Sou acordada por Flor, não aguento mais acordar cedo, tá me deixando m*l humorada.
Nós andamos em direção ao rochedo e provavelmente os guardiões do g***o de busca que conseguiram fugir dos gigantes de barro estão indo para o mesmo local.
Não conversamos nada no caminho, parece que estamos todos desanimados. De repente, eu sinto que alguma coisa está nos seguindo e olho para trás. Quase caio no chão de susto.
— Gente — falo para os outros que olham na direção.
— Ah, não! — exclama Flor. — É uma bicorta.
— No meu mundo eu chamo de formiga — digo, pois, há uma formiga imensa parada, bem longe, nos observando, ela está com as antenas mexendo pra lá e pra cá. — Que criatura f**a, são tão pequenas no meu mundo que não dá para ver o quanto são esquisitas.
— Acho melhor irmos andando enquanto só tem uma — sugere Flor.
Mas assim que damos um passo, outra formiga, do tamanho de um lobo, aparece bem à nossa frente. Eu não espero mais, saco a espada e vou em direção ao bicho para espantar ele do nosso caminho, então, a formiga corre para cima de uma árvore.
— Melhor a gente correr agora — Flor dá outra sugestão, mas ela diz já correndo.
Rocadi dá de ombros e corre atrás dela, eu não fico para saber o porquê, corro também.
Nesta correria, eu vou sempre olhando para trás e vejo que mais formigas estão aparecendo, eram apenas duas e agora tem uma dúzia. Me apresso para perguntar à Flor o que está acontecendo.
— Bicortas não agem sozinhas, são como o nosso g***o de busca — responde Flor.
— E o que estão buscando? — questiono.
— Comida.
— Quê? Nós somos as comidas?
— Depende da espécie, algumas bicortas só comem vegetais, se forem onívoras, comem tudo.
— Como saber se estas são onívoras?
— Não sei, não lembro.
— E por que estamos correndo de doze bicortas? — pergunta Rocadi.
Porém, outra dúzia de formigas aparecem em nossa frente, eu não vou ter pena. Pego a espada e saio cortando todo mundo. O pior de tudo é que quanto mais eu mato, mais aparece.
Várias formigas vão descendo das árvores e vão nos cercando até se formar uma multidão de formigas. Uma por uma se aproxima e eu vou cortando todas até que elas param a nossa volta.
Eu sou rápida, mas estou usando minha rapidez para salvar a Flor e o Rocadi, nem posso acreditar que chegamos até aqui para virarmos comida de formiga.
A área já está tomada, não sei o que as formigas estão esperando, talvez um comando, sei que se comunicam pelas antenas.
Eu seguro a espada bem firme na espera do pior, parece que teremos que lutar até não poder mais, mas como toda boa história, sempre tem alguém que aparece no momento exato para nos salvar.
Por incrível que pareça, o besouro ligerde, que veio conosco arrastando a carroça, aparece passando por cima das formigas. Ele é muito rápido, as formigas não o acompanham.
— Verdinha — diz Rocadi contente. — Estamos salvos.
— O besouro te conhece? — pergunto.
— Sim, e é uma fêmea. Eu cuidava da Verdinha lá no Reino de Ezderom.
Que nome é este que esse menino deu pro besouro? Por que ele não pediu conselho de alguém mais criativo?
De repente, as formigas começam a avançar e eu tenho uma ideia.
— Rápido, montem na m*****a… Quero dizer, na Verdinha, que nem sabia que era fêmea.
Enquanto eu digo, as formigas avançam e eu mato várias ao mesmo tempo.
— Venha, Rosy de Aster — chama Flor em cima do animal.
— Não, vão para o rochedo, o besouro não vai aguentar meu peso. Sem conversa.
Eu ordeno que saiam daquele lugar imediatamente e vão às pressas para o local determinado, seguro a espada com as duas mãos para m***r as formigas que atacam desenfreadamente.
Agora estou sozinha, dá para abrir caminho com a espada sem ficar preocupada com os outros.
Saio correndo pelas formigas o mais rápido que eu posso. As formigas voam divididas em câmera lenta na minha visão. Eu sou tão rápida com a espada que pareço um liquidificador para elas.
Estou correndo por poucos minutos, chego até o rochedo pontiagudo e encontro a Flor e o Rocadi em cima da Verdinha.
Que nome ridículo! Não consigo falar sem dar risadas.
— Você está coberta de fluído de bicorta — diz Flor.
Eu olho para os meus braços, estão sujos, mas não me importo, sou de ombros e coloco a espada na bainha.
— Vamos descer? — indago.
***
O rochedo marca o início da estrada perigosa, cheia de zig-zags, no penhasco. Nem sei dizer qual altura, dá para pular de paraquedas. Lá embaixo tem um vale, há um caminho de pequenos seixos ao lado de um estreito riacho. Nós cortamos caminhos, eu vou saltando para baixo enquanto os outros descem montados nas costas do besouro.
Bebemos um pouco de água para matarmos a fome e a sede, isto resolve muito, depois, seguimos o caminho. O besouro precisa comer também, ele resmunga o caminho todo.
***
O caminho de seixos termina no fim do vale, e o riacho corta para a nossa esquerda. Agora estamos de frente para um bosque de árvores brancas com folhas vermelhas. As árvores são tão grossas e altas que mais uma vez me sinto como se estivesse envolvido.
Primeiro, ficamos admirando a beleza de tudo, mas precisamos seguir em frente. Nós entramos no bosque e não encontramos nada demais, tudo está quieto e tranquilo.
— Alguém cala a boca desse bicho — digo um pouco irritada, a Verdinha não para de grunhir e eu estou ficando louca.
— Ela está com fome — justifica Rocadi.
— Ela não come folhas? Pelo amor de Deus.
— Ela tem uma ração especial produzida no Reino de Ezderom, não é uma selvagem.
— Agora foi que deu, um besouro mimado. Ela não foi treinada para parar de fazer este barulho irritante?
Nós fazemos uma pausa, paramos no meio de uma clareira para pensar um pouco.
— Rosy, tem certeza que é este o lugar? — questiona Flor.
— Sim — respondo —, é onde o guia do g***o de busca mandou que viéssemos.
— Mas aqui não tem nada, só árvores — diz Rocadi.
— Também tem uma flor enorme, bem ali — aponta Flor.
Parece uma orquídea, porém, eu vejo com minha supervisão que ela tem patas e antenas.
— Ah, não! — exclamo. — Vamos voltar bem devagar.
— O que foi? — pergunta Flor, estamos imóveis.
— Aquilo não é uma flor, acreditem, eu passei por isso quando cheguei a este mundo. Vamos voltar agora.
— Oh! Pelas lágrimas de Virell, eu sei o que é aquilo — diz Flor.
No entanto, assim que ela fecha a boca, um inseto gigante nos pega de surpresa por trás e agarra o Rocadi que grita como uma garota e Flor põe as mãos sobre a boca.
É um louva-a-deus gigante que parece uma orquídea de tão bela, ela tem as cores das árvores e se camufla perfeitamente naquele ambiente. Eu saco e espada e rapidamente, atiro contra a cabeça do inseto gigante, ela é decapitada na mesma hora a se desequilibra até cair.
Eu ajudo o Rocadi a se livrar das garras do inseto gigante que o prende com muita força. Contudo, o grito de Rocadi chama atenção da que está longe.
— Rápido, montem na Verdinha de novo e vão para um lugar seguro — ordeno.
Eu vou atrás da minha espada que ficou enfincada numa arvore.
Rocadi e Flor estão em cima do besouro que está pronto para partir, quando dá os primeiros passos, outro louva-a-deus orquídea ataca pela lateral e derruba os jovens árvomes no chão. O besouro capota e cai de costas, de repente, outros dois louva-a-deus aparecem e atacam o besouro.
— Caracaaa! — eu grito em cima da árvore.
Dou um pulo bem alto, agarro a minha espada e desço para salvar os outros. Eles estão no meio da briga entre o besouro e os três louva-a-deus que o devoram. Flor e Rocadi correm na minha direção, mas o garoto está choroso.
— Rosy, faça alguma coisa — implora o garoto —, elas vão m***r a Verdinha.
— Agora já foi, meu filho, já arrancaram as patas delas. Corram.
Eu guardo a espada e pego nos braços dos jovens árvomes, depois os conduzo para longe dos insetos gigantes. Quando penso que estou longe o suficiente, outros louva-a-deus aparecem e nos cercam.
Agora estamos no meio de insetos gigantes de novo, eu saco a espada e olho ao redor, me concentro para quem eu devo m***r primeiro, porém, preciso raciocinar, senão, um dos meus amigos pode morrer devorado.
— Aaa! — grito para o louva-a-deus que está mais perto.
Estou pronta para atacar, levanto a espada bem alto, mas de repente várias raízes brotam do chão como tentáculos e começa a nos agarrar e a nos afundar no chão que se desfaz como areia movediça.
— O que é isto agora? — grita Flor.
— Se você não sabe, que dirás eu, mulher — grito de volta.
Nós estamos gritando até ficarmos completamente enterrados. Na verdade, debaixo do solo há uma vila de várias mulheres com túnicas de vários tons de laranja e vermelho, suas peles são bem amarelas e os seus cabelos são lisos, escorridos e brancos, elas têm olhos grandes e íris de cor amarela também.
Uma delas balança a sua varinha e as raízes nos soltam no chão, depois voltam a se agarrarem no teto onde há várias bolas luminosas pendentes.
As árvores brancas são bem mais grossas debaixo do solo e vejo que servem de casas para aquelas mulheres.
— De qual Reino pertencem? — pergunta a que nos soltou com a varinha mágica.
— Estimada bruxa — responde Flor quando me vê boquiaberta e deslumbrada com a mulher —, somos de Metrimna, viemos em paz e trazemos notícias do Castelo da Rainha Matid, esposa do falecido Imperador Gehr.
— Ah! — exclama a bruxa, ela se volta para as demais e grita: — Mais gente de Metrimna.
Assim que ela avisa, as mulheres voltam a agir naturalmente, a fazerem o que quer que estavam fazendo.
— Hein? — Flor fica sem entender, o Rocadi e eu também. — Por que disse isto?
— Ontem à noite encontramos uns guardiões do Império de vocês, nós já sabemos de tudo, poupem saliva, a Grão-mestra ainda está em debate com as Mestras bruxas sobre o caso — ela solta um riso. — Aqueles árvomes quase foram devorados pelas gárregas — ela se refere aos louva-a-deus.
— Hei! — protesta Rocadi. — Nós também, infelizmente, a minha ligerde está virando comida agora. Malditas gárregas.
A bruxa gargalha.
— Vocês vieram de ligerde e foram cercados? Que azar! Pelo menos se safaram, considerem-se com sorte.
— Não foi sorte, a Rosy nos protegeu a todo tempo — explica Flor.
— Quem?
— Rosy de Aster.
Flor e Rocadi apontam para mim, estou encolhida atrás deles desde que percebi onde estava.
A bruxa olha para mim e fica deslumbrada com a minha presença, ela não tinha mesmo me notado. Então, ela se aproxima bem devagar e me analisa. Finalmente alguém do meu tamanho, os árvomes são tão altos.
— A humana — diz a bruxa admirada. — Nunca vi uma humana antes, você precisa vir comigo, vou te apresentar à Grão-mestra.