- Cê é a primeira que eu não acho a ficha. - fechei a porta de casa e encarei o Souza.
- Visita ilustre. - debochei.
- Como que ninguém te achou? - perguntou se levantando.
- Você só vê sombra no sol. - respondi e ele me encarou. - Eu não fico no sol.
- Que que cê faz da vida? - parei de frente pro Souza, encarando ele, com tempo o bastante pra mexer na arma dele então sai de perto.
- O que você faz da vida? - dei ênfase no você, e ele me encarou. - Sem perguntas.
- Quem manda aqui sou eu. - falou ajeitando a arma.
Tirei minha arma da parte de trás da calça, coloquei em cima da mesa e olhei pra ele.
- Tá me ameaçando, princesa? - soltou irônico.
- Não. Nem preciso. - sentei na mesa e limpei minha arma. - Eu fico na minha, você fica na sua. Não vou te dar problema.
- Não vai me dar problema? - perguntou arqueando a sobrancelha.
- Se você ficar na sua, não. - respondi. - Mas eu posso ser uma p**a pedra no teu caminho.
- Cê não vai querer me ter como rival. - deu um passo na minha direção.
Soltei um risinho irônico, pulei da mesa, cheguei mais perto dele e parei, olhei pra ele e passei a língua nos dentes.
- O mesmo pra ti. - rebati. - Eu não tenho medo de você. - ele ajeitou a arma e me olhou. - Aliás, a arma tá descarregada. - peguei as balas no bolso da calça e entreguei pra ele.
Ficamos em silêncio, eu com um sorrisinho maroto, ele com cara de tacho.
- Fica esperto. - dei um tapinha no ombro dele e cheguei mais perto. - Eu sou mais imprevisível do que você pensa. - falei no ouvido dele.
- Fica ligada. - falou depois de um tempo. - Tô no teu pé.
Souza
- Mina marrenta do c*****o. - falei e Nemo riu.
- Ágatha tava com ela hoje. - olhei pra ele, que deu de ombros.
- Quero saber de qual foi. - bufei. - De onde a mina é, porque tá aqui, até a cor da calcinha, cê tá ligado?
- Que neurose é essa? - soltou e encarei ele.
- Mina não ia brotar armada atoa. - expliquei.
- Ela tá armada? - perguntou e eu assenti. - Vou colar no barraco dela.
- Adianta p***a nenhuma. - retruquei. - Ela me peitou, pegou minha munição nem sei como.
- Vou dar meu jeito. - falou levantando. - Amanhã de manhã eu trago ela.