ELOÁ
São 8:15 da manhã e estamos nos arrumando pra sair. Amanhã o Pedro vai embora então decidimos passar o dia todo juntos.
É estranho pensar que faz pouco tempo que a gente se conhece e eu estou imaginando como vou ficar esse tempo aqui sem ele.
- Tá pronta?
- Estou
- Então vamos princesa
A gente encontrou um lugar onde tem algumas senhorinhas vendendo lembrancinhas pra viagem, aqueles imã com "i love" alguma coisa...
O Pedro se negou a comprar um, e eu tive uma crise de riso no meio da rua com o olhar de desespero dele quando viu.
Estamos andando de mãos dadas e claro muitas pessoas passam e ficam encarando a gente, eu finjo que nem estou vendo.
- Caraca as pessoas não disfarçam
não - ele diz incomodado
- Uma n***a tatuada, do lado de um branquelo com carinha de neném ... vai ver tão achando que eu te sequestrei ou estou te pegando pra criar- ele rir.
- O povo viaja muito, e eu não sou branquelo.
- Aqui é só o começo, coisa você vai ver se a gente for pro país da sua família.
- Eu hein, gosto de ninguém me encarando não.
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Paramos pra comer e o senhora não para de nos encarar, ela é a dona do restaurante.
- Vocês são um casal? - ele foi nos entregar a conta e não se aguentou de curiosidade.
- Somos, porque?
- Não, nada... é porque é difícil de ver... quando eu vejo eu acabo estranhando.
- Falar da nossa vida é a forma de pagamento? - o Pedro pergunta sem paciência também.
- Não senhor, aqui está sua conta... desculpa o incomodo- fala e sai.
•••
Depois de passear mais um pouco e caminhar loucamente, passamos em frente a um lago e óbvio tiramos fotos.

Amanhã volto pra minha realidade, nem parece... eu não fiz amizade ainda aqui, porque eu sabia que tinha o Pedro, agora vou ter que socializar com a galera de novo.
- Que foi que está pensativa?
- Vou ter que me inserir no mundo novamente depois que você for embora
- Vai ser facinho, você conquista as pessoas rápido.
- É... tenho que admitir.
•••
Chegamos finalmente na casa e sentamos na área em cima da casa, que tem alguns banquinhos e sofá... tiramos os sapatos e sentamos.

O Pedro deita com a cabeça no meu peito e ficamos em um silêncio por um tempo... mas um silêncio bom, não aquele silêncio de desconforto.
- Você vai poder ficar com outras meninhas lá viu - falo quebrando o silêncio.
- Menininhas, eu tenho quantos
anos? - diz rindo.
- Você entendeu, homem adulto de 23 anos
- Você está me dando uma carta branca?
- Sim...seila eu não sei o que passa na sua cabeça, mas gosto de deixar claro.
- Então você também tem sua carta branca.
- Vamos ficar meses mesmo longe né... é o certo.
- Sim concordo, não temos nada sério, então é o melhor - diz com uma feição séria.
- Nossa sua cara diz tantas coisas - falo rindo
- Quais coisas?
- Coisas ao contrário do que você diz por exemplo
- Impressão sua
- Eu posso passar o rodo nos Estados Unidos inteiro? em todos os lugares que eu for? - falo pra ver o que ele vai dizer.
- Claro... sua liberdade né, quem limita ela é você... não sou eu.
- Então ta, mas vamos continuar conversando?
- Sim, você não quer?
- Quero, era só pra ter certeza - ele levanta de onde está deitado e sobe ficando da mesma altura que eu e fica me encarando e depois rir - oxe, o que foi?
- Que maluquice... você estava no Brasil o tempo inteiro e eu vim encontrar você aqui.
- Sim e querendo ou não vivemos no mesmo ciclo.
- Sim... é meio doido mesmo, e amanhã eu já vou embora.
- Mas em alguns meses eu volto, talvez em dois... espero que seja antes.
- Só se você for substituida, porque a jornada só está prevista pra acabar daqui a três meses.
- Eu acredito que não vou ser, então é
isso - falo sorrindo e ele sorrir também.
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Passamos a noite toda grudados literalmente, o Pedro ficou bêbado de vinho e virou o homem mais bem humorado do mundo... acho que nunca rir tanto das maluquices que ele falou, dançou e tudo. Depois simplesmente apagou e eu ainda fiquei uma hora rindo até ir dormir com ele também.
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Amanheceu e olho ao redor, e nada dele na cama... procuro ele pela casa e ele está no banheiro.
- Esta bem? - pergunto.
- Eu acho que sim, não tenho certeza.
- Abre a porta que eu ajudo você - ele abre a porta e está sem camisa com a toalha amarrada na cintura.
- Minha cabeça está girando... eu achei que iria vomitar, mas não saiu nada.
- A ressaca de vinho é f**a - falo
rindo - vem, vamos tomar banho - ele entra no box e tiro minha roupa e entro também.
Ligo o chuveiro e ele fica parado embaixo do chuveiro com o olho fechado.
Começo fazer massagem em suas costas, depois pego uma esponja com sabão e começo a passar nele.
- Vira, mamãe vai cuidar de
você - escuto uma risada dele.
- Posso nem rir que minha cabeça doe
Depois de praticamente da banho nele, vou fazer café e ele desmaiado na cama.
- Toma Pedro - ele senta na cama.
- Eu ainda tenho que ir embora.
- Não vai então... fica aqui, talvez seila uns três meses - ele rir e depois se arrepende
- Aí - diz reclamando - deita aqui
Deito e ele me abraça.
- Seu voo é que horas?
- 17:30
- Então dá tempo dormir e a ressaca passar.
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E foi justamente isso que fizemos, dormimos abraçados... um de frente pro outro, ficamos exatamente quase 5 horas dormindo na mesma posição.
- Precisamos voltar pro hotel pra pegar suas coisas - falo com o Pedro que está com olho fechado mas está acordado.
- Tenho que devolver o carro e entregar a casa... minha mala nem está
pronta - diz ainda sem abrir o olho - e eu não queria fazer nada disso.
- Já dei a dica... larga tudo e fica aqui.
- Queria... mas tenho trabalho no Brasil
- Eu vou me arrumar enquanto você decide - levanto e ele continua jogado na cama.
•••
Do nada ele renasceu das cinzas e já estamos no hotel.