Capítulo 2

1758 Palavras
— Obrigada por trazê-lo, Liv! – A ômega me abraça desnecessariamente, mas só sorrio em troca. — Eu estou toda enrolada com os gêmeos e hoje era o dia de ronda de meu alfa, então... — Não foi nada, Mégara. Ele é muito bonzinho e obediente. – Digo e me abaixo quando o pequeno alfa vem me mostrar uma pelúcia de lobo n***o. — Que lindo! Ele tem nome? — Noite! – O filhote pula e aperta o bichinho com força. — Ele parece o papai. Que é beeeem forte e protege todo mundo, como o papai também! — É mesmo? Que legal, alfinha! — Digo sorrindo e fazendo carinho em seus cabelos loirinhos e cacheados como os da mãe ômega, que nos observa com carinho. Antes que eu possa me levantar, o alfa faz um sinal para me aproximar e quando faço, ele “sussurra” no meu ouvido. — Quando eu crescer e ficar forte que nem papai, eu vou te proteger, tia Liv! – Seria ainda mais fofo se ele não tivesse completado. — Como minha ômega. Aquele tem sido um tópico péssimo para mim nos últimos dias, e que ouvir daquele jeito, mesmo vindo de um filhote de oito anos, ainda fez com que o meu sorriso diminuísse. Me levantei ouvindo a risada divertida da ômega, que logo o manda entrar e como se fosse um chamado, um dos bebês começa a chorar e ela me agradece mais uma vez por trazer o seu filhote em casa, logo nos despedimos para ela ir cuidar dos filhos. Com a chegada da lua cheia e o festival de La Luna sendo logo depois, as coisas estão um pouco mais complicadas pela aldeia. As preparações dos anciões para o ritual sempre dão trabalho para as hortas, tendo que colher tudo o que precisam e os artesãos e costureiros que precisam trabalhar em dobro fazendo as roupas dos filhotes, as tintas especiais... Uma semana depois, tem o festival de Luna, que começa no centro da aldeia, onde rezamos para nossa Deusa, pedimos bênçãos, proteções e fertilidade. Todos os ômegas que querem achar um par, devem pedir pela permissão do líder alfa que faz uma pintura com a tinta de luz, que aparece tanto na pele humana, tanto se nos transformarmos em lobos. Depois, todos os alfas se apresentam para os pais dos ômegas e fazem um juramento de respeito, mesmo que eles saiam sem ninguém, ainda é obrigatório para provar que as suas intenções são honestas e honrosas e eles recebem do ômega líder outro tipo de pintura. Quando todo o ritual acaba, os ômegas vão primeiro para a beirada da floresta ao norte, e tem um tempo para poder escolher um lugar para ficar e esperar pelos alfas. Os alfas entram depois e seguem o aroma que mais os atraem e quando encontram o ômega desejado, eles fazem reverência, um pedido para poder cortejar. O ômega pode aceitar e se curvar também ou simplesmente rejeitar, continuando no lugar ou dando uma explicação. Geralmente, todos os ômegas já participam do festival com um alfa em mente, sendo raro de acontecer é um ômega sair sem um alfa e se isso acontece, ele te até mais dois festivais para achar um alfa, senão... Eu acho muito errado que fiquem m*l falados, por não aceitarem alfa nenhum ou mesmo não serem cortejados. O número de ômegas que participa é sempre menor do que o número de alfas, o que leva a conclusão de que ou o ômega tem algum problema ou ele simplesmente não quer ninguém por ser “errado”. Nunca entendi o motivo de toda a crueldade envolta nisso e para mim, essa necessidade toda de ômegas terem sempre que ter um companheiro, começa a se fazer irritante e totalmente desnecessária. Talvez seja toda a pressão que estão colocando em cima de mim ultimamente, e ideia de conseguir um alfa se torna cada vez menos atraente. Afinal de contas, eu consigo muito bem me sustentar sozinha. Tenho trabalho, sei cuidar de casa, cozinhar e até mesmo caçar. Se não fosse pelo bendito cio e talvez o inverno, procurar um alfa que me agrade, não passaria duas vezes por minha mente. Depois de ajudar na biblioteca do centro, me encontrei com Jenny e com Hobe, um beta que também é um professor na mesma escola que eu, em uma das tavernas. — ... aí ele simplesmente disse que eu mudaria de ideia quando o inverno chegasse eu estivesse a morrer de frio! – Jenny diz um pouco mais arrastado por causa da terceira taça de hidromel que está bebendo. — Acreditam nisso? Eu? Me arrepender por ter recusado um alfa daquele! — Ele praticamente te amaldiçoou. – Hobi ri alto, também mais para lá do que para cá, mesmo ainda estando no final da primeira taça. — Pois é! Como se eu fosse sentir frio no inverno! Eu tenho dois irmãos alfas que me emprestam calor e mesmo se não tivesse, sempre tenho a opção de irmos para casa do Hobi e ficamos enrolados uns nos outros em frente a lareira. — Isso! – Hobi apoia e eu reviro os olhos para meus amigos. Lembro da vez que acabamos saindo da escola mais tarde que o previsto, e uma nevasca estava acontecendo. Hobi, nos chamou para ficar na casa dele, já que era a mais perto das três, mas assim que pisamos lá, o tempo piorou e tivemos que passar a noite inteira os três agarrados na frente da lareira, nos esquentando. Desde aquele dia, sei que rola um clima entre os dois, mas nunca disse nada, porque os pais de Jenny conseguem ser tão antiquados quanto os anciões e nunca aceitariam que a sua caçula e única filha ômega acabasse com um beta. As vezes quero mandar essas regras de ômegas só ficam com alfas e vice e versa e betas com betas, para casa do... — E você, Liv? – A voz de minha amiga interrompe os meus pensamentos e eu tento lembrar do que estávamos falando. — Já sabe o que vai vestir para o ritual de apresentação dos filhotes? — E o mais importante... – Hobi apoia o rosto nas mãos. — sabe com quem vai? Desvio o olhar e tomo o resto do meu hidromel, sem a menor vontade de responder aquela pergunta. Tinha recebido três convites, mas recusei todos e nem mexi no coelho que deixaram na minha porta no dia anterior. n**o com a cabeça, mas antes que possa responder que iria com eles ou sozinha, a beta que geralmente nos atende e tem uma óbvia quedinha por Hobi aparece, substituindo a minha taça vazia por uma cheia. — Ah! Hani, deve haver um engano! Eu não pedi outra. – Digo sorrindo, mas ela n**a e empurra mais para minha frente. — Eu sei, Liv. Foi o alfa da ponta do balcão que mandou e pediu para dizer que você é uma das ômegas mais belas em que ele já pôs os olhos. – Hani fala, mas olha para Hobi que parece muito distraído separando as cascas das nozes. — Quer mais alguma coisa, Hobe? A fala da beta é recheada de intenções e até eu consigo sentir o cheirinho de torta de limão que ela solta para meu amigo, mas ele está muito focado em sua missão das nozes e Jenny está começando a soltar feromônios amargos. Decido quebrar aquilo antes que fique ainda mais estranho, então só empurro a taça de volta para a beta, que finalmente olha para mim confusa. — Diga que agradeço o elogio e a intenção, mas já bebi duas taças e esse é meu limite se quiser levar os meus amigos para casa sem cair. Peço a conta, sem realmente querer saber como o alfa lidou com a rejeição, e depois de pagar, dou as mãos para meus amigos e dando boa noite para Hani e para o dono do bar, um alfa gentil, começo a andar para casa com dois bêbados me puxando e me esmagando pelos lados. Deixo Hobi primeiro e seguimos para minha casa, já que se Jenny chegar assim na casa dela, os vizinhos não dormiriam com os gritos do pai ômega dela. Depois de um banho, consigo deitar Jenny na cama, que parece apagar de vez, mas ao contrário do que acho, depois de pegar uma garrafa de água para cada e me deitar em minha cama, Jenny se vira e passa o braço e a perna por cima de mim. — Você já pensou como vai falar para seus pais que não quer participar do festival? Solto um suspiro pesado e viro o rosto para minha amiga, que mesmo de olhos fechados ainda parece acordada o bastante para trazer aquele assunto à tona. — Já pensou como vai fazer para negar todos os alfas que chegarem em você no festival, já que quem você quer é um beta? – Pergunto de volta, e sinto o t**a em meu braço e um rosnado irritado da ômega, mas só sorrio. — Qual é Jenny? Achei que a gente já tinha combinado de só resolver essas coisas quando chegasse perto. — Eu sei, mas caso você não esteja acompanhando o calendário lunar, Liv, a lua cheia já é daqui a dez dias. – Jenny abre um olho só para me fitar, mas logo fecha quando assinto devagar. — Estou preocupada com o seu cio, amiga. O meu eu vou ter que aguentar, porque é antes do festival e não tenho ninguém em mente... – Abro a boca, mas como a minha amiga me conhece, tampa a minha boca antes que eu possa falar algo. — e como não tenho ninguém, eu vou ter que passar sozinha. O seu cio é depois de ser praticamente cortejada oficialmente. Sabe como os nossos lobos reagem a esse tipo de coisa. Você vai sentir o dobro de dor por não ter um alfa. — Não quero um alfa. – Meu sussurro é quase agressivo, mas só respiro fundo, enquanto aceito o carinho que a minha amiga começa em minha cabeça. — Não acredito que isso vá mudar ou alterar algo para o meu lobo no meu cio. — Todos esperam que você aceite o Jonh, você sabe, né? – Jenny fala devagar, com cuidado, por saber que aquele assunto é delicado para mim. Quando o meu corpo tensiona, a minha amiga só me aperta em um abraço. — Deixa para lá! Você tem razão, ainda temos tempo. — Boa noite, Jenny. — Noite, noite, amiga!
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