Capítulo 41 — Domingo sem Laje

1268 Palavras

Beatriz Domingo tem som de panela tampada. A laje vira teto, a rua cochila, o morro fala baixo. Acordei antes do sino da capela e cumpri meu ritual: dez minutos na Janela. Escrevi o silêncio: a calçada molhada de ontem, o cachorro que desistiu de latir para a moto, o varal do seu Aderbal parado como retrato, o manjericão teimoso na lata amassada, duas formigas negociando um grão de açúcar. No fim, a linha que me ancora: “Eu fico, mesmo sem vidro.” O cronômetro apitou. Fechei. A ONG abriu mais tarde aos domingos, mas o check-in das 9h não falha. Cadu mandou: “Capela e mercearia em pé. Palavra-chave mantida.” Respondi: luz, gente, nome. Em seguida, varri o chão da sala da clínica — gesto pequeno que devolve ordem quando o dia não promete nada. — Hoje tem silêncio pesado — Nara comentou, e

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