Casamento

852 Palavras
Na madrugada, Helena não dormia, a insônia era presente a alguns dias. Ela sentiu a presença de alguém em seu quatro, ia gritar mas foi impedida. __ Não grite. Ela reconheceu a voz. Era Rocco. Ele se sentou em uma poltrona em frente a cama dela, só era possível Helena ver o vulto. __ Gostei do vestido Helena, gosto de preto. Ele só vestia preto. Helena não conseguia pronunciar uma única palavra, o medo a consumia. __ Não corte os cabelos. Ela queria cortar em um ato de rebeldia. __ Como sabe que queria cortar os cabelos? Ela se obrigou a perguntar. __ E não vá a despedida de solteiro, eu sei muito bem o que suas amigas do convento fazem e estão planejando. Helena perguntaria como ele sabia dessas informações, mas a voz a traiu, a abandonando. __ Eu sei de tudo Helena, tudo, cada passo seu, e acredite? Eu também não queria esse casamento com você. Rocco não disse, mas não queria o casamento com mulher nenhuma. __ Então se case com outra, com quem você ama. Ele até sorriria se fosse de costume com a insinuação que ele amava alguém. __ Homens como eu, não amam, já deveria saber disso. __ Rocco, Eu... __ Durma Helena, não gosto da sua voz. A voz doce de Helena, incomodou Rocco desde a primeira vez que ele ouviu no telefone, ela poderia ser perigosa com aquela doçura toda. Já Helena, deixou algumas lágrimas cair, seu casamento seria ainda pior que o imaginado, seu noivo não gostava nem mesmo da sua voz. Helena chorou até dormir, foi vencida pelo cansaço, teve pesadelos horríveis com Rocco, o homem que ela nem sabia como era sua real face, seria seu marido. Rocco era dezoito anos mais velho que Helena, ela ainda nem tinha feito seus vinte anos, pensou que seria entregue somente aos vinte um anos, como a maioria das moças da máfia, mas a visão de Magnus, anteciparam os planos para infelicidade dela e de Rocco até o momento. Rocco tinha exatos dois metros de altura, usava barba e cabelo grande, o deixando ainda mais assustador, Helena não era tão baixa, mesmo assim homens de Quase a mesma altura que Rocco se sentiam vulneráveis na presença de Rocco, quanto mais uma menina como Helena. Helena queria que os dias fossem congelados, mas nem tudo é como desejado. E o grande dia chegou, ela nem sabia qual sobrenome herdaria. Os olhos estavam vermelhos por conta do choro. A mãe até quis fazer um penteado em seus longos cabelos, mas ela não aceitou. Apenas se limitou a vestir o simples vestido, que por sinal ficou belíssimo nela, as belas curvas contribuíram para isso. __ Pedi pra não apertar o vestido mamãe. __ Filha, é seu casamento. __ Não porque quero. __ Eu também não me casei por querer e fui e sou muito feliz com seu pai. __ É diferente, papai te olha com amor. __ Eu o amo, isso eu aprendi, seu pai é bom pra mim. __ Acha mesmo que alguém que é chamado de coração Tenebroso, é bom pra alguém? Não né mamãe. A mãe de Helena, tentava confortar a filha, mas no fundo tinha medo do que Rocco faria com sua menina. Era o cartório da máfia, os casamentos pequenos aconteciam alí. Helena subia os pequenos degraus, agarrada a mão de sua mãe. No topo da pequena escada, ele estava a esperando, com a mão estendida. O Tenebroso. Helena, mesmo tremendo, estendeu sua mão para ele, implorou para si mesma para não chorar, secou rápido umas lágrimas bobas que insistiram em cair. Rocco a achou bonita. O pai de Helena foi impedido de ir ao casamento, e ele até agradeceu, o chefe queria que todos acreditassem que realmente ouve uma traição por parte do homem e por isso a punição e ele não queria entregar sua menina ao Tenebroso, ver a partida dela seria mais difícil. A mãe de Helena chorava, sabia que o marido não era um traidor. Helena deu um pequenino sorriso para a mãe, não queria que ela se preocupasse. Rocco percebeu que Helena suava. Os presentes eram Magnus, a mãe de Helena, dois anciões da máfia, o juíz e os noivos, ninguém mais. Helena imaginou que talvez Rocco não tivesse familiar. Os casamentos que ocorriam no cartório da máfia, não possuía cerimônia, era pedido dos noivos, Nada de festas. Duas pequenas navalhas foram entregue aos noivos, era hora do juramento de sangue. Helena olhou nos olhos de Rocco, ele percebeu que ela não queria cortar o dedo dele. Ele a incentivou com o olhar. O ritual fazia parte, era obrigatório. Ela fez o pequeno corte, olhando nos olhos dele. Tinha pavor a sangue. Rocco carimbou a folha, manchando com seu próprio sangue. Ele fez um pequeno corte no dedo de Helena, ela carimbou a folha, era a assinatura. A mãe de Helena estendeu um lenço para que o dedo fosse limpo e não manchasse o vestido de sangue, mas Rocco chupou o dedo de sua futura esposa. Só a morte poderia dar fim a um casamento da máfia.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR