Pré-visualização gratuita CAPÍTULO 01.
♡SERENA♡
Se eu pudesse voltar no tempo, e pudesse me dar um conselho, seria:não viaje com caras desconhecidos de um aplicativo de namoro.
Principalmente se esse cara te der diversas dicas sobre o seu real caráter, e se você estiver tão irritada sobre o último o relacionamento ao ponto de aceitar o primeiro i****a que parecer minimamente decente nos primeiros meses após término.
Mas vamos começar do início, quando Lucas contou todo empolgado sobre uma
trilha na floresta n***a.
E como a sua notícia empolgante se tornou uma viagem romântica.
O sino em cima da porta da mercearia abriu, e olhei para trás vendo Lucas colocar a
gasolina em seu carro do lado de fora. Caminhei em direção ao refrigerador, pegando uma garrafa de água de 2 litros.
E foi quando algo chamou minha atenção, os jornais amassados na estante deixando
claro o quão antigo e abandonado era aquela cidade.
A coisa mais nova ali, eram os panfletos de desaparecidos; de dez pessoas pregados na parede, sete eram mulheres jovens e bonitas.
A garota do caixa m*l olhou na minha cara, enquanto mexia em seu celular e
estourava a bola de chiclete nos lábios.
Foi só quando o sino tocou pela segunda vez, que ela olhou em direção à porta.
Seu rosto que antes estava entediado, agora parecia uma carranca profunda enquanto olhava para Lucas.
Eles se conheciam? Pela maneira como seu rosto se abriu em um sorriso cínico, logo que entrou.
Fui em direção ao caixa, colocando minha água e duas barras de cereal.
Lucas enfiou mais sete itens junto, algumas balas, camisinhas, vinho e viagra no
balcão.
A garota bufou, e ele a olhou com visível incômodo.
— Algum problema?— perguntou.
— Não, senhor — respondeu, batendo os códigos de barra com o bip.
O sorriso da garota era amarelo, enquanto mantinha os olhos em Lucas com visível
incômodo.
A garota deveria ter no máximo uns 18 anos, cabelos castanhos curtos e o rosto
redondo.
O óculos de aro preto contrastando com a sua beleza asiática, e a visível timidez.
— Deu 89 reais — informou.
— Cartão ou dinheiro?
Houve um longo momento de silêncio, até que percebi que Lucas não estava se
movendo para pagar.
Ergui as sobrancelhas, confusa.
Ele realmente estava querendo que pagasse por sua camisinha e viagra, quando tudo
que peguei m*l tinha dado 8 reais?
— Sério, Lucas? — Cruzei os braço ele deu de ombros.
— Eu estou pagando a gasolina e os pedágios.
— Lucas deu as costas para mim.
Vou comprar um mapa na outra loja, querida.
E dito isso, me largou ali respirei fundo, fechando os olhos.
Ele definitivamente estava me fazendo pagar por uma viagem que havia sido
obrigada a participar?
Que ele havia me infernizado durante duas semanas inteiras, para participar de livre e espontânea pressão psicológica? Bufei.
— Eu só quero a água e os meus cereais — avisei.
A garota deu um sorriso largo, cancelando a compra antes de colocar apenas os meus
itens.
— Cartão de débito — informei.
A garota ensacou as minhas compras e entregou, peguei a garrafa de água antes de sair.
Não perdi como ela parecia indecisa, como se estivesse pensando se deveria ou não me dizer algo.
Por fim ela não falou e sair, indo em direção à loja de itens mecânicos do lado da mercearia.
Foi só quando estava perto da outra porta, que a voz da garota da mercearia chamou
a minha atenção.
— Hey, espere! Olhei para trás, confusa.
— Esqueci algo? — perguntei, confusa.
— Não, não! — ela respondeu. Respirando fundo.
— E só que... você tem certeza que, quer ir com ele?
Franzi a testa, definitivamente havia algo de errado.
— Por que diz isso? — indaguei.
A garota abriu a boca, prestes a falar algo quando senti alguém nas minhas costas.
— Precisa de algo, Ellen? — perguntou Lucas, parecendo irritado com ela.
Ela piscou, olhando para a jaqueta dele recém-colocada.
Parecendo pensar em suas próximas palavras, como se houvesse algum subliminar ali.
— É que... ela esqueceu de assinar o nosso cupom de sorteio.
— Essa merda não serve para nada respondeu, com um bufo m*l-humorado.
— Mas eu preciso, toda compra feita com cartão ganha um número de cupom, então...
— Vamos embora ele falou, cortando-a enquanto falava.
— Tudo bem, eu preencho respondi, ignorando-o.
— A caneta está lá dentro informou a tal Ellen, apontando atrás dela.
Entrei com a garota, pegando um dos papéis do cupom.
Coloquei todos os dados como nome, endereço residencial, idade, e-mail e, por fim, meu celular.
A garota asiática olhou para mim, como se quisesse dizer algo e não pudesse.
— Espero que ganhe disse, com um sorriso cordial.
— Tanto faz — retrucou Lucas, ainda m*l-humorado.
Algo que ele nunca havia demonstrado, nunca tinha transparecido nesses últimos
três meses que saímos.
Ele abriu a porta, o sino fazendo aquele barulho irritante.
Passei pela porta, vendo-o andar na minha frente enquanto Ellen pegava o papel do
meu cupom e anotava o meu número em seu celular.
Será que eu estava em perigo?
Lucas abriu a porta do carro, e realmente pensei em ir embora dali.
Esperar na conveniência e pedir um Uber para ir embora daquela maldita cidade esquecida por Deus.
Como se lesse a minha mente, e compreendesse que estava a poucos segundos de deixá-lo ali nessa viagem maluca, seu rosto suavizou assim como sua voz, se tornando tão doce quanto me lembrava em nosso primeiro encontro.
— Desculpe por isso, querida — falou.
Ergui as sobrancelhas, confusa.
— Por que foi um babaca agora pouco?
— perguntei, não me aguentando.
Ele cerrou os lábios, passando a mão no cabelo.
— É que aquela garota foi uma pessoa que sai antes de você.
E bem... não acabou bem.
Olhei para o banco do passageiro e depois para a loja, isso não estava me convencendo.
— Ela era menor de idade, ele confessou por fim, fitando-me com visível preocupação.
— Em minha defesa eu não sabia, ela disse que era maior de idade e só descobri porque seu irmão apareceu em nosso encontro e contou!
Olhei para dentro da loja, e Ellen me fitava. Recuei um passo para trás, realmente
desconfiada dele.
Mas lá estava Richard, dando um passo à frente.
Mordi o lábio, surpresa e desconcertada com essa nova informação.
Ela tentou sair comigo depois disso, me procurou como uma maldita stalker
maluca ele continuou rapidamente, tocando meu braço de forma carinhosa.
— Eu quase apanhei do irmão dela, e só acabou quando fiz um boletim de ocorrência e pedi a medida protetiva.
Eu juro! Olhei novamente para ele por um longo minuto, e talvez fosse pelo desespero ou medo de tudo isso ser real.
Mas eu me deixei acreditar então entrei no carro, ciente de que conhecia Lucas há três meses enquanto aquela garota há apenas dez minutos. Iria lhe dar um voto de confiança, principalmente porque ele se mostrou um completo cavalheiro até agora a pouco.
— Tudo bem — concordo.
E enquanto o carro saia e voltava para a estrada, acelerou para trocar de marcha. Era como se no mundo soubesse, que estava indo em direção ao meu pesadelo.
Que estava caminhando em direção ao fim da minha vida livre, que aquela havia sido
o momento de escolha e havia decidido de forma errada.
O momento em que, tive a oportunidade de me virar e viver a vida que tinha, ao invés de me enfiar em uma espiral terrível e perigosa.
No fundo, enquanto o rádio tocava Highway to Hell – AC/DC era como se o destino
zombasse, como se risse de mim ao seu modo.
E eu, como a i****a lerda que era, só percebi quando já era tarde demais.