Capítulo 13

2743 Palavras
Antes que a tarde chegue, o g***o de busca e eu vamos arrumar as nossas bagagens para a nossa partida. As libélulas são os insetos voadores mais velozes que existem em Virell, me falaram de outros, que não lembro, nós os montaremos para que eles nos levem para um local onde passaremos à noite. Uma base secreta criado pelo Império dentro de um Reino independente para abrigar gente da realeza a******a de morte. Me despedi do Príncipe Metrim e da Rainha Matid antes de ir. Estamos fazendo o possível para sermos bem rápidos. *** Chegando lá, já escurecendo, somos deixados numa trilha cheia de bifurcações, há um guia que nos conduz floresta adentro. As árvores desta floresta são enormes, poucos raios de sol atravessam os ramos e galhos para iluminar ainda mais a área. Não poderemos partir dali montados nas libélulas, as árvores encobrem todo o reino, não as removeram muito do meio deles. Ou seja, não daria para encontrar o local exato pelo céu. Além de tudo, fazem fronteira com o Império dos árvomes da raça Námda, de cabelos e olhos verdes-menta. Eles são problemáticos, e infelizmente as libélulas são muito barulhentas, nós não passaríamos por eles sem sermos despercebidos e incomodados. Existem Sete Impérios da Pangeia de Virell, cada Império é constituído por dez reinos que juntos são chamados de decabasilis, porém, existem alguns reinos que se constituíram desgarrados de um Império, apesar de ainda fazer parte dos terrenos do próprio. É o que acontece com o Império de Metrimna, há mais três reinos desgarrados e um deles a Rainha Matid ganhou a confiança, é pequeno, porém, um aliado muito bom. Aquele Reino, guardado por uma imensa muralha de madeira envolvida com as árvores gigantescas, é chamado de Ezderom, e o Rei Diczi, um árvome da terceira idade, é quem rege aquele pequeno povo. Assim que os portões são abertos e entramos, um monte de jovens árvomes vêm ao nosso encontro para saudar-nos, nos receber com alegria. Acabo reconhecendo alguns deles até que dois me abraçam de surpresa, eu nem os havia percebido. Os árvomes são a Flor e o Rocadi. — Meu Deus, Flor, Rocadi, o que vocês estão fazendo aqui? — Não sabe? Nós vivemos aqui agora — responde Flor —, é h******l, mas é por algum tempo, até pararem de nos m***r para arrancarem a Seiva da Vida. — Que maravilha! Mas tudo isso já foi resolvido, entramos em outra tribulação. Por que não fiquei sabendo que vieram para cá para serem mantidos a salvo? — eu faço a pergunta, nunca prestei atenção nas reuniões e a maioria delas eu nem fui, ou dormi. — Deixa lá, que bom que vocês estão seguros e bem. — Que ideia foi essa de juntar vários árvomes jovens num mesmo lugar? — indaga Rocadi. — Para mantê-los controlados é necessário o trabalho da Guarda Real. Tem uma mulher chamada Patiry, Mandante Patiry, aterroriza todo mundo, somente ela para acabar com a nossa festa. — Soubemos que um g***o de busca do Castelo passaria a noite aqui — diz Flor —, não tínhamos certeza, mas sabíamos que você viria. — Então, viemos ver se você chegaria — diz Rocadi. — Conta para a gente qual o propósito. Vão buscar o quê? — Gente, eu não posso contar — respondo. Olho ao redor e vejo que estão todos distraídos e falo: — Não aqui. Não tem um lugar mais reservado? Antes que pudessem me levar para algum outro lugar, alguém se aproxima e faz uma reverência para mim, é um árvome magro, careca de olhos verdes-musgo e com uma túnica de bordado cheio de panos. — Olá, Senhorita Rosy de Aster, sou o Castelão Munditi, o Rei Diczi deseja vê-la, e seja muito bem-vinda ao Reino de Ezderom. Eu olho para Flor e Rocadi meio triste. Não posso recusar o chamado do Rei. Eu vou, mas eu volto, preciso estar próxima dos meus amigos. Eles me dizem que estão na seção 12, e que quando voltasse era para procurá-los por lá. *** Ver o Rei Diczi não foi tão especial, é um árvome idoso que não enxerga e nem escura direito. O pessoal fica deslumbrado comigo, meus cabelos amarelos, minha pele albina, minhas orelhas não pontudas, sou uma pessoa extremamente diferente. Nem sei se árvomes são pessoas, ou são meio-pessoas. No mundo deles não tem mestiços, quando dois árvomes de raças diferentes cruzam, o bebê recebe os genes mais forte, o dominante, e a raça é estipulada. É só ver qual será a cor dos cabelos, ou dos olhos que é a mesma cor. Super interessante. Por isto o Mandante Isiton e seus guerreiros meta-árvomes são tão intrigantes, porque assim que eles consomem a Seiva da Vida, eles passam por um processo de metamorfose que a única maneira de percebermos a transformação é que a cor dos seus olhos e dos seus cabelos mudam para uma nova cor de verde inexistente na classificação de raças da espécie árvome. Depois de uma hora sendo admirada e conversando sobre a minha espécie, a humana, apesar de eles saberem muito sobre nós, eu saio da mansão real, onde mora o pessoal da realeza daquele pequeno reino, e vou para a área de abrigo onde existem doze casarões chamados de seções, um ao lado do outro. Está escuro e eu sou levada até à seção 12, onde os meus amigos estão e lá os encontro. Sou bem recebida. Os jovens árvomes que estão com eles são bagunceiros, mas acabam se acalmando ao me verem. Eu sou como uma celebridade, é de se esperar, sou única em todo o mundo. *** Flor, Rocadi e eu conversamos por muito tempo, eu conto as minhas aventuras, conto que o Mandante Isiton é prisioneiro do Castelo e que temos coisas muito piores para lidarmos agora. Se Isiton deu tanto trabalho assim, imagina os Árvos? Meus amigos ficam tão perplexos quando conto que estou grávida de Isiton e fazem tantas perguntas que não sei como responder na ordem certa, e eu conto tudo. Não sou baú para guardar segredos. Por fim, conto qual o propósito do g***o de busca qual o Império de Metrimna levantou. — Rosy — diz Rocadi —, as bruxas-amarelas vivem em um lugar cheio de magia, muita gente é proibida de ir lá por causa dos perigos, além de serem muito reservadas, não gostam de visitas. — Elas são os nossos últimos recursos, Rocadi, se elas não nos ajudarem, não sei o que pode acontecer. — Por que vocês acham que as bruxas vão ajudar vocês? — pergunta Flor, estamos sozinhos num quarto. — Não sei — respondo dando de ombros. — A Rainha trouxe bons argumentos sobre isto, não sei se vai funcionar. — Vamos torcer para que funcione, porque se realmente os Árvos planejam extinguir a espécie árvome, estamos condenados. — Mais do que eu? — brinco. — Não — responde Flor —, você, só um milagre. Nós passamos a noite rindo, não devíamos, o assunto é muito sério, mas precisamos relaxar um pouco. Eu vou acordar bem cedo, vamos partir quando o sol nascer. Meus amigos ficam tristes, eles querem muito ir comigo, mas não podem, o g***o de busca está completo. Hora de dormir. *** O sol está nascendo e me acordam bem no exato momento. Não tenho muitas escolhas senão de me levantar, lavar o rosto e ir embora. Eu quero me despedir dos meus amigos, mas não os encontro em lugar algum… E tão cedo. Oxe! Não tenho tempo para procurá-los. Os portões do fundo daquele pequeno Reino cercado por uma muralha de madeira e envolvido dentro de uma floresta de árvores gigantescas se abrem, o g***o de busca e eu vamos embora a pé, devemos ser rápidos porque cortaremos uma pequena área do Reino de árvomes da raça Námda. Malditos Námda. Não desejamos ser percebidos, somos dezessete, pois, qualquer conflito agora iria nos atrasar muito e nem todos mundo está ciente do que está acontecendo. Aquela área é o caminho mais rápido para a floresta onde moram as bruxas-amarelas, não vamos rodear. Uma carroça com vários mantimentos e outras coisas mais importantes é levada por um besouro qual eles chamam de ligerde, ele não é tão largo como os outros, é verde-metálico e é extremamente veloz, com a carroça fica apenas rápido. Vai na frente com o guia. Estou distraída, ando pensando na vida, minha barriga de grávida começa a dar sinais e apesar das circunstâncias, estou feliz, de repente, um alvoroço acontece e eu reconheço algumas vozes e me aproximo da carruagem. Rocadi e Flor estão sendo segurados pela roupa por dois guardiões do Castelo de Metrimna, querem saber por que eles vieram escondidos conosco. Eles estão bem equipados, ou seja, pensaram em tudo antes de fugirem infiltrados em nosso meio. Será que dormiram? — Meu Deus, o que vocês estão fazendo aqui? — questiono para eles. — Rosy — diz Flor —, diga para eles que somos amigos e não espias. — Milady — diz um dos guardiões —, você conhece mesmo estes dois? — Sim, eu conheço — respondo. — O que estão fazendo? — Viemos te acompanhar, Rosy de Aster — responde Rocadi. — Rocadi! — digo como se fosse repreender ele. — Tudo bem, queremos ver as bruxas. — Esta viagem é perigosa, crianças — grita outro guardião. — Não deviam ter vindo. — O que faremos? — questiona outro. — Estamos muito longe do Reino de Ezderom, não podemos mandar que eles voltem sozinhos. Eu tenho que tomar uma atitude, eles vieram escondidos e eu sei que é por minha causa. — Deixem comigo, guardiões, eu ficarei responsável por estes árvomes. — Tem certeza, Milady? — Tem alguma outra ideia? Agora que estão aqui, não tem outra saída a não ser permitir que venham conosco. Ou alguém irá acompanhar eles de volta ao Reino do Rei Diczi? Os árvomes não pensam por mais tempo, acabam concordando comigo e deixam os jovens em paz, porém, não se obrigarão a cuidar nem um pouco deles, eu terei que me responsabilizar de todas as maneiras. Nada do que já não tenha feito antes. *** — Vocês são malucos? — questiono os dois jovens árvomes no caminho para a Floresta das Bruxas, eles ficam cabisbaixos por causa do meu tom de voz. — Planejaram uma fuga e não me consultaram. Eles olham para mim surpresos. — Oh! — exclama Flor. — Você não está brava? — Queria que viéssemos? — pergunta Rocadi mais contente. — Teria nos ajudado a fugir? — Claro que teria, não conheço ninguém aqui — respondo. — Eu precisava da companhia de vocês. Eles me abraçam bem diante de umas árvores que tem o seu caule pintado de vermelho, um ao lado do outro, ou seja, a partir daquele limite entraremos na Floresta das Bruxas. E entramos. Andamos por um desfiladeiro e o que mais nos atrasou foi o besouro, teve que descer de costas por causa da carruagem. Depois de um bom tempo andando e conversando, chegamos a uma área extensa de vegetação rasteira e havia algumas poças de água espalhadas e vários montes pequenos de terra cobertos de raízes e musgos. — E aí! Qual o plano? — pergunto para eles. — Plano? Viemos te acompanhar nesta aventura — responde Flor. — E ir ver as bruxas também. — Só isso? Pensei que vocês queriam mais alguma coisa. — Acho que não somos tão ambiciosos — responde Rocadi. Eu suspiro sem ter o que dizer sobre aquilo. Se arriscaram por tão pouco. — Sabem lidar com as bruxas pelo menos? — Por que lidaríamos com elas? São tão pacíficas — assim que Flor me responde, uma mão gigante agarra a carruagem e o besouro ligerde, que é um escaravelho, se agita para se soltar. De repente, os vários montes pequenos de terra cobertos de plantas, raízes e musgo, começam a se erguerem do chão, na verdade são bonecos gigantes, eles são gordos, parecem asiáticos e têm, mais ou menos, seis metros de altura. — Gigantes de Barro — grita um dos guardiões. Eles são os que tomam conta do caminho que leva para as suas terras, são organismos vivos e eu não consigo entender como funcionam. Estamos cercados pelos gigantes, nunca vi nada parecido. Eu fico ali, parada, admirando as criaturas ficarem de pé, nem percebo que o guia mandou que todos se espalhem para que não sejamos cercados por eles. — Rosy — Flor me grita —, corre. Rocadi e ela me pegam belos braços e me arrastam para longe. Nós pulamos algumas poças de água em direção às árvores, poderemos nos safar melhor lá. Eu olho para trás e vejo que alguns gigantes despedaçam a carruagem e o escaravelho gigante corre em disparada para as árvores. Acho que ele é tão rápido quanto eu. Os guardiões estão correndo para todos os lados fugindo dos gigantes, que tentam capturar cada um. Pelo menos o guia nos deu um norte caso alguma coisa desse errada, e nem demorou muito. O guia nos mostrou um rochedo pontiagudo, devemos seguir até lá e descer o penhasco por uma estrada perigosa, no fim tem um vale onde há uma trilha que leva para a habitação das bruxas. Ai, gente, será que isso vai dar certo? Meus amigos e eu estamos correndo, nem posso aumentar minha velocidade senão não vão me acompanhar. Sem imaginar, três gigantes de barro estão correndo em nossa direção, só que estão bem à frente a tentar bloquear nossa passagem. — Rosy, e agora? — preocupa-se Rocadi. Eu tenho uma ideia, espero que funcione. Há um gigante que está na frente, obviamente, é o mais próximo, eu acelero para ele, dou um pulo e o acerto com um soco bem no queixo, o gigante cai desmaiado no chão com o maxilar quebrado e eu aterrisso como uma ginasta. Os outros gigantes param imediatamente e olham para o parceiro caído no chão, depois olham para mim, em seguida, olham um para o outro e devagar abrem caminho. Flor e Rocadi se aproximam. — O que eles estão fazendo? — pergunta o garoto. — Não está vendo, estão com medo da humana — responde a garota. — Vamos Rosy, vamos logo embora. Desta vez, nós não corremos, apenas andamos com pressa e passamos pelos dois gigantes tranquilamente, eles apenas ficam parados a nos observar. Que louco! *** Depois de uma longa caminhada, o céu começa a escurecer. Sorte a Flor e o Rocadi terem trazido bolsas com algumas coisas, tudo o que eu tenho é uma espada. O nosso mantimento estava na carruagem, tudo se perdeu. Procuramos um lugar para a gente descansar. Rocadi faz uma fogueira e Flor prepara o ambiente para a gente deitar, como trouxe comida na bolsa, tudo o que comemos é pão e água que trouxeram num cantil, não matou a fome, mas foi o suficiente para repormos a nossa energia. — Não sei o que faria sem vocês — digo a comer o último pedaço de pão. — Se sairia muito bem, a quem quer enganar Rosy de Aster? — brinca Flor. — Nós só fizemos te atrasar — diz Rocadi. — Não diga isto — repreendo. — Vocês não me arrasaram em nada. — Se não fosse por nós, você poderia estar correndo bem rápido agora, já estaria no rochedo. Rocadi tem razão, mas não vou admitir isto, seria muita grosseria. O rochedo está bem à vista, se eu corresse, demoraria um pouco, mas eu chegaria lá, não posso levar um e deixar o outro sozinho, então tenho que me limitar a eles. Mas mesmo assim, a presença deles é a melhor coisa que tenho, eles me fazem muito bem. — Não interessa, eu amei ter vocês comigo, vai dar tudo certo — estou sendo sincera, não digo isto para fazer com que se sintam melhor. De qualquer maneira, se sentem. — Muito bem — diz Rocadi depois de uma pausa —, amanhã de manhã vamos partir, teremos menos de uma hora para chegar no rochedo. Vamos dar quatro horas de sono para cada um, dois ficam acordados enquanto um dorme, é desgastante, mas será melhor. — Quem botou ele no comando? — diz Flor com graça. Nós concordamos, e Rocadi acaba sendo o primeiro a dormir. Flor e eu ficamos conversando até ser a hora dela. A minha será a última, daqui até lá já estará tudo claro.
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