CAPÍTULO 03

1514 Palavras
♡SERENA ♡ Eu podia escutá-lo me chamando, o seu desespero enquanto me via desaparecer no meio da floresta. — SERENA! gritou Lucas, desesperado. Não havia colocado o tênis quando sai da barraca, e meus pés já doíam à medida que avançava dentro daquela floresta escura. Gostaria de dizer que estava andando sobre a grama, mas não tive essa sorte. Meus pés doíam à medida que avançava mais e mais, que os galhos afiados e troncos massacravam minha sola. Nem mesmo quando senti a ferida no braço ousei parar, não enquanto sentia eles atrás de mim. — VOLTE AQUI, SUA VAGABUNDA! gritou Lucas novamente, mais perto dessa vez. Droga, eu tinha que ser mais rápida. Foda-se a escuridão. Eu tinha de avançar sem pensar, teria de confiar no meu sexto sentido ou o quer que fosse. Se continuasse pensando demais, eles me pegariam e assim fiz, até que cai. Rolando de um barranco quando tropecei em um tronco alto e pouco iluminado, sentindo o corte no meu lábio e mão. Tentei me levantar novamente, sentindo a dor quente no tornozelo. Tive de me apoiar na árvore ao lado, percebendo que havia torcido o meu pé. — Serena! chamou uma voz masculina, que fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem. — SERENA! APAREÇA AGORA, v***a, exclamou um Lucas, furioso. Comecei a pular com a outra perna, não permitindo que tivesse qualquer chance de me encontrar. Os poucos passos que dei foram o suficiente para me fazer cair novamente quando o relevo de raízes me desequilibrou e me derrubou. O impacto da queda foi todo sobre o meu ombro, mas mordi o lábio para não gritar e avisar os atacantes. Mesmo sentindo o gosto de sangue no lábio e a dor latejante. Foi quando vi, um pequeno buraco no barranco. Era como a entrada de um animal abaixo das raízes, visível apenas se olhasse de baixo para cima. E provavelmente, bem visível em um dia claro. Algo gelado fez todos os pelos do meu corpo se arrepiar, olhando para a escuridão dentro daquela toca. Mas que escolha eu tinha? Era ficar aqui, sem conseguir me mover ou ser pega por Lucas e seus capangas, ou ser atacada pelo que estivesse ali dentro. Dos males, eu escolhi o segundo então, me arrastei até a toca. Retirando algumas trepadeiras da frente e entrando no buraco cilíndrico revestido de concreto. Recolocando aquelas trepadeiras novamente na frente, torcendo para que a escuridão do lugar me fizesse invisível dentro daquele buraco. Meu coração batia descompassado, e foi preciso tudo dentro de mim para me tranquilizar. Eu os ouvia se aproximando a passos largos, pesados e furiosos. Eles estavam perto demais, me veriam aqui em baixo caso pulassem. — Será que ela foi ao outro lado? perguntou uma voz masculina madura, cansada e com falta de ar pela corrida. Dois pares de luzes iluminaram o mato à frente de onde estava, o que indicava que estavam chegando perto da ponta onde me encontrava. — Se aquela i****a foi o lado do guarda florestal, Jeremy a encontrará antes que alcance ajuda, respondeu Lucas. — Mas duvido que tenha ido tão longe. Engoli em seco, colocando as mãos sobre a boca. Mantendo a minha respiração o mais lenta possível, orando pra Deus que me mantenha viva e invisível deles. Eu só precisava que se mantivessem correndo, de preferência para muito longe de mim. — Vamos voltar, ela deve ter fugido pelo lado contrário disse o homem, menos cansado agora. A luz da lanterna começou a desaparecer com a distância, enquanto seus passos se tornavam menos barulhentos, à medida que estavam se afastando. Lucas não parecia tão convencido disso, e permaneceu por mais alguns segundos parado no lugar. até gritou de frustração e se virou, pisando duro acima de mim. E foi quando o destino resolveu finalmente me ajudar, talvez por pena de alguma divindade. O celular que antes detinha nas mãos e se perdeu durante a minha queda, começou a tocar e iluminar à distante na floresta. — Lá! Ela está lá falou o homem, chamando o Lucas para segui-lo onde o barulho estava. E dentro daquela toca apertada que só percebia agora era na verdade uma saída de esgoto antiga em formato cilíndrico e cheirando a animal decomposto. Engoli em seco, tampando o nariz e lembrando que isso era melhor do que o que aqueles homens haviam planejado para mim. Relaxei, sentindo o medo borbulhar no fundo enquanto a minha respiração se tornava lenta para não sentir tamanho fedor. E foi nesse minuto de tranquilidade, enquanto tinha o luxo de pensar no cheiro, que algo aconteceu. Um uivo gutural e animalesco tomou a noite, fazendo todos os pelos do meu corpo se arrepiarem até que o som acabasse. E então veio o barulho dos tiros, o grito de um homem distante na floresta pedindo socorro. E logo atrás dele, o uivo intenso de outros lobos seguidos de novos tiros na floresta. Arregalei os olhos, percebendo que dessa vez os tiros pareciam perto demais para ser uma coincidência. Aqueles homens estavam correndo nessa direção, trazendo os animais direto para cá.— Merda... merda... merda — falei, percebendo que tinha de fazer algo. Me joguei para fora da vala, sentindo a dor quando alcancei o chão. Eu precisava correr, precisava colocar o máximo de distância de tudo isso. Eu não tinha fugido daqueles homens para ser alimento de um bando de lobos, não mesmo. Forcei meu tornozelo a funcionar, por cima da dor, por cima de tudo. Eu precisava disso, correr como desse e para onde pudesse ou aqueles lobos me alcançariam. E aqueles gritos de dor, sofrimento e os tiros. Foi como a carga de adrenalina necessária para me fazer correr, se apoiando em qualquer tronco ou galho que visse à frente. Os gritos finalmente pararam, e eu havia alcançando uma parte plana e iluminada da floresta. Uma fogueira recém-apagada soltava fumaça no centro, o que indicava que haviam pessoas ali há pouco tempo. — Graças a Deus! falei, acelerando meu passo sem olhar para trás se esse era um ponto turístico recém-usado, indicava que as pessoas que fizeram isso deveriam estar por perto ou pelo menos ter um carro disponível era tudo que precisava. Tinha acabado de passar pela fogueira crepitando, quando o barulho de diversos galhos se partindo chamou a minha atenção. Paralisei no mesmo lugar, sentindo o suor frio descer pela testa. O medo visceral me fazendo tremer no lugar. Olhei de canto de olho, evitando o máximo de movimento possível. E lá estava, aqueles olhos brilhantes e demoníacos me fitando no completo escuro fornecido pelas árvores. Desviei para o outro lado, percebendo que não havia para onde correr além da estrada de terra. Não precisava virar o rosto, para sentir os olhos astutos dos lobos atrás de mim, eu estava cercada. E se corresse, ou pelo menos tentasse fazer isso em direção à estrada, seria apenas para tê-los me perseguindo, como desejavam. Continuei paralisada no lugar, sentindo o suor descer pela coluna. Avaliando minhas alternativas, e foi quando aconteceu. Um enorme lobo n***o como a noite de dois metros veio direto da minha única saída, avançando lentamente. Seus intensos olhos negros, vidrados em mim recuei alguns passos, vendo-o se aproximar na mesma intensidade. Bati meu tornozelo em um dos bancos, caindo para trás sem equilíbrio. Comecei a me arrastar nos cotovelos quando alcancei o chão, enquanto via o enorme lobo se aproximar com astúcia e fome brilhando em seus olhos. Engoli em seco, vendo o enorme lobo passar a língua sob as presas. Percebendo com a proximidade que o brilho vermelho em seus lábios molhados era sangue. Ele rosnou, o que me fez paralisar no lugar. Não havia para onde correr, eu só podia me manter parada e implorar que ele tivesse se saciado com aqueles três bastardos. Ele parou suas patas enorme com garras afiadas ao lado do meu quadril, deitei no chão sentindo a grama fria sob as costas, enquanto tremia com a proximidade. Seu focinho estava perto demais do meu rosto, ele respirou profundamente no meu pescoço, e podia jurar que escutei um ronronado satisfeito. Céus, ele estava me cheirando como a sua maldita refeição. Fechei os olhos, abrindo-os apenas quando os segundos se passaram e ele apenas se afastou. Isso realmente me surpreendeu, então o fitei com visível surpresa. Tentei me levantar, surpresa por não ter sido mordida. E fui surpreendida pelo lobo, empurrando-me rapidamente contra o chão novamente com um rosnado. E dessa vez, não houve um braço ou apoio para me segurar. Minha cabeça bateu contra o chão, e o zumbido que veio depois disso fez minha visão escurecer. Tentei me apoiar no cotovelo esquerdo, mas o lobo empurrou meu peito no chão novamente com um rosnado furioso um aviso, fique parada. Mas era tarde demais, a consciência parecia fina eu estava apagando. E tudo que conseguia ver naquela neblina escurecendo eram os olhos brilhantes do lobo se aproximando lentamente. O sangue pingando das suas presas, deixando claro que eu era a presa. Que ele estava indo em direção ao seu banquete.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR