão ainda nos lábios. Senhor, o que eu faço agora? Eu vim salvar uma alma. Mas quem tá precisando de salvação sou eu. Porque eu quero mais. Quero tudo. E agora que eu sei o gosto da boca dele… eu não sei se consigo parar. ADICIONE NA BIBLIOTECA COMENTE VOTE NO BILHETE LUNAR INSTA: @crisfer_autora
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