♡SERENA♡
Eu achei que a viagem melhoraria depois de toda aquela nossa situação com a parada,
mas o clima não melhorou depois disso.
Lucas parecia realmente agitado enquanto subia a trilha.
E era visível que não tinha nada a ver com o que aconteceu anteriormente, tentei falar com ele novamente.
Mas tudo que recebia era a mesma merda sobre como ele estava chateado em vê-la novamente.
Foi só quando estava prestes a anoitecer, que realmente conseguimos conversar.
Lucas parecia decidido a acampar aqui, em uma área remotamente aconchegante.
— Os ursos não virão aqui? — perguntei, vendo alguns sacos imundos de biscoito
jogado na terra.
— Não, é um lugar muito recomendado pelos outros campistas respondeu,
satisfeito.
— Nada de ursos, querida.
— Lobos, então? continuei.
— Também não, os lobos estão do lado leste da floresta.
Muito longe daqui — falou com convicção.
Ergui minha sobrancelha, jogando a mochila com os suprimentos e barraca no chão.
— Achei que nunca tivesse vindo acampar aqui.
Lucas travou, piscando algumas vezes antes de falar.
— E não vim, querida negou, acuado demais. — Eu li nas avaliações do Google.
Revirei os olhos.
Ótimo, estava confiando a minha segurança a algum arrombado anônimo do Google.
— Podíamos montar uma barraca só, querida sugeriu, com um sorriso malicioso.
— Ah, não… está tudo bem respondi, seca.
— Como trouxemos duas, acho melhor
cada uma dormir na sua.
O sorriso de Lucas morreu no mesmo instante, enquanto ele desfazia a capa da sua barraca.
Eu definitivamente tinha jogado água fria na sua noite de sexo, mas não me leve a m*l, a vontade que tinha dele acabou no minuto em que ele achado r**m dentro do carro por eu não ter comprado seu viagra e camisinha sério, desceu pelo ralo.
Demorou um bom tempo para conseguir montar a barraca, principalmente ao
descobrir que estava seguindo o lado errado do manual.
— Finalmente, querida zombou, de dentro da dele.
Respirei fundo, percebendo que o céu estava escuro quando terminei.
E que, nem havia conseguido curtir o pôr do sol.
Não quando tinha que me matar para montar a barraca, enquanto ainda tinha sol
para isso.
E o pior disso, ver o i****a que me trouxe aqui completamente relaxado.
Se sentindo um maldito macho alfa, só porque tinha mais experiência para montar
essa porcaria.
— Já vai dormir, querida? perguntou Lucas, me vendo tirar a blusa encharcada de suor e ficar apenas de top esportivo e short enquanto entrava na barraca.
Fechei o zíper, ignorando-o completamente.
— Então vai ser assim, sem uma única palavra? indagou.
Deitei no saco de dormir, virando para esquerda e fechando os olhos.
Não demorou até que Lucas se levantasse da sua própria barraca, abrindo o zíper da minha e enfiando a sua cara feia.
— Hey, Serena chamou, abri um olho, fitando ele com visível raiva, Fala.
— Desculpe, eu não quis ser um i****a completo respondeu, com a voz doce.
Mas já era tarde demais, eu pude perceber a cobra por baixo daquela pele perfeita.
Lucas era um personal de 30 anos, que havia me conquistado por sua beleza e personalidade amável.
Ele não era o tipo de cara que te minimizava, ou tentava passar uma receita mágica para que tivesse o corpo perfeito em três meses.
Ele era mais o tipo de cara que me fazia sentir realmente especial com o peso extra.
Que olhava minhas qualidades ao invés dos defeitos, que me incluía no seu dia a dia e
parecia respeitoso, até agora.
E enquanto olhava sua pele bronzeada artificialmente e o cabelo pintado de
castanho-escuro, eu podia perceber que o mais verdadeiro nele era os dentes postiços.
— Tudo bem, Lucas respondi, de forma neutra.
Ele avaliou minhas palavras, mordendo o lábio.
— Eu só... queria passar um tempo com você aqui.
— Se quisesse realmente, teria me ajudado a montar a barraca, rebati.
Seu olhar brilhou com raiva, mas logo desapareceu.
Ele estava se segurando, e agora me perguntava por quê.
— Desculpe querida, eu agi errado falou em tom falso.
— Tudo bem, respondi novamente de forma neutra.
Houve um longo momento de silêncio, e Lucas ainda permanecia ali.
Como a p***a de um cão de olho no osso, ele realmente achava que iria ceder?
— Só isso? — perguntei.
Ele travou o maxilar, realmente irritado com o meu enorme não para o sexo.
— Sim, respondeu, fechando o zíper com ódio.
Virei no saco de dormir, dizendo a mim mesma que iria dormir.
Que não iria permitir que ele estragasse a minha noite, não depois de tudo que passei para chegar até aqui.
— Hey, Serena...
— chamou mais uma vez.
— Que é? Tem certeza que não quer dormir aqui comigo, na minha barraca tem espaço, sabe, respirei fundo.
Ótimo, por que eu fui viajar com um maldito i****a mesmo?
Por que tinha de ir tão longe de casa? Em um fim de mundo que não poderia voltar, a
não ser que o desgraçado me levasse até algum lugar com telefone ou internet?
Porque sou uma i****a, que precisava se jogar de cabeça no primeiro i****a que
parecesse decente.
E não vou mentir, o cansaço de andar por quatro horas em uma trilha no meio do fim
do mundo me fez cochilar no minuto em que o grilo começou a cantar.
Acordei assustada, com meu celular vibrando embaixo do saco de dormir.
O puxei, vendo a tela clarear o tecido pesado.
Precisei piscar algumas vezes, adaptando minha vista à luz clara do celular antes de
entender o que acontecia.
Era uma mensagem, de um número desconhecido.
(11/05/2019 21:45:01) +55 12 9000954200: Oii, é a Ellen da loja. Peguei o seu número para saber se está bem.
(11/05/ 2019 21:45:02) Serena: Oi, Ellen, sim estou bem, obrigado por se preocupar.
(11/05/2019 21:45:03) +55 12 9000954200: Oh, fico mais tranquila sabendo disso.
Você deixou o babaca e voltou para casa?
Parei por um segundo, pensando se deveria ou não falar.
Afinal, Lucas parecia muito convincente sobre o quão maluca ela havia sido com relação a ele.
Ainda assim, algo parecia errado demais.
Então, salvei o seu número no meu celular. Precisava de mais informações, e agora
que a magia sobre ele havia acabado tão rápido quanto começou, eu pretendia saber
tudo, antes de cair fora.
(11/05/2019 21:45:05) Serena: Não, eu resolvi vir acampar com ele.
Por um segundo, imaginei que Ellen tivesse desistido e deixado quieto.
Mas então a sua mensagem de resposta fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem.
(11/05/2019 21:45:09) Ellen: Olha, eu não devia estar dizendo isso assim.
Mas... Marcos é perigoso.
Franzi a testa, será que estávamos falando da mesma pessoa? Por dúvida, perguntei.
(11/05/2019 21:45:16) Serena: Marco? Acho que se confundiu, estou falando do Lucas.
(11/05/2019 21:45:17) Ellen: Hum... não, o nome dele é Marco.
(11/05/2019 21:45:18) Ellen: Olha, não importa... ele é perigoso.
Todas as garotas que vieram para cá, bem, teve muitas garotas desaparecidas nessa trilha.
(11/05/2019 21:45:19) Ellen: Eu pensei que você tinha convencido ele a ir embora, mandei mensagem por desencargo.
Não imaginei que seria maluca de realmente ir acampar com ele, depois de tudo.
Gelo puro inundou minhas veias, tentei escutar fora da barraca, mas parecia
silencioso demais.
(11/05/2019 21:45:20) Serena: Você podia ter avisado.
(11/05/2019 21:45:21) Ellen: Eu tentei, mas ele não saia de perto e não tinha provas.
(11/05/2019 21:45:22) Ellen: Vou pedir para o guarda florestal ir aí, aonde você está?
Estava prestes a compartilhar a localização do GPS quando o meu sinal caiu, ótimo.
Eu amava como de todas as companhias telefônicas, eu havia comprado o chip da mais barata e agora pagava por isso.
Levantei da barraca, mas o sinal havia sumido.
Procurei novamente por alguma movimentação fora da barraca, mas não havia nada.
Então, abri o zíper lentamente e olhei para fora.
A barraca de Lucas ou Marco estava aberta e vazia.
Olhei para os lados e sai, indo em direção a ela.
E foi quando aconteceu, o seu celular começou a vibrar e iluminar a barraca.
Corri rapidamente até ele, tampando a luz para que não o visse.
E foi quando vi, a imagem que aparecia quando o celular vibrava e se iluminava.
Era uma foto de Lucas vestido com um suéter de Natal, junto de uma mulher morena grávida sentada no seu colo e a placa escrito “Natal 2018” no canto direito.
Senti o sangue ser drenado do meu rosto, ao perceber que o nome “Esposa” estava
gravado no contato.
Respirei fundo, percebendo pela primeira vez que nunca havia visto Lucas usando
um celular daqueles.
Atendi o telefone no quinto toque, ainda perplexa com tudo aquilo.
— Caio, querido? chamou a voz feminina.
— Amor? Continuei em silêncio.
— Amor? — chamou novamente.
Ótimo, então ele era: Lucas, Marco agora Caio.
— Não respondi, sem fôlego.
O outro lado da linha ficou em silêncio.
— Quem é você? perguntou desconfiada.
— Por que está com o telefone do meu
marido? Quem é você, sua p*****a?
Ok, aquilo havia sido a gota d’água.
— Aqui é a Serena Vasconcelos, e eu estou no meio do mato respondi, sentindo o calor subir pela minha garganta.
— E o seu marido deve estar enfiado o p*u em algum buraco no meio da moita porque aparentemente você é a terceira mulher que descubro em menos de quatro horas.
A linha ficou em silêncio novamente, e o que veio depois era ceticismo puro.
— Não, Caio jamais faria isso comigo! ela negou.
— Ele está em uma palestra sobre fisiculturismo, ele não e ele, sim.
—Não! Eu estou grávida, Caio jamais...
— Escuta aqui, moça eu estou no meio do mato com o seu marido e preciso usar o
telefone dele para ligar para polícia local vir me buscar.
Então, desculpe, mas estou desligando.
Estava prestes a clicar na tela do celular, quando ela respondeu.
— Não, espere... espere. Isso só pode ser trote.
— Ah, pelo amor de Deus.
— Olha, meu marido falou que chegaria de madrugada, ele me prometeu que voltaria
ainda hoje! Meu bebê está marcado para nascer de manhã, ele me mandou mensagem horas atrás me avisando o horário que chegaria em casa falou com convicção.
É isso, suas palavras tão decididas. Fizeram algo dentro de mim ficar em alerta
máximo.
Se Lucas, Marco ou Caio, enfim que nome tivesse, tinha prometido a sua mulher
que chegaria ainda de madrugada, mas ainda estava comigo aqui na floresta.
Isso significava que ele pretendia me abandonar aqui, sozinha?
As palavras de Ellen voltando à tona.
Os cartazes de desaparecidas, grudados na parede ao lado dos jornais do lado de fora
da lojinha, engoli em seco.
— Eu... preciso desligar... chamar a polícia. — sussurrei.
E foi quando o vi, Lucas entrando no meu campo de visão.
Subindo para o acampamento com dois homens atrás dele, o desgraçado paralisou
no lugar.
Olhando de mim para o seu celular, percebendo que estava no telefone com
alguém.
— Merda! — falei.
— O que foi? perguntou do outro lado da linha.
— Por favor, chame a polícia ele está aqui, com dois homens, avisei. — MERDA!
Então, fiz a única coisa que podia.
Me virei, e corri para dentro da floresta escura.