cap 02 bebida batizada

1050 Palavras
MARIA JÚLIA - Sábado. Não sei de onde Laura tirou que essa roupa que ela me fez vestir seria discreta. Foi a única coisa que eu pedi quando ela falou que ia escolher minha roupa para a festa de hoje. De tanto ela me encher o saco, eu me animei para ir. Agora eu estava vestida com um vestido preto mega decotado, um salto 15 e Laura estava finalizando minha maquiagem. Eu sempre tive preguiça de me maquiar, por isso deixo esse trabalho com ela. Depois de conversar com meus pais, dizendo que seria uma festa tranquila, de universitários comemorando o fim do semestre, aí sim eles deixaram eu ir, com muita relutância e porque Laura iria comigo. Eles por algum motivo acham que Laura é confiável, talvez por ser filha de empresários e ter tanto dinheiro quanto a gente. Assim eles selecionavam minhas amizades, pelo quantitativo que tinham na conta. Assim que ficamos prontas, tiramos uma foto e Laura postou no feed do seu i********: enquanto eu postei nos stories. Fomos para o carro, meus pais já estavam no quarto e agradeci mentalmente por isso, pelo menos eles não vão dizer todos os requisitos para eu sair de casa. E já sei que antes de meia noite tenho que estar em casa. Já eram nove e quinze, a festa tinha iniciado às nove e Laura disse que chegar atrasada era charme. Coloquei no GPS o endereço do local e fui dirigindo. Começamos a ir para um lado da cidade que eu ainda não conhecia. Parecia uma área reservada, só tinha mato ao meu redor. — Tem certeza que é para cá? — perguntei com medo. — Isso não parece um local ideal para festa. — Sim, tenho certeza. Caio tinha falado mesmo que seria bem reservado. Respirei fundo e continuei dirigindo até chegarmos em uma esquina onde começamos a ouvir a música alta tocando e algumas luzes começaram a aparecer. — Olha ali, chegamos. — ela apontou para a casa de vidros onde já se via muita gente dançando e bebendo. Estacionei perto para não precisar andar muito e descemos caminhando até a porta principal da casa. Tinha gente do lado de fora conversando, mas a maioria estava concentrada dentro da casa. A música triplicou de volume quando entramos, dois shots foram nos oferecidos assim que pisamos, mas não aceitamos por enquanto. Caio nos viu de longe e acenou, sua camisa social já estava com a metade dos botões abertos e seus cabelos estavam bagunçados. — Que energia caótica. — ouvi Laura falando antes de caminhar até ele e eu a segui. Ela cumprimentava todos ao redor dela, mantinha um sorriso no rosto e por último cumprimentou Caio que beijou o canto de sua boca e a abraçou. Ele me cumprimentou com um abraço e eu me afastei antes que ele tentasse beijar meu rosto da mesma forma que fez com Laura. — Já beberam alguma coisa, meninas? — negamos. — Vão lá na mesa de bebidas, tem de tudo. — Laura me puxou e fomos beber alguma coisa. — Como eu sei que você é fraca para bebida, toma aqui primeiro um energético. — ela me estendeu uma latinha de RedBull e pegou um copo com líquido transparente, parecia vodka. — Até a hora de irmos você vai estar doidona. — eu falei. — E você está dirigindo, não pode beber muito. — ela rebateu. — Nem quero. Ela virou o shot de vodka e me olhou me puxando para dançar. Balançava meu corpo no ritmo da música e fechei meus olhos sentindo a batida da música. Aos poucos fui me soltando e quando dei por mim, já tinha terminado a latinha e já tinha um copo de gin na minha mão. Como isso aconteceu? — É isso, garota. Se solta! — Laura gritou por cima da música. Era um reggaeton, meu corpo naturalmente rebolava com a batida envolvente. Meus olhos se abriram e pararam diretamente em um homem encapuzado entregando um saquinho com conteúdo duvidoso para um menino no meio da pista de dança. Merda. A festa era para isso. Distribuição de drogas. Os traficantes são mais espertos do que pensamos, meu pai sempre me explicou isso. Eles são espertos o suficiente para saber onde as vendas seriam gigantes. Uma festa cheia de jovens estressados buscando distração em algum lugar. O homem encapuzado continua distribuindo e recebendo dinheiro para onde vai. Até Caio, que estava sentado no meio de um monte de mulher, pega um saquinho. Fico observando isso cerca de dois minutos, mas ignoro e presto atenção nos meus movimentos. Laura dançava também ao som de Envolver da Anitta e eu a acompanhava nos passos, eu e ela somos uma dupla e tanto nas pistas de dança. O homem de capuz passou por mim e me olhou, piscando e pegou na ponta do meu cabelo preso em um r**o de cavalo. — Eu, hein. Que louco. Segui dançando e bebendo meu gin, Laura gritava algo que de maneira alguma eu entendia, mas concordava com a cabeça. Em pouco tempo minha visão ficou turva, meu corpo já não obedecia meus comandos e eu ficava cada vez mais inconsciente. Cambaleei para o lado de fora, lembro de ter feito algum sinal para Laura que concordou e continuou dançando. Saí da casa para tomar um ar, tentar recuperar minha consciência. Mas foi em vão. Flashes de memória se passaram quando há alguns segundos atrás eu estava olhando para o homem e ele piscou para mim, tive a certeza que ele tirou a minha atenção da minha bebida para batizá-la. Tudo acontece comigo, incrível. Cambaleei mais um pouco e ouvi passos na minha direção, tentei levantar a cabeça para saber de onde vinha e quem era, mas fiquei ainda mais tonta. — Maria, que surpresa te ver. Você nem me deu resposta, achei que não vinha. Era Lucas que se aproximou pegando no meu braço e me puxando para perto dele, tentando me abraçar. — Não encosta em mim... — tentei o empurrar, mas estava sem força e equilíbrio. — Você está bem? Vamos ali pegar uma água. Meu corpo já não me obedecia mais e eu não conseguia ver mais nada ao meu redor, tudo era um zumbido. As vozes me deixavam confusa e em poucos segundos acabei desmaiando.
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