P.O.V. A. U. G. U. S. T. O
Assim que os meninos saem, vou direto para o banheiro, preciso me arrumar.
Sinto a água quente tocar o meu corpo e penso que agora com a chegada de uma mulher nessa casa tudo irá se resolver, com certeza Diogo e Matheus escolherá a mais coitada, comerá na palma da minha mão por 1 ano.
Conseguirei tirar meu pai do meu pé e ainda tirarei uma casquinha dessa pobre coitada.
Saio do chuveiro e entro no closet procurando meu melhor terno, assim que me visto me olho no espelho, nunca fui de me gabar, mas meus pais estavam em um bom dia quando me teram a vida.
Meus cabelos negros conseguiam destacar minha pele parda e meus olhos verdes, simplesmente eu era uma criação dos anjos, nunca precisei fazer academia pela glória divina sempre tive um corpo musculoso e em forma, isso que dá ser filho de um Montenegro.
Termino de me arrumar colocando meu relógio e passando meu perfume.
Saio de casa e pego o meu melhor dia, hoje parece que o dia será bom, aproveito o tempo livre e passo em uma cafeteria.
Abro a porta do local e um sininho acima da minha cabeça avisa que cheguei, as garçonetes me olham e já abre um largo sorriso.
Mulheres...
Caminho até a mesa mais distante dr todas e e espero ser atendida, vejo que duas garçonete brigam para ver quem me atenderá, finjo que não percebo.
Até que uma ruiva ganha a disputa e vem rebolando em minha direção.
- Bom dia Senhor, o que deseja? - A parte do "que deseja" sinto um tom de malícia, ela passa a língua belos lábios pintados de vermelho e sorri.
- Apenas um café e bem forte por favor... - Dou uma piscadela para ela, a mesma volta para o balcão rebolando.
A espera do meu café olho pela janela ao meu lado, vejo o parque do outro lado da rua e muitas crianças brincando, sinto meu celular vibrando, na tela aparece o nome de Diogo.
Retardado II
- Fala... - Atendo o telefone.
- Nossa grosso, é assim que me trata depois da nossa noite especial? - ele fala afinando a voz.
- Já conseguiram a menina? - Pergunto cancelando a brincadeira.
-- Affs!! Já sim, Valentina...
- Quantos anos ela tem 60 ? Que nome é esse ??
- Não seu i****a ela tem 23, onde você esta ?
- Passei para tomar um café, mas já estou indo para o depósito ver meu pai e falar sobre sua mais nova norinha. - Digo para ele em forma de deboche.
Peço para garçonete embrulha meu café, beberei no caminho, ela sorri e fala que ja voltava com meu copo.
- O que você vai falar para ele?
- Vou convidar ele para um almoço em casa, apresentarei para a família a moça.
- Mas assim tão de repente? não acha que ele estranharia.
- É claro que vai estranhar, vai desconfiar até o último mas ele irá ter que engolir.
- OK, mas tente chegar aqui até as 12:00 o advogado virá para fechar o contrato. - Ele me avisa.
- OK.
Desligo o celular e pego as chaves do carro, passo pelo balcão e pego meu copo, vou em direção ao carro.
Entro no carro e vejo que no copo está três nomes e números de telefones anotados.
Sabrina (00) 0000-00000
Raquel (00) 0000-00000
Laís (00) 0000-00000
Como eu disse mulheres....
Jogo o copo no banco de trás junto com outros iguais a esse.
Ligo o carro e me dirijo para o depósito, a máfia se encontrava quase no final da cidade em um lugar bem afastado, é um enorme galpão, claro que essa não é a sede é apenas um local onde recebemos as cargas e fazemos reuniões.
Estaciono em frente ao galpão e já vou direto para sala de meu pai, não bato na porta apenas abro e vejo meu pai conversando ao telefone, ele me olha e pede para mim esperar.
Me sento em frente a ele e espero que sua ligação termine.
- Eu estou falando de bons negócios.... Sim claro... Podemos marcar, sim, até mais.
Eles desliga o telefone e lança um olhar frio para mim, meu pai apesar de ser um bom líder e um vom negociante nunca foi um bom pai, sempre tratou os filhos na base da frieza e infelizmente eu peguei sua pior parte.
- Eu já disse está afastado, não precisa nem comparecer mais aqui....
- Acho que não estou mais afastado...
- Como assim? Quem ainda manda aqui sou eu, se eu disse que está afastado é porque...
- Eu vou casar, eu tinha uma namoradinha sabe só por diversão, a gente se via as vezes quando eu não estava aqui, enfim ela me parece ser alguém com quem eu queira me casar daqui uns anos, mas você apressou tudo. - Digo dando de ombros.
- Ahhh por favor né, você está tentando passar a perna em mim...
- Claro que não, é óbvio nunca pensei em me casar, mas já que deu a idéia....
- Augusto não brinque comigo e nem tente me enganar.
- Aceite, sábado faremos um almoço, leve mamãe e Milena para irmos, estarei esperando. - me levanto e abro a porta.
- Augusto se eu souber que estar tentando me passar a perna eu banirei você daqui pelo resto de sua vida. - apenas concordo com a cabeça e sai.
Meu relógio marca 11:20h tenho alguns minutos para ir ver a tal Valentina, resolvo não demorar muito preciso.
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VALENTINA
Entramos na cozinha e vejo uma senhora, ela esta virada para o fogão e mexe em diversas panelas.
- Oi Dorinha. - Matheus a cumprimenta e a dá um beijo em sua bochecha.
- Oi meu menino, como vai? - Ela o abraça, então ela me percebe na cozinha e vem até. - Quem é essa jovem tão linda? Sua namorada?
- Cof..Cof..Cof... - Começo a tossir sem parar, Matheus precisa dar alguns tapinhas em minha costas.
- Não Dorinha, essa é a namorada do Augusto... - Ele nem precisa continuar a falar, ela me parece bem desacreditada.
- Do Augusto? - Ela arqueia a sobrancelha.
- Exatamente do Augusto. - Ela me olha desconfiada.
- Da onde vocês se conhecem?
FERROU
Olho para Matheus tentando pedir ajuda, mas o mesmo também não sabe o que falar, por momento vou pelo meu impulso.
- Em uma cafeteria... Bem eu sou.. Eu era garçonete, ele sempre ia lá, achei ele um rapaz muito simpático...
- Simpático? Augusto? - Ela pergunta, olho para Matheus e vejo ele arregalar os olhos.
Tô indo pelo caminho errado.
- Ah simpático? Eu falei simpático ? Quis dizer rude, sem querer derrubei um café nele, ele super me tratou mal... - Favor cara de choro.
Matheus segura a risada e concorda com a cabeça.
- Então como forma de desculpa comprei uma camiseta nova, então daí pra frente a gente começou a conversar e hoje estamos aqui né... - Digo sorrindo.
Ela parece pensar bastante na minha história, fica alguns segundos séria e depois abre um grande sorriso e me abraça.
- Parabéns, muito obrigada por fazer Augusto sair do casulo. - Ela me parabeniza e dá um beijo em minha bochecha.,
- Muito obrigado. - Retribuo o sorriso
- Então estão com fome? - faço que sim com a cabeça. - Então já para a sala de jantar que eu já levo o almoço para lá.
Matheus me puxa de fora da cozinha me levando para a enorme sala de jantar, ela era linda assim como toda a casa, tinha uma enorme mesa de centro que eu m*l podia contar quantas cadeiras tinham.
Ela não tinha nenhum decoração chamativas apenas uma toalha de mesa rendada.
- Essa casa é tão linda! Porém lhe falta algo, não sei te dizer o que... - Falo para Mathesu que me puxa uma das cadeiras para que eu me sente.
- Vida Valentina, falta vida... - ele se senta também. - Mas agora me diga, aonde aprendeu a improvisar tão bem assim?
- Eu fazia faculdade de artes cênicas e visuais antes de para naquele lugar... - Falo lembrando de como era bom fazer aulas de teatro.
- Que interessante, e como surgiu essa paixão pelas artes cênicas?
- Depois que minha mãe morreu. - Falo abaixanod a cabeça, aquilo para mim era um assunto delicado.
- Não era lhe incomodar com esse assunto. - Ele fala percebendo meu incômodo.
- Ah não é um incômodo, só não consigo falar tão abertamente, mas minha mãe tinha também esse sonho de se tornar atriz....
Ele sorri para mim, assim que Dora começa a colocar o almoço, Diogo aparece.
- E aí galera? Sentiram saudade!! - Ele fala se sentando em minha frente.
- Nem um pouco, falou com o Augusto?
- Sim, ele foi visitar seu pai e logo depois estará aqui. - Meu coração palpita assim que escuto.
Eu irei me casar com alguém que eu não amo, será que estarei fazendo o certo?