cap 03 vida difícil

1176 Palavras
RAFAEL (Talibã) - Sábado Soprei a fumaça do cigarro que fumava no banco do carro, olhando o movimento da festa pouco à minha frente. Hoje era dia de faturar em festa de playboy, nossos maiores fregueses. Os pais nem sonham que eles usam o tipo de coisa que vendemos. Maconha, ecstasy, ketamina, metanfetamina e por aí vai. Não uso nenhuma dessas, só meu bom e velho cigarro de nicotina, mas sei exatamente o que cada uma dessas causa em quem usa. Quem quer relaxar, usa a maconha; quem quer uma vida agitada, usa ecstasy; quem quer se sentir anestesiado, usa ketamina; e quem quer se sentir temporariamente feliz, usa metanfetamina. Eu sei que o que eu faço é errado pra c*****o, destruo muitas vidas e famílias por causa das drogas, mas é meu ganha-pão e eu aprendi a tacar o f**a-se. Vendo isso desde meus dezesseis anos, quando tive que matar meu pai para minha iniciação no tráfico. A vida é feita de sacrifícios. Fiz milhares deles e por isso estou onde estou. Eu sou o chefe do tráfico de drogas do Rio de Janeiro, ninguém de fora me conhece, ninguém me associa a isso, mas é isso que eu sou. Sou obrigado a viver uma vida onde metade do que eu faço é monitorado pelos peixes maiores que eu e pelos policiais que tentam de todas as formas me identificar, me prender ou até matar, por isso decidi viver no anonimato. Todos me conhecem só como Rafael, o cara que tem uma coleção de carros e uma cobertura em Copacabana porque herdou muito dinheiro da mãe que era política e do pai que era empresário, e o casal feliz deixou uma herança gorda para o filho único. m*l sabem eles que minha mãe era costureira e devia até a alma, meu pai era um fodido que vivia às custas do pouco que minha mãe faturava. Hoje não me arrependo de ter matado meu pai, porque o que fiz tinha um motivo. Saio dos meus pensamentos quando vejo Cauê voltando com seu típico casaco preto que ele usava em todas as vendas, a não ser que fosse um evento mais sofisticado onde usávamos terno e gravata. Cauê é um dos dois poucos que sabem a minha verdadeira identidade no tráfico, ele sabe que se tentar me derrubar vai cair junto comigo, porque tudo o que ele faz está ligado a mim. — Voltei, gato. — ele senta no banco do carona e me passa o bolo de dinheiro que conseguiu, só pela quantidade de notas, percebi que tinha muito mais que o valor previsto. — Cobrou quanto de cada? — olhei para ele segurando o dinheiro. — Cinquentinha. Eles nem choram para pagar. — Por que tem mais que o valor aqui? — Um extra que eu fiz. Um maluco me pagou novecentos para batizar o copo de uma garota com boa noite Cinderela. — E quem te autorizou a fazer isso? Está maluco, Cauê? — gritei puto. — A gente vende para quem quer usar, não para prejudicar ninguém, principalmente mulher. Você vai voltar lá para consertar a merda que fez, se alguém descobrir, vai ligar você a isso e não vai ser muito difícil ligar você a mim também. — ordenei e ele foi sem questionar. Fiquei olhando onde ele ia e ele sumiu dentro da casa. Continuei olhando as pessoas pulando e se divertindo e traguei mais uma vez o cigarro antes de jogar ele para fora do carro. Esse era um trabalho estressante, eu poderia ter feito uma faculdade, me formado, formado uma família como a p***a da metade da população brasileira. Mas eu quis seguir o caminho mais complicado, até porque nada fácil me atrai. Olhei o painel do carro e já eram quase onze horas, a festa ia durar a noite toda, e a quantidade de droga que Cauê vendeu foi suficiente para que eles se mantivessem loucos por uns dois dias e com certeza eles vão usar tudo hoje. Logo vi ele voltando com a garota desmaiada no colo, olhando para todos os lados, morrendo de medo de ser visto. Eu até riria da situação se não estivesse muito puto. p***a, se o cara quer drogar a menina para f***r ela é porque não se garante com ela consciente. Cauê colocou a menina no banco de trás e vi que ela estava só com um lado do salto alto no pé. A própria Cinderela. Ri de lado com o meu pensamento e fui para a Rocinha, onde Cauê morava e cuidava de tudo para mim. Cada dono de morro aqui no Rio era supervisionado por mim, cada movimentação dentro dos complexos passava por mim primeiro, no caso passava por Felipe e ele passava para mim. Felipe é o outro cara que sabe a minha identidade no tráfico, ele cuida do financeiro e da parte burocrática de deixar a polícia e as autoridades longe da gente. Era pago uma propina alta para que eles não chegassem nem perto de saber quem eu era. E funcionava, muito bem. — O que vai fazer com a garota? — ele questiona. — Dá vontade de deixar ela aí na tua casa até ela acordar, a responsabilidade é tua. — ele me olhou com tédio. — Mas eu vou descobrir onde é a casa dela e deixar ela na porta, depois eu sumo. — Beleza, fé aí. — fizemos toque e ele subiu o morro e eu fui para casa. Assim que estacionei, desci do carro e lembrei da menina no banco de trás. Porra... Ainda tem isso. Abri a porta traseira para saber se a menina tinha alguma bolsa, um celular, qualquer coisa que a identificasse, mas ela deve ter perdido pelo meio do caminho, porque ela só estava com a roupa no corpo, e que corpo... Uma pena que esteja desacordada, porque diferente do cara que quis drogar ela, eu me garanto. Peguei ela no colo e joguei ela pelo meu ombro, mas o vestido era tão curto que eu conseguia ver sua b***a. c*****o, que vida difícil. Coloquei ela de volta no banco, tirei minha camisa, vesti nela por cima do vestido mesmo e peguei ela no colo de novo, agora minha camisa ia quase até seus joelhos e tampava tudo o que eu não precisava ver. No elevador entrou uma senhora que me olhou estranho e eu dei uma risadinha para ela. — Sabe como são essas mulheres, se bebem demais nós homens que temos que cuidar. Ela assentiu rindo e parou no seu andar. Espero que ela não me denuncie para o síndico do prédio, porque essa situação seria complicada explicar. Cheguei no meu andar e entrei no primeiro quarto do corredor e joguei ela na cama, pelo menos ela parecia confortável. A garota era bonita, os cabelos claros estavam presos em um r**o de cavalo alto e a maquiagem deixava ela com cara de bem mais velha, mas tenho certeza que ela não passava dos 25. Fui para o meu quarto, tomei um banho e capotei na cama.
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