Pré-visualização gratuita Capítulo 1
Atena
Lar doce lar.
Depois de anos sem ter uma casa, sosseguei. Na real, me mudei. Sai da França, pro Rio de Janeiro. Pra ser mais exata, pro morro da Rocinha.
Sai do aeroporto ajeitando o capuz e o óculos, me joguei dentro do primeiro táxi que vi, dei o endereço e fechei os olhos.
- Só posso até aqui moça. - o taxista disse engolindo em seco.
Paguei, agradeci e sai.
Já na entrada, me senti familiarizada. Vários homens armados me olharam, a maioria com malícia.
Pela primeira vez em muito tempo, as armas não estavam sendo apontadas pra mim. Atípico.
- Como funciona isso aqui? - perguntei.
Um moreno, que estava mais à frente com um loiro, arqueou uma sobrancelha pra mim.
- Corajosa hein? - soltou e o loiro riu. - Aqui não é shopping não.
- Nem tinha percebido. - rebati. - Eu comprei uma casa aqui.
- Já pagou? - o loiro perguntou e eu neguei.
Fui pra perto deles, tirei um bolinho de notas do bolso da calça e mostrei a mão.
- Entrego pra quem? - perguntei olhando para ambos.
O moreno apontou pro loiro com a cabeça, parei diante dele e entreguei.
Os dois se entreolharam, depois o moreno olhou pra um outro cara que estava lá, e abriram passagem pra mim.
- Você vem comigo. - encarei ele.
- Eu nem te conheço. - retruquei.
- Souza. - disse, estendendo a mão pra mim. Apertei a mão dele. - Esse ai é o Nemo. - apontou pro loiro. Apertei a mão dele também.
- E você morena? - o Nemo perguntou me analisando.
- Atena. - respondi.
•••
Souza me deu as chaves e assim que desci da moto, saiu voado.
Abri a casa, e dei uma inspecionada. Fofa. Tinha resolvido tudo quando ainda estava na França, então já estava mobiliada e com minhas coisas.
Joguei a mochila no sofá, tirei o casaco, depois tirei a arma da calça e a coloquei em cima da mesa.
Tomei um banho, tirei as coisas da mochila, peguei a arma e fui pra rua. Precisava cortar o cabelo.
Cinco minutos andando. Foi o tempo até achar um salão, que por sorte ou não, estava vazio.
Uma menina me guiou até uma cadeira e começou a mexer no meu cabelo, então me olhou com um sorrisinho.
- Vai querer o que? - perguntou.
- Chanel, ou algo assim. - respondi no ato. - Eu preciso ficar irreconhecível.