Os dois acabaram nem tra.nsando, foram dormir trocando carícias e longos beijos.
Nadira foi dormir com um pensamento distante, e seu marido não imaginou que aquilo era apenas o começo do que tinha tudo muito certo para dar muito errado.
No dia seguinte, Breno acordou mais cedo, querendo fazer alguma coisa especial para comemorar o que tinham feito. Ele preparou o café da manhã: fez ovos mexidos com queijo brie, bacon bovino, uma salada de frutas e suco natural. Levou o café da manhã na cama.
Nadira estava dormindo em sono profundo. Acordou com beijos e carícias, começou a rir e disse:
— Ué, o que aconteceu? É algum dia especial?
Ele começou a rir, foi se preparando para servi-la e disse que, ao lado dela, todos os dias eram especiais, não somente aquele.
Ela começou a comer, tirou uma foto do café da manhã e postou em suas redes sociais, o que era algo rotineiro: expor o dia a dia deles, como se davam bem e como costumavam mimar um ao outro.
Na terça-feira, Nadira ficou sozinha e Brenon saiu porque tinha coisas para resolver. O restaurante estava bombando e ele vivia sobrecarregado.
Ela levantou, foi fazer sua meditação, pensativa, focando apenas em coisas boas, energia positiva. Depois foi se arrumar para ir trabalhar, porque tinha pacientes no consultório, marcados antes do almoço.
Ela começou a atender normalmente e, na hora do almoço, viu que tinha uma mensagem no celular de Fael. Seu coração acelerou só de ver a notificação. Imaginou várias coisas, não sabia exatamente o que ele queria.
Então, quando abriu a mensagem, leu:
“Oi, bom dia, tudo bom? Desculpa estar te mandando mensagem, mas eu acho que esqueci a minha carteira. Se você puder dar uma olhada e me dar um retorno, por favor, porque minha habilitação, meu cartão, está tudo lá e eu estou desesperado aqui. Eu rodei muito procurando antes de te mandar mensagem, então realmente não queria te incomodar nem te trazer nenhum problema.”
Ela ficou surpresa. Não era nada do que esperava. Afinal, achava que seria uma cantada, um elogio, alguma coisa do tipo.
Então respondeu imediatamente:
“Oi, bom dia. Tudo e você? Ah, sim, entendi. Olha, eu vou dar uma verificada e te retorno. Eu te ligo avisando, tá bom? Tomara que esteja lá, porque perder documentos e cartão é coisa séria. Se você puder esperar uma meia horinha, eu já te retorno. Se não estiver lá, eu aconselho você a ir se preparando, para ir bloqueando os cartões, né?”
Ele respondeu apenas um “OK, tudo certo”, o que a deixou intrigada, pois o comportamento dele pareceu bastante frio de repente.
A verdade é que Fael realmente não queria levar problemas para ela. E outra verdade, que ela ainda não sabia, era que ele havia deixado a carteira lá de propósito, apenas para poder vê-la de novo.
Ela estava usando um conjunto de alfaiataria bege, escarpins de salto alto pretos, bastante elegante e sensual. Seus acessórios, suas joias do dia a dia, aliança, solitário, pulseira, relógio, sempre muito bem vestida e elegante. Seu cabelo estava solto, levemente ondulado, preto, comprido, até a altura do bumbum. A maquiagem estava leve, como ela gostava de usar no dia a dia para trabalhar.
Ela conversou com a secretária, pegou o carro e saiu. Foi até o prédio, subiu, entrou no apartamento, começou a olhar e logo encontrou a carteira. Curiosa, começou a abrir, xeretando, e mandou um áudio para Fael:
— Olha, eu encontrei. Como que a gente faz pra eu te entregar? Você quer que eu leve em algum lugar pra você não ficar rodando sem habilitação? Eu não sei… apesar de que hoje em dia todo mundo tem habilitação digital, né? Eu agora vou almoçar. Se você quiser que eu passe e deixe em algum lugar mais tranquilo pra você, eu faço isso. Não custa nada pra você não precisar vir até aqui. Não sei onde você mora, mas imagino que seja longe, pelo que você disse ontem.
Ela mandou o áudio parecendo educada, gentil. A verdade é que estava ansiosa, com borboletas no estômago.
Começou a olhar os documentos dele. Ele respondeu:
— Eu vou aí buscar, pode ser? Tem algum problema? Eu tô aqui perto, eu estava trabalhando.
Ela ficou curiosa e disse que tudo bem. Viu tudo na carteira dele, tirou foto para pesquisar e ver se ele não tinha nenhum processo, nada errado no nome, alguma coisa que pudesse levá-la a pensar que ele não era uma boa pessoa. E reparou que ele tinha poucos cartões na carteira, bem diferente dela.
Ela deu uma retocada na maquiagem, escovou os dentes, retocou até o perfume que estava na bolsa e ficou esperando ele chegar.
Como sabia que Brenon estava fora da cidade fazendo compras para o restaurante, ela ligou para o restaurante do próprio marido e pediu uma refeição que servia duas pessoas. Algo normal, ela sempre ligava lá, fazia pedidos e pediu para entregar no apartamento.
Quando Fael chegou, Nadira ainda não tinha recebido o pedido. Ela estava lá embaixo, indo encontrar o entregador do restaurante. Então viu Fael do outro lado da rua e deu um sinal para ele esperar. Algo que ninguém nem repararia.
O motoboy chegou, deixou o almoço e, assim que o motoboy saiu, Fael se aproximou e falou com ela:
— Oi, tudo bom?
E deu um beijinho no rosto.
Ela respondeu simpática, segurando os embrulhos da comida:
— Oi, tudo. E você? Nossa, menino, você teve sorte, hein? Ainda bem que estava aqui. Eu fico agoniada só de imaginar perder documento, carteira, cartão… uma loucura. E aí, então, você estava trabalhando?
Ele respondeu, olhando a carteira:
— Sim, estava. Você não disse que não morava aqui?
Perguntou curioso, olhando a embalagem na mão dela.
Ela sorriu sutilmente, um pouco desconcertada:
— Realmente, eu não moro. Mas já que eu vim até aqui, dei uma fugida do trabalho e resolvi almoçar. Tá servido? Quer almoçar comigo?
Ele começou a rir muito, achando que era brincadeira, porque não fazia sentido. Em um dia ela falar que não queria vê-lo e, no outro, chamá-lo para almoçar.
Ele respondeu educadamente:
— Não, né? Às vezes as pessoas oferecem por educação e a gente recusa pelo mesmo motivo.
Ela começou a rir, dando espaço no portão para ele entrar:
— Ai, que bobagem. Eu não estou oferecendo por educação, não. Se eu não quisesse, eu não oferecia. Você já almoçou? Tá trabalhando? Vai te atrapalhar agora dar uma paradinha?
Ele sorriu, passando a mão no cabelo, que estava um pouco bagunçado, dando um ar charmoso e respondeu:
— Ah, se for sério, eu posso fazer esse esforço. Mas não tem problema pra você?
Ela sorriu, fechando o portão, enquanto os dois entravam no prédio:
— Não, imagina. Tranquilo. É só um almoço, viu? Não venha com segundas intenções.