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Casamento Indesejado

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Sinopse

Nayla é uma jovem de 17 anos que vive a vida que os pais planejaram para ela,e no momento que completar 18 anos ela terá que se casar ,mas ela não quer isso,ela quer viver intensamente,seguir seu sonho de ser escritora, e estudar artes,mas seus pais não a permitem ,então e nessa hora que ela se ver obrigada a conhecer e viver o futuro que seus pais queriam

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Capítulo 1 – Acordo Silencioso
O sol atravessava as cortinas do quarto de Nayla com uma insistência que a fazia franzir os olhos, mesmo ainda deitada. Ela não queria acordar. Aquela luz dourada, que em outros dias seria reconfortante, parecia zombar da paz que lhe era negada. No fundo, sentia que algo estava errado, como se o ar carregasse uma tensão silenciosa. — Já está passando da hora, Nayla — disse a voz fria e firme de sua mãe ao abrir a porta do quarto com força. Nayla resmungou e virou o rosto no travesseiro. Estava cansada. Não era um cansaço físico. Era algo mais profundo, como se tudo ao seu redor estivesse sendo decidido sem que ela tivesse voz. — Levante-se. Hoje teremos visita — continuou a mãe, cruzando os braços diante da cama. — Que visita? — murmurou, ainda de olhos fechados. O silêncio que veio em resposta não era comum. Quando abriu os olhos, viu o sorrisinho satisfeito no rosto da mãe. Aquele sorriso que sempre a deixava em alerta. Ele nunca significava coisa boa. — Seu futuro noivo vem hoje com os pais. — E então completou, com um olhar duro. — Já está tudo acertado. Nayla sentou-se de súbito na cama, como se tivesse levado um choque. — O quê? Não! Não vou casar com ninguém! Isso é loucura, mãe! — Vai sim, Nayla. E não ouse me contrariar. A cerimônia será daqui a um mês. E acredite, você terá sorte de estar com alguém como Sebastian. Ela se levantou da cama sem pensar. A raiva crescia em ondas, tomando seu corpo por completo. Queria gritar, queria correr, mas se limitou a caminhar até o banheiro, ignorando os protestos da mãe. Trancou a porta atrás de si e ligou a água quente da banheira. Assim que se deitou, sentiu as lágrimas caírem. Não havia pedido nada daquilo. Tinha sonhos, projetos. Queria estudar artes, viajar, viver... Amar alguém de verdade. Como seus pais podiam simplesmente vendê-la em troca de uma aliança entre empresas? Afundou o rosto na água morna e ficou ali por um tempo. Queria desaparecer. Depois de longos minutos, saiu do banho e se vestiu com o vestido rosa-claro até o joelho, delicado e com pequenos babados. Era um presente da avó. Prendeu o cabelo em um coque alto e adornou com uma tiara de pérolas, como sua mãe certamente esperava. A maquiagem leve escondia os olhos vermelhos, mas não o aperto no peito. Ao descer para a sala de jantar, encontrou a família já posicionada com sorrisos ensaiados. Mas seu olhar foi imediatamente capturado pela figura desconhecida ao lado de seus pais. O tal noivo. Sebastian estava sentado com postura impecável, cabelos castanhos levemente bagunçados, olhos claros de um tom difícil de decifrar — entre o verde e o âmbar. Seu sorriso era gentil, mas seus olhos pareciam observar tudo com cautela. Ele se levantou ao vê-la. — Prazer, Nayla — disse com suavidade, estendendo a mão e fazendo uma leve reverência. — Sou Sebastian Israel. Ela aceitou o gesto por educação, mantendo um sorriso contido. — Igualmente... — disse, tentando soar neutra. A senhora Kelly, mãe de Sebastian, logo se apressou em elogiar: — Que linda você é, Nayla. Uma verdadeira dama. Nosso filho teve muita sorte. — Obrigada, senhora Kelly — respondeu, tentando conter o desconforto. Os adultos se sentaram à mesa e começaram a discutir negócios. Nayla m*l tocou no café da manhã. Sua mente estava longe. Ou melhor, presa. Presa em uma gaiola feita de alianças corporativas e imposições familiares. Por fora, todos sorriam. Por dentro, Nayla queria gritar. — Nayla, o que acha de dar uma volta no jardim? — perguntou Sebastian, de forma gentil, tirando-a de seus pensamentos. Ela hesitou por um momento, mas percebeu que precisava sair dali, nem que fosse por alguns minutos. — Claro — respondeu, levantando-se. Caminharam lado a lado até o jardim dos fundos, um lugar que ela costumava adorar. Mas agora, até as flores pareciam observá-la com pena. — Eu sei que isso tudo é... estranho — disse ele, finalmente quebrando o silêncio. — Casamento arranjado... famílias forçando algo... não é justo com ninguém. Ela se virou para ele, surpresa. Esperava encontrar arrogância, ou pior, conformidade. Mas havia sinceridade em sua voz. — Pelo menos alguém admite isso — murmurou. — Eu não queria isso também — ele continuou. — Mas já que estamos presos nisso, pensei... poderíamos ao menos tentar nos conhecer melhor. Sem pressões. Sem essa coisa de “apaixonar em três dias”. Nayla o observou com mais atenção. Aquele era um gesto raro. Uma tentativa de respeitar o tempo dela. De dar a ela o mínimo de controle sobre sua vida. — Você está sugerindo... um acordo? — Sim — ele respondeu, com um leve sorriso. — Sem promessas. Sem juras. Só... nos conhecermos. Se no fim decidirmos que funciona, ótimo. Se não... pelo menos tentamos por conta própria. Nayla ponderou por alguns segundos. Ainda não confiava nele — nem queria confiar. Mas diante do caos que sua vida se tornara, aquilo soava como o primeiro respiro de liberdade que lhe era oferecido. — Certo — disse enfim. — Um acordo. Os olhos de Sebastian pareceram suavizar com a resposta. Ele assentiu, respeitoso. E então mudaram de assunto, com ele perguntando o que ela gostava de fazer. — Escrever — respondeu, sem hesitar. — Escrever é como fugir do mundo por algumas páginas. Ele sorriu, genuinamente. — Isso é bonito. Eu gosto de desenhar... ou gostava, antes do meu pai decidir que eu tinha que ser administrador. Os dois trocaram olhares. Pela primeira vez, algo em comum. Um elo, mesmo que tênue. E foi assim, sem promessas, sem certezas, que começou o acordo silencioso entre Nayla e Sebastian. Um pacto improvável entre dois jovens presos a expectativas que não eram as suas. Ainda havia muito a ser enfrentado. Mas, naquele momento, havia ao menos uma trégua. Sebastian olhou para ela por alguns segundos, depois desviou o olhar para o chão de pedrinhas brancas do jardim. — Você já pensou em fugir? — perguntou, como se não quisesse ouvir a resposta de verdade. A pergunta pegou Nayla de surpresa. — Já — ela respondeu, após um instante de silêncio. — Quase todos os dias, na verdade. Ele soltou uma risada suave, mas sem alegria. — Acho que temos mais em comum do que imaginei. O som da água da fonte ao lado preenchia os espaços entre as palavras, tornando tudo mais sereno do que realmente era. A brisa da manhã balançava os galhos das árvores, e o aroma das flores recém-regadas pairava no ar. — Ainda não sei o que pensar sobre você — disse Nayla, com honestidade. — Tudo bem. Eu também não sei o que pensar sobre mim mesmo... ultimamente. Ela se permitiu sorrir pela primeira vez. Não porque a situação era engraçada, mas porque pela primeira vez desde que acordara, alguém estava sendo verdadeiro com ela. — Sebastian... você parece legal, mas eu preciso que entenda uma coisa — ela disse, parando e se virando para ele. — Isso não muda o fato de que me sinto traída pelos meus próprios pais. Eu não consigo confiar em ninguém agora. Nem mesmo em mim. — E está certa em sentir isso. Só posso prometer que não vou te forçar a nada — respondeu ele, com firmeza na voz. — Se esse casamento acontecer, quero que seja porque ambos decidiram, não porque fomos empurrados para o altar como bonecos de porcelana. Ela respirou fundo, sentindo um pequeno alívio. Ainda não confiava nele, mas havia algo reconfortante naquele tom calmo e na tentativa de respeito que ele demonstrava. — Vai ser difícil — ela comentou. — As coisas boas normalmente são — disse ele, olhando o céu. — Mas, se servir de consolo, acho que você é mais forte do que imagina. Nayla não respondeu, mas aquelas palavras ficaram com ela. Mesmo sem perceber, um pequeno fragmento de esperança começava a surgir em meio ao caos. Caminharam em silêncio até a entrada do jardim novamente. Assim que se aproximaram da porta, Nayla ouviu a voz de sua mãe chamando seu nome do andar de cima, com aquele tom autoritário que nunca permitia contestação. — É melhor irmos — disse ela, com um suspiro. — Sim. O espetáculo da família perfeita vai continuar. — Por enquanto — ela completou, antes de desaparecer pelas escadas. E naquele momento, com os passos ecoando nos degraus de mármore e o peso do dia apenas começando, Nayla sabia: aquilo era só o começo. Ela não aceitaria esse destino tão facilmente.

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