Pré-visualização gratuita Prólogo.
Tiago.
Hoje é dia de buscar meu certificado de reservista no quartel. No Brasil é obrigatório o alistamento para cidadãos do sexo masculino, assim que completam dezoito anos dentro do ano vigente. Como queria, fui dispensado, geralmente eles fazem isso com moradores de comunidade, o meu caso, principalmente as que têm tráfico. Moro na favela do Chavoso. Maior do Rio de Janeiro. Gabriel meu melhor amigo e vizinho para conseguir servir pediu a uma parenta que mora na pista, dentro do bairro, mas fora da favela colocar uma conta no seu nome. Com isso ele conseguiu se tornar soldado Farias como queria. Eu sempre fui bom aluno e muito esforçado, passei para UERJ, cursarei contabilidade e não queria atrasar meus planos, tendo que servir ao exército.
Assim que começou o ano fomos os dois a região administrativa do nosso bairro, entregamos os documentos e nos encaminharam para o quartel de recrutamento mais próximo. Lá fizemos provas de matemática, português, psicotécnico e testes físicos. Ele acabou ficando e ganhei o comprovante com a data para regressar e pegar o certificado de reservista.
No dia e hora marcada confiro mais uma vez se não esqueço nada. Sigo para o quartel vestindo calça jeans e blusa branca. Paro na fila, onde fui informado que todos os outros estavam ali para fazer o juramento à bandeira e depois pegar a dispensa.
Após o juramento em outra fila que segue para uma sala, quando chegou a minha vez aproximo-me do sargento tenso. Ele está sentado atrás de uma mesa de madeira e como orientado na fila, informo meu nome sem esperar seu pedido.
― Repete seu nome, guerreiro.
― Tiago Firino. ― Informo usando um tom mais grave.
― Capitão! Não encontro o nome desse conscrito aqui. ― Deus do céu! Como ele não está achando. Só faltava essa. Minhas mãos estão geladas e soando. Capitão se aproxima o nome escrito em sua farda "CAP Licurgo".
― Tem certeza sargento? Deixa-me olhar esses papeis. ― O capitão começa a folhear os papeis que estavam na mesa onde o sargento está sentado. Olha para mim e pergunta.
― Tem certeza que você sobrou? – me encara.
― Sim senhor. Trago comigo este comprovante... aqui consta dia e hora para vir buscar o certificado. ― Tento justificar. Outro cara fardado se aproxima no bolso tem escrito CB Ciolo.
― Capitão, não será esse aquele cara da ficha que o Coronel separou? ― Por que teria este Coronel separado justo o meu?
― Verdade! Só pode ser ele. ― O que podem querer comigo? Começo a transpirar. ― Me acompanha garoto. Coronel quer umas palavrinhas com você. ― Só faltava essa!
Seguimos o corredor que dava saída para um pátio todo gramado. Cada soldado que passávamos, eles batiam continência "saudação militar que manifesta respeito ao capitão".
Entramos em uma sala e o Capitão pede ao recepcionista para ser avisado de sua presença. Ficamos em pé aguardando e quando fomos autorizados entrar na sala, um senhor nos aguardava sentado em uma cadeira de couro marrom e enorme mesa.
― Ora, ora... Tiago Santos Firino, morador do morro do Chavoso, filiação: mãe Alzira Santos Firino e pai ausente. Procede? ― levanta a cabeça e me encara.
― Responde moleque. – Capitão ao meu lado é incisivo.
― Sim senhor. ― Respondo com postura ereta e as mãos ao longo do corpo.
― Senhor Tiago, gostaria de servir? ― Coronel debocha, ainda segurando uma folha, parecendo uma ficha, que provavelmente deve conter meus dados.
― Não senhor. ― Olha-me e levanta as sobrancelhas.
― Não? Posso saber por quê? ― Levanta da sua cadeira e encosta-se a sua mesa de frente para mim, encarando-me.
― Passei para UERJ, senhor. E meus planos são outros. ― Ele solta uma gargalhada me assustando e volta a se sentar na cadeira ainda rindo parecendo que acabei de contar uma piada.
― Quer dizer que o senhor vai cursar faculdade pública e por isso não pretende servir a sua pátria? ― Cruzas as mãos em cima da mesa e coloca seu queixo apoiado sobre elas. ― Responde garoto. ― Grita bem ríspido.
― Sim Senhor. ― Muito nervoso e sem ter a mínima noção de o porquê todo esse interrogatório, começo a transpirar muito.
― Eu vou lhe fazer uma pergunta e quero a verdade. ― Foca os olhos nos meus. – Você conhece o chefe do tráfico da sua comunidade, chamado Orlando Brasília?
Começo a tremer e não sei o que falar, pois Orlando Brasília é meu padrasto e mais conhecido como o dono da p***a toda.
Fico em silêncio por alguns longos segundos e apenas consigo balançar a cabeça.
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(Meninas nós somos ansiosas e precisamos saber o que estão achando. Por isso comentem bastante).