Manu
- Fala comigo, vida. - Rafael chamou.
- Amor. - comecei e olhei pra ele. - Ontem eu bati na Luiza. - ele sorriu. - Fazia anos que eu não batia em alguém. Eu sei, não vou negar que sou assim, mas ela ia bater no meu Bê!
- Vida, olha pra mim. Você acabou de acordar e já tá de neurose. - o jeito que ele falou, me fez rir. - Eu sei que tu gosta desse jeito que tá agora, que a gente tá, a gente cresceu junto com as crias.
- Crescemos muito. - comentei.
- Mas você fica cega quando alguém mexe com o Bernardo, é normal, eu também fico! - ele tentou me acalmar.
- E se o Léo e a Rafa acharem que eu amo mais o Bê? - perguntei e arregalei os olhos pra ele.
- Eles não acham isso. - disse rindo.
Abracei ele, que retribuiu, e me beijou. O Léo abriu a porta, e se jogou entre nós dois. Nós rimos, mas ele parecia assustado.
- Tive pesadelo. - e olhou assustado pro Rafael.
- Que que eu já te falei? - RF perguntou.
- Que eu sou forte, e não preciso ter medo de nada. - Léo respondeu com um sorriso.
- Por que não precisa ter medo? - RF encorajou ele a terminar.
- Porque você me protege de tudo, e a mamãe também. - completou e nos abraçou. - Eu amo muito vocês dois.
- Ô meu filho. - comecei a chorar. Léo nunca tinha falado que nos amava, pelo menos não assim, do nada.
- Você fez minha mãe chorar! - Bê gritou entrando no quarto, indo pra cima do irmão.
- Ou. - RF gritou e olhou sério pro Bê, que parou.
- Bê. - chamei e ele me olhou. - Calma amor, eu chorei porque fiquei feliz com o que seu irmão me falou.
- Ah. - soltou e deu um sorrisinho pro Léo. - Eu não vou te pedir desculpa.
- Igual a mãe. - RF resmungou me olhando.
- Engraçado que ele me protegeu igual o pai. - retruquei e RF deu um sorriso pra mim.
Léo sentou no colo do RF, e nos abraçou. Bê veio pro meu colo, e entrou no abraço. Meu coração se encheu de alegria ao abraçar meus meninos, mas senti falta da minha caçula. Não demorou muito pra Rafa entrar no quarto coçando os olhos, com os cabelos loiros todos bagunçados. Ela não disse nada, só se deitou no meu colo, e voltou a dormir.
- Pai, posso dormir em você também? - Léo perguntou.
Rafael olhou pra mim com um sorriso, então assentiu, Léo se ajeitou no peito do Rafael, e voltou a dormir. Bê ficou nos olhando, depois deitou a cabeça no meu peito, enquanto Rafael fazia cafuné no cabelo dele. Logo os três estavam dormindo.
- Passou a neurose? - Rafael perguntou me olhando.
- Acho que sim. - respondi.
- A gente é família, cê tá ligada. - disse e eu assenti. - Não importa quantos anos passem, eu vou bater de frente pra proteger vocês quatro, e com você não vai ser diferente, vida. Se fosse com o Davi, com o Cauê, com a Maria, ou qualquer um dos outros, você ia fazer a mesma coisa. Só foi pior porque foi com o Bê.
- Ai, amor. - soltei com um sorriso. - Eu achei que você ia quebrar ela também.
- Eu queria. - respondeu como se fosse óbvio e eu ri. - Mas você tava controlando a situação.
- Ô vida. - chamei e ele me olhou. - Eu te amo tanto.
- Eu te amo mais que tudo no mundo. - disse com um sorriso e me beijou.
Ouvimos o sinal, então eu arregalei os olhos e olhei pra ele. Rafael se levantou com a maior sutileza possível, colocou o Léo deitado na cama e correu pro closet, não perdi tempo, ajeitei o Bê e a Rafa, e fui atrás do Rafael.
- Amor. - quase com os olhos marejados. Quase 7 anos sem nenhuma invasão, eu nem sabia mais como era isso!
- Meu amor. - e me olhou sério. - Júlia tá vindo pra cá, fica aqui com eles. Eu juro que volto pra vocês.
Rafael me deu um beijo e saiu. Voltei pro quarto, fechei a varanda e peguei minha a**a. Sentei na cama e fiquei olhando meus filhos. Rafael tinha que voltar. Eles precisavam do pai. Ju entrou no quarto, segurando a Mari e o Felipe no colo, então o Davi se jogou no meu.
- Se me chamarem, eu vou. - disse séria pra Ju.
- Manuela, não começa. - respondeu deitando a Mari e o Felipe na cama.
- Eu não posso perder ele, Júlia! Já te falei. - rebati e ela me encarou.
- E as crianças, Manuela? - respirei fundo.
- Eu sei que é egoísmo. - ela concordou. - Mas se acontecer alguma coisa com a gente, eles tem você e o Marcelo.
- Mana, não fala isso, por favor. - disse com os olhos marejados e me abraçou.
Davi percebeu que o papo era sério, então saiu do meu colo, e deitou ao lado do Bê. Fiquei olhando pra eles por um tempo, e respirei fundo. Os tiros já haviam começado, e eu estava torcendo pra não ter que salvar o Rafael de novo. Mas no fundo eu sabia que ia fazer isso.
- Olha só. - Ju chamou minha atenção. - Você vai, se te chamarem. - disse séria. - Mas vocês vão voltar vivos!
Assenti, me ajeitei na cama e fiquei olhando pro teto. Tinha que ser uma invasão rápida e fácil, sem muita bala. RF sempre se virava bem, mas sei lá. Era melhor previnir. As horas iam passando, e por sorte, as crianças continuaram dormindo.
- Fera. - MM falou ofegante pelo radinho, olhei pra Ju apreensiva.
- Fala MM. - Ju respondeu por mim.
- É o RF, não é? - perguntei baixinho.
- Lá no campinho, tô agarrado aqui, não sei se dá tempo de chegar lá. - respirei fundo.
Não esperei Marcelo falar mais nada. Corri pro closet, me enfiei numa calça, vesti uma blusa qualquer, peguei minha p*****a, coloquei meu canivete no bolso e passei meu fuzil pelas costas.
- Fica ligada. - Ju pediu.
- Cuida dos meus filhos. - e sai do quarto.
Anos atrás essa cena se repetia, mas eu só tinha o Bê, e ele estava na barriga. Respirei fundo e sai de casa. Tudo parecia limpo, dei dois passos e vi que estava errada. Atirei em um homem que vinha na minha direção, ele caiu, e corri pro campinho. Não encontrei mais ninguém no caminho de lá. Quando cheguei, um homem, do dobro do tamanho do RF, estava em cima dele.
Peguei minha a**a, mas antes mesmo de engatilhar, levei uma p*****a na cabeça. Tonteei, mas fiz de tudo pra não cair, RF ao me ver, parece ter criado forças, se levantou e começou a bater no brutamontes.
Virei pra ver quem me bateu e levei mais uma p*****a, ouvi um barulho de tiro e engoli em seco, peguei minha a**a e atirei. O homem caiu. Morto.
Me virei pro RF, senti uma dor enorme na barriga, olhei e vi sangue. Meus olhos pesaram, e eu tonteei, ouvi mais um tiro, e RF correu pra me ajudar.