Capítulo três.

2261 Palavras
Tiago. Dias depois… Hoje precisei comparecer na faculdade para resolver algumas pendências, antes do início das aulas. Os calouros vêm com a grade montada, após o segundo semestre, poderemos montar o nosso próprio horário. Graças a Deus, todas as minhas aulas ficaram no turno da manhã. Quando estou descendo a rampa vejo uma carteira caindo do bolso de um homem, como neste horário tem muita gente subindo e descendo, apresso-me em pegar a carteira e disparo a sua direção gritando feito maluco e nesse momento todos estão olhando para mim. ― Parceiro, irmão! ― grito cada vez mais alto. ― p**a que pariu! Será que o cara é deficiente auditivo? Corro mais um pouco tentando me desviar da galera subindo e consigo chegar até o cara. Ele se assusta com o meu toque em seu ombro. ― Sua carteira. ― estico a mão. ― Caiu do seu bolso. ― Explico esbaforido e o cara me olha, provavelmente, tentando assimilar a minha atitude. ― c*****o irmão! Nem sei como te agradecer. Salvou minha vida. Perder documento nessa altura do campeonato ia dá maior trabalhão. ― Imagino! ― Brigadão mermo! ― Estende a mão pra mim. ― Antino. ―Tiago. Continuamos descendo a rampa e conversando. Somos da mesma altura, aproximadamente um metro e noventa. Ele tem cabelo raspado num tom de loiro escuro, usa óculos de grau com armação fina prateada e olhos verdes escuros. Dialogando descobri que faz administração, está no sexto período e falta apenas um ano para se formar. Trabalha em um comércio familiar e mora próximo a faculdade. Acabo comentando que estou procurando emprego e pergunto se estão aceitando currículo, pois algo perto da faculdade seria muito bom. Ele prometeu me ajudar falando com seu tio sobre o emprego. Peguei seu e-mail, trocamos telefone e quando chegamos ao ponto de ônibus, Antino, meu novo colega de faculdade, seguiu para sua casa a pé e eu fiquei a espera do meu transporte. **** Duas semanas depois... Hoje Antino marcou uma entrevista no mercadinho, onde ele trabalha com o tio. Saímos da faculdade e fomos andando. Fica bem próximo, como ele havia falado. Duas quadras, praticamente. O mercadinho ao qual ele se referiu parece grande, fica de esquina e pega quase todo o quarteirão. A fachada toda azul-royal e as letras amarelo ovo, com os dizeres (Mercadinho Estrela). Entramos, ele me apresenta a duas moças, Simone e a Rosana caixas do turno da manhã. Seguindo em um corredor sou apresentando aos demais funcionários. Adentramos em uma porta onde parecia ser um vestiário, logo chegamos a um escritório. Lá conheci Marcela que estava indo resolver com Antino a troca de turno do caixa, onde cobre o período da tarde. Na sala seu Walter, tio de Antino, um dos donos do mercado se encontra sentado atrás da maior mesa da sala, que fica de frente para porta. Tem mais duas mesas uma em cada lado da sala. ― Como vai? ― O senhor me cumprimenta estendendo a mão e apontando uma cadeira de frente para sua mesa. ― Bem, obrigado. ― Sento-me, estou bastante ansioso para a minha primeira conversa prestes a conseguir uma vaga. ― Meu sobrinho falou muito bem de você, apesar de acreditar que ele nunca falaria m*l de ninguém ― Seu Walter gargalha da sua própria piada. Fico sem saber se o acompanho, opto por observar. ― Como ele costuma ser muito calado, fiquei impressionado por ter lhe indicado. ― Antino está sendo um bom amigo. Eu estava um pouco perdido, nesse começo de semestre. ― Você é calouro de contabilidade e está precisando de um emprego perto da faculdade. Certo? ― Sim! Exatamente isso. ― Confirmo. ―Deve gostar bastante de números? ― Senhor Walter comenta espirituoso. Ele é alto, assim como Antino, tem cabelo e cavanhaque grisalhos, olhos verdes um pouco mais claros do que o do sobrinho e possui um corpo aparentemente em excelente forma física. Confesso que esperava um empresário barrigudo e autoritário, mas pelo visto me enganei. ― Se não fosse contabilidade, optaria por matemática. ― Comento. ― Surpreendente, meu rapaz, tem gosto pra tudo nessa vida. ― Assim que acaba de falar a porta se abre, por ela passa uma moça branca, com cabelos lisos, negros brilhosos, na altura do ombro, gritando. Lembra-me a branca de neve. ― Pai! Pai! Pai! ― Ao perceber minha presença, fica sem graça. ― Desculpa, não sabia que você estava ocupado. ― Lívia esse é o Tiago, colega do Antino. Lembra que ele comentou com a gente?― Ela me olha, estica as mãos para mim e posso então observar seu belíssimo rosto, olhos negros e nariz fino empinado, emoldurando sua feição. ― Claro que lembro! ― Fico de pé e estico minha mão áspera das lutas e academia, que sempre gostei de praticar e sinto sua pele macia sobre a minha áspera. E nesse momento, saio um pouco de orbita, pois seu sorriso tímido, mostra sua linda covinha na bochecha direita. Só percebo que ainda estou segurando sua mão e olhando suas íris, hipnotizado quando a voz do seu pai me desperta. ― Vai fazer uma experiência com a gente por noventa dias. ― Senhor Walter explica e se levanta indo próximo a filha. Retribuo com meu melhor sorriso expressando o meu contentamento, por ter conseguido a vaga. ― Agora fale Lívia. O que houve para entrar aqui gritando? ― volto a me sentar e fico observando pai e filha dialogar. ― Consegui a vaga no cursinho que queria. ― Conta a novidade ao pai, eufórica. Inclina-se sobre ele e o abraça. Pela sua animação e o abraço afetuoso que dá no pai, sem se importar em demostrar seu afeto na minha frente, mostra o quanto está feliz. ― Viu novato! Falando em ter gosto para tudo. Minha filha quer cursar medicina, Tiago. Agora você vê! ― Para de palhaçada pai, o senhor vai se orgulhar da sua filha médica. Tenho certeza. ― o interrompe, pegando sua face com as duas mãos beijando as duas bochechas. Aproveito para reparar em seu corpo incrível, com uma bela b***a dentro da calça jeans justa e cintura fina. Lívia é uma mulher muito bonita e parece ser muito moleca. ― Então pai… vou subir e fazer um almoço pra gente. Em uma hora estará pronto. ― Se despediu e saiu deixando seu cheiro maravilhoso na sala. Seu Walter e eu conversando por mais alguns minutos. Depois Marcela me deu um papel contendo o endereço, telefone do escritório de contabilidade, onde precisava levar meus documentos e pegar à guia para fazer o teste admissional. Meu medo era não ser aceito no trabalho, devido morar em comunidade. Como não me conhece podiam ter preconceito. Pensando nisso acabei fazendo a mesma coisa que o meu amigo Gabriel na época do quartel, minha mãe arrumou com uma amiga um comprovante de residência fora da favela. Foi um custo convencê-la a me ajudar, mas depois de explicar: quanto mais perto da faculdade, menos risco correria transitando por aí. Então dona Alzira sem muita escolha preferiu colaborar. Ela acha que tenho que permanecer de baixo de suas asas, nada de trabalhar fora do morro, tem mania de perseguição. Não posso ter rede social, nem sair da comunidade sem a autorização do meu padrasto. Quando eu era pequeno isso não influenciava em nada na minha vida, porque a favela era meu mundo. Não saia do campinho de futebol, galpão de luta, academia e gosto de vídeo game. Sempre fui competitivo e jogar com meus amigos, é como uma forma de relaxar. Nunca senti falta de nada, pois tudo me fazia feliz, mas agora as minhas prioridades e sonhos são outros. Depois de muito diálogo ela aceitou que vou trabalhar e estudar fora da favela. **** Um mês depois. Adaptei-me na faculdade e no trabalho. Conheci pessoas legais e estou com milhões de planos. Quem provavelmente não vai gostar nada deles, é Orlando e minha mãe, mas pretendo alugar um quartinho em uma das republicas perto da faculdade e do trabalho, descobri que existem muitos pelo bairro. Estou agachado arrumando alguns produtos na prateleira, quando o Daniel chega. ― Fala ai, Tiagão! Hoje tem um evento top pra você gastar seu salário. Segura essa filipeta. ― me entrega um flayer colorido, escrito êxtase. Daniel é filho do seu Walter, irmão de Lívia, primo do Antino. Ele é muito parecido com o pai. Alto, esguio, moreno, cabelos castanhos, lisos na altura do ombro. Trabalha aqui no mercado também. Tem um estilo play boy, louco por sua moto grande, só veste roupas de marca, faz faculdade de direito na PUC-RJ e enrola mais que trabalha, mas é gente fina. ― Não sei cara! Não tô acostumado com boates. ― Bora! É meu aniversário, pelo menos um balde é por minha conta. Antino e Marcela também vão. ―Teu aniversario é hoje? ― Sim. ― Parabéns! – O cumprimento com um abraço e aperto de mão. ― Vou falar com eles, obrigado pelo convite. ― Agradeço. Algumas horas depois, estou tomando café no estoque, entram Marcela e Lívia conversando. ―Vamos amiga, você precisa sair um pouco de casa. Vive para os estudos. Um dia só não vai fazer diferença. ― Lívia quem nota minha presença, primeiro. ― Oi Tiago! Como vai? ― Bem e você? ― Está de r**o de cavalo com um vestido azul-marinho, larguinho e curto de tecido, mostrando suas belas pernas torneadas. ― Bem também. ― Tu vai na Êxtase, Tiago?― Marcela me pergunta empolgada. ― Não sei! Moro longe e até voltar vai ser complicado. ― Isso é o de menos. Pode muito bem pegar uma roupa com Daniel ou do Antino. Vocês têm praticamente a mesma altura. Só seus braços que são... ― Lívia fica ruborizada, parecendo pensar no que falar. ― Mais Forte. Você malha, Tiago? ― Marcela socorre a amiga me pergunta dando dois soquinhos no meu braço. ― Malho e luto. ―Ô céus! Tua mãe fez mais igual a você? ― Não, só tenho uma irmã de 10 anos. Por quê? ― a melhor saída e se fazer de sonso numa hora como essa. ― Gloria a Deus! Já ia afirmar que sua mãe não tem um útero, e sim uma fábrica de perfeição. ― Marcela brinca, seu jeito debochado e espalhafatoso é diversão na certa. ― Tá difícil trabalhar nesse mercado, seu Walter só pode está de brincadeira com meus hormônios. Vou ali falar com o Antino, antes que fale demais. ― Sai deixando-me com a Lívia no estoque. Nesses poucos dias de trabalho, consegui perceber que Antino é mais tímido, responsável, fechado. Marcela é bem maluquinha, fala sem pensar e arrasta um caminhão pelo Daniel. Que por sua vez finge não perceber. Desde o dia da minha entrevista, não tinha visto mais a Lívia. Hoje é a segunda vez que a vejo por aqui, mesmo sabendo mora no apartamento em cima do mercado. ― Não liga para o que essa doida fala. ― se pronuncia um tanto acanhada. ― Gosto dela! – Afirmo. – Ela é divertida e faz o dia passar num piscar de olhos. ― Explico buscando suavizar a tensão. ― Isso é verdade, na escola era assim também. Sempre foi extrovertida e sem filtro, fazendo meus dias melhores. Não é à toa que somos melhores amigas. ― Rimos juntos. ― Se anima e vamos conosco? ― Pelo que pude ouvir minutos atrás, sua melhor amiga estava tentando lhe convencer a sair e você não estava animada em ir. ― Ela joga a cabeça para trás e gargalha. ― Culpada! É que sempre faço um joguinho duro, porque boate não faz muito meu estilo musical, mas é aniversario do meu irmão e jamais faltaria. Era apenas uma ceninha pra irritar a Marcela. ― Curioso pergunto. ― Qual seu estilo musical? ― Imagino Lívia rebolando no baile funk com sua b***a avantajada e eu segurando sua cintura, esfregando meu p*u nela. ― Sou eclética. Gosto de Tudo um pouco, mas prefiro pagode. ― Escutamos Marcela e Antino entrarem no estoque. ―Lívia adora esses pagodes bem mela cueca, super-romântico. ― Marcela provoca com uma careta engraçada o gosto musical da amiga. ― Essa doida foi me chamar lá na frente, falando que você vai com a gente. Como não pensei nisso antes? Preciso de ajuda com essas duas malucas na night. ― Antino finge um alivio. ― Que isso gatão! Tenho certeza que você aguentaria nós duas, mas dividir com o Tiago, mostra o quanto você é um amigo generoso. – Marcela fala passando as duas mãos no peito e braços sensualizando num tom de brincadeira, mas Antino fica vermelho, segura suas mãos levantando a sobrancelha reprovando-a pelo comentário. ― Para com isso Marcela! ― Lívia chama sua atenção. – Quem ouve e vê esse teatro até acredita. m*l sabe as pessoas que você é só pressão. Igual coca–cola. A interação entre eles é oito ou oitenta. Uma hora está todos rindo, outra criticando as brincadeiras. ― Não precisa me explanar, tá? Só porque possuo lacre de fábrica, não posso testar meu s*x-appeal com meu amigo? – A maluca tenta se defender da advertência da amiga. Eles são um bando de doidos, mas a minha alegria em poder compartilhar momentos como esse, é incomparável, principalmente com Lívia presente. Essa garota mexe comigo desde a primeira vez que a vi. **** (Ansiosas para o próximo capítulo? Finalmente Tiago e Lívia vão sair juntos. Será que vai rolar alguma coisa? Deixem nos comentários as opiniões de vocês, sobre o que vai acontecer na boate Êxtase).
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