Beatriz Acordei com o morro respirando pela metade. Antes do café, cumpri minha regra: dez minutos na Janela. Escrevi o que me mantém inteira quando o vidro falta: o pregão do picolé na curva, a moto discutindo com o cachorro, o varal do seu Aderbal com três camisas azuis e um vestido indeciso, o manjericão que insiste na lata amassada. No fim, a linha que me ancora: “Eu fico, mesmo sem vidro.” Fechei o caderno; abri o dia. Na clínica, Nara me encontrou no corredor, prancheta justa no braço. — A direção ligou cedo — avisou. — Se a imprensa voltar a tentar entrar, a doutora Lídia manda fechar porta e dispersar. — Porta fecha só pra microfone — respondi. — Pra paciente, abre mais. Ela assentiu, esse gesto que sempre me organiza as costelas. O boato trabalhava com turno dobrado. “Dizem

