Capítulo 15

1513 Palavras
Estou agora dentro de uma árvore numa espécie de sala, está bem arrumada e iluminada. A maioria das pessoas naquele lugar é amarela, quase lima, parecem os Simpsons, e tem cabelos de cor branca; as outras pessoas são negras e têm cabelos de cor verde-musgo, entre outros tons de verde, como Rocadi, que é verde-escuro. Apenas os árvomes têm dentes caninos mais longos, a única coisa que têm em comum com as bruxas são as orelhas pontudas e inclinadas. Todos e todas olham para mim. Alguns sentados e outros em pé. A Grão-mestra das bruxas-amarelas usa uma túnica bastante diferente, é mais cheia de tecidos e repleta de joias, está sentada atrás de uma mesa redonda com algumas pessoas mais importantes. Ela limpa a garganta e diz: — É uma honra recebê-la em nossa comunidade, humana. — Muito obrigada, Grão-mestra — digo. — Quase morremos para chegarmos aqui, nem sei se alguém sobreviveu. — Oh! Não se preocupe, fiquei sabendo de toda a história, os gigantes de barro não matam, apenas capturam e aprisionam. Eles contribuem para a segurança deste pedacinho de mundo. Os seres pensantes vivem em harmonia na Floresta Proibida. — Vocês criaram eles? — Não, os gigantes são criaturas de Virell, já existiam antes de nós, são nossos aliados. Não criamos criaturas, todas que existem aqui são criações da própria Virell. — De qualquer maneira, quase morremos, suas gárregas quase matou a mim e aos meus amigos. — Entendo que deve estar descontente pelo ataque, mas saiba que nós precisamos de toda a defesa possível para nos manter vivas neste mundo. — E eu entendo que vocês querem se isolar do resto mundo, mas não recebem nem mesmo uma carta? — Não. Eu suspiro. — Tudo bem, mas vão nos ajudar com a guerra que os Árvos estão armando contra os árvomes, né? — Também não? — Mas Grão-mestra… — Humana, eu já tive esta conversa com os guardiões de Metrimna ontem que chegaram aqui antes de você, e não vou repetir o discurso. Nem sei por que você se importa tanto, nem faz parte deste mundo. Que eu saiba, o portal já vai se abrir e você irá embora. — Pra Senhora ver que eu me importo muito com eles… Não consigo acreditar que você vai ver os árvomes serem extintos pelos Árvos e não vai fazer nada, sendo que a primeira tentativa de extinção aconteceu graças a vocês… A Grão-mestra esmurra a mesa e se põe de pé. — Eu não vou tolerar a sua petulância na minha própria comunidade, já é demais vocês terem sido recebidos de bom grado. Agora saiam daqui árvomes e humana, não receberemos mais nenhum de vocês. — Pra que ter tanto poder se não vai usar para nada? — Isto não te diz respeito, humana. Tirem-na daqui. Duas bruxas-amarelas andam na minha direção e cada uma me pega por um braço, tentam, me mover do lugar, mas não tem sucesso, os meus músculos estão bastante rígidos. — Grã-mestre, por favor — eu insisto. Mais duas bruxas me agarram e tentam me puxar, eu resisto, a Grão-mestra me encara a comprimir os lábios. Parece que ninguém havia dito umas verdades para ela antes. Flor e Rocadi parecem estar se divertindo, secretamente, com o afronte. — Você deve a eles — grito enquanto mais outras duas se aproximam para me arrastar para fora e conseguem me levar até a entrada. — Já chega — grita a Grão-mestra, ela pega a sua varinha mágica e se aproxima de mim, as outras me soltam e saem do caminho. — Minha comunidade e eu não devemos nada a ninguém — ela aponta a varinha para o meu rosto. — Eu pensei que vocês ajudariam para se redimir, por causa de vocês… — Por nossa causa os árvomes não morreram — ela me interrompe. — Quando descobrimos o que os Árvos fizeram, usamos da nossa magia para cancelar o arvomecida, ao invés de m***r apenas retirou a imortalidade. Humana, este mundo pertence aos Árvos, sempre pertenceu, os intrusos somos nós, mas isto é uma questão histórica, eles são poderosos e não quero que as minhas bruxas se comprometam com mais uma guerra, quase fomos erradicadas e somos tão poucas agora. Você não faz ideia do que isto significa. Nós não nascemos assim, somos transformadas e já não existe mais a Entidade que possa fazer isto. Eu faço uma pausa dramática enquanto olho no fundo dos olhos amarelos da Grão-mestra. — Vocês acham mesmo que os Árvos vão m***r somente os Árvomes? Vocês serão as próximas. É melhor que o mundo junte forças para impedir a extinção. Eu não faço ideia do que tô falando, só digo o que vem à mente. Mas parece que faz sentido para ela, a Grão-mestra me olha com os olhos carregados de pesar. Ela move a sua varinha e várias raízes me envolvem e me levam para a superfície. Depois de mim, Flor, Rocadi e os outros árvomes aparecem. — E agora? — diz um dos guardiões. — Como vamos dar esta notícia para a Rainha Matid? — Me desculpem, gente, eu estraguei tudo — falo para eles já triste pela situação. — De jeito nenhum — comenta outro guardião. — Você disse tudo o que queríamos falar, mas não tínhamos coragem, a Grão-mestra não iria ajudar de qualquer forma, viemos até aqui alimentando expectativas. Ficamos em silêncio por alguns segundo, parece um funeral. Saímos daquela área para ir embora para casa, depois de alguns passos, de repente, algumas bruxas-amarelas saem de dentro das árvores com suas vassouras mágicas a dizer que nos levarão para a colônia dos gigantes de barro, onde o restante dos nossos amigos está aprisionado. Tive esperanças de que fosse outra coisa, mas ao que parece o assunto foi mesmo encerrado. *** Voar numa vassoura sempre foi o meu sonho. Parece perigoso, mas não sinto medo, estou bem agarrada a uma bruxa e me sinto muito segura, deve ser magia. Nós voamos até uma área pantanosa e no meio do pântano há um enorme monumento feito de barro que parece um arranha-céu em formato de cogumelo colossal. Há várias janelas. Nós pousamos na entrada e uma das bruxas conversou com um gigante de armadura de madeira. Até as orelhas deles são pontudas, eu sou única mesmo. Eles permitiram a nossa entrada e as bruxas foram embora. Conversarão com o superior para liberarem os seus prisioneiros. Foi rápido e fácil. Eles têm uma cadeia cheia de árvomes que tentaram invadir o lugar. Alguns deles estão presos ali há mais de dez anos. Depois de muitos minutos, os guardiões do g***o de busca são liberados e nos encontram do lado de fora, não tivemos permissão para entrar no arranha-céu. Atrás deles saíram alguns gigantes de barro e um deles parecia ser o chefe por causa da vestimenta e do cetro que está na mão, todos os chefes se destacam. — Humana, venha até mim — ele pede. Eu me aproximo do gigante que me chamou e não digo nada, ele se inclina para me observar com aqueles olhos puxados de japonês e diz: — Eu nunca vi uma fêmea da sua espécie antes, soube que você é muito forte. — Graças a Virell — digo e o gigante sorri. — Muito bom. Eu sou Gooraudo, Rei dos Gigantes de Barro, não os convidamos para comer porque não comemos nada que vá servir para vocês, mas se quiserem, podem ficar que prepararíamos um esplendoroso banquete. Eu não sei o que dizer, não sou a líder do g***o, não sou a guia, sou só uma intrusa, caí ali de "paraquedas", mas abracei a causa de uma espécie de seres inteligentes de um mundo que não me pertence. Eu olho para trás e o próprio guia afirma com a cabeça para eu dizer o que quiser a ele. — Sinto muito, Majestade, apesar de querermos muito uma boa refeição, não temos tempo a perder. Provavelmente o Senhor já sabe, há uma guerra por vir, os Árvos planejam dizimar a raça dos árvomes deste mundo… O rei dos gigantes me interrompe com uma risada. Achei que tinha feito pouco caso de mim, mas não é nada disto. — Prudente — diz o Rei Gooraudo. — Eu esperei a minha vida inteira para acabar com a tirania dos Árvos, eles acreditam que toda forma de vida inteligente que não seja da sua espécie é imperfeita e inferior. Eles quase dizimaram a minha espécie quando nos revoltamos por causa de cinco séculos de e********o. Eles precisam cair, e vocês terão a nossa ajuda. Fiquem, amanhã todos nós partiremos para Metrimna, terão o nosso apoio. As palavras do Rei Gooraudo fazem os árvomes pularem de alegria. Nem posso acreditar, não teremos mais a ajuda das bruxas que os árvomes se gabaram tanto, e no fim elas não prestaram para nada, mas teremos apoio de uma espécie forte de seres inteligentes de Virell e acredito que também são imortais, não comem nada. Ou comem? Ainda não entendi bem isso. Amanhã será um dia incrível.
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