Joalin
-Você tem certeza que eles gostaram de mim?- me joguei na cama de Bailey, assim que chegamos no quarto.
-Absoluta- ele sentou ao meu lado e tirou os tênis- E então, são 11 e meia da noite, ainda temos tempo para seus planos super secretos?- piscou em minha direção, me fazendo um estranho frio na barriga.
-Uhm, estamos na hora perfeita. Resta saber se você vai concordar.
-Estou com um pouco de medo- ele me encarou, esperando que eu falasse.
-Tenho pensado sobre isso faz algum tempo, queria gravar um vídeo passando uma madrugada inteira fora de casa.
-A madrugada inteira?- ele perguntou, com as sobrancelhas levantadas.
-Sim, até o sol nascer. Fazendo qualquer coisa que parecer interessante e só andando por aí.
-Você quer fazer isso hoje?- Ok, talvez ele não tivesse achado uma boa ideia.
-Sim- dei de ombros com um sorrisinho sem graça, não custava tentar mesmo assim.
-Vamos- pulou da cama no impulso. Ele era doido?
-Fácil assim?- estranhei. Bailey sempre pensava muito bem antes de cada passo, talvez por viajar sempre com seu pai e não ter adquirido tanta liberdade quanto o resto de nós.
Eu sentia que ele estava chegando lá, ao poucos estava trilhando seu próprio caminho. Sabia como a mudança seria boa para ele e é claro que não estava criticando a postura de Matt, de maneira alguma.
As viagens dele com o grupo trouxeram sensação de segurança não só para Bailey mas para todo mundo que é mais próprio do mesmo, mas como tudo é feito de pontos positivos e negativos, em alguns lados sua formação com o grupo foi diferente justamente por não ter tanta autonomia.
Ainda assim, eu achava que tudo estava acontecendo da maneira certa. As vezes a sociedade esquece que ele é um dos mais novos do grupo e que ainda é um adolescente, está se encaixando e encontrando seu lugar, o apoio do pai o manteve na linha enquanto se descobria um mundo completamente diferente, a fama.
Minha mãe sempre me disse que um pai conhece o filho suficientemente bem para saber de que tipo de apoio ele precisava, pelo menos nas relações familiares saudáveis. Acredito que isso tenha guiado a família May dessa forma, não saberíamos o decorrer do enredo se tudo fosse diferente, mas as apostas poderiam dizer que ele não seria tão bem sucedido.
-Sim, vamos- confirmou que estava preparado para embarcar naquela pequena loucura da madrugada.
-Espera, vamos pensar no que fazer primeiro- é, eu não esperava que ele aceitasse então não tinha pensado em como seguir com o plano dali em diante.
-Café, precisamos de café- ele parecia pronto para criar uma lista, numerando os itens nos dedos.
-Sim, café gelado. Podemos procurar lugares que parecem interessantes, comprar alguma coisa para comer e...
-Tem um lago, não é tão longe. Podemos ir até lá assistir o nascer do sol, dizem que é lindo.
-Isso, isso é ótimo. Parece perfeito- afirmei com um sorriso- Acho melhor colocar uma roupa mais confortável já que não sabemos exatamente quais serão os planos- falei e me levantei, caminhando até o closet.
-Pode pegar um moletom para mim, por favor?
-Sim, algum específico?
-Pode ser um preto que está logo no topo da pilha de roupas
-Achei- localizei o escolhido com o olhar- Posso usar seu moletom vermelho?- perguntei, eu já tinha usado sem pedir autorização mas foi dentro de casa então talvez dessa vez eu realmente precisasse falar com ele antes.
-Claro- ouvi sua resposta afirmativa e tratei de tirar o macacão do meu corpo, vestindo calça jeans e uma blusa de malha. Coloquei o casaco e peguei o de Bailey, procurei minha câmera e minha bolsa, voltando para o quarto.
-Pronto?- joguei o casaco para ele, que tirou a jaqueta e a substituiu pelo outro que parecia bem mais confortável.
-Sim. Escrevi um bilhete para meus pais, eles podem acordar e sentir nossa falta. Quer começar o vídeo na cozinha? Vamos precisar de café.
-Parece ótimo- pegamos nossas coisas e tentamos descer da forma mais silenciosa possível. Bailey segurou a câmera para mim, enquanto eu gravava a introdução, mostrei rapidamente o preparo do nosso café e expliquei o que iríamos fazer, tudo isso praticamente em ASMR porque estava com medo de acordar alguém.
-Está bom?- perguntei para Bailey, dando zoom em sua expressão. Ele assentiu positivamente dando uma golada longa.
-Vamos?- ele perguntou sussurrando, pegando as chaves do carro. Concordei e saímos de casa, entramos no veículo e tentamos sair de maneira mais silenciosa possível.
-Então, nós temos alguns planos mas ainda vamos decidindo o que realmente fazer ao longo do caminho. São quase meia noite agora e choveu agora a noite e a temperatura caiu.
-Está fazendo mais ou menos 10 graus- Bailey confirmou.
-Tem uma praça por aqui que fica iluminada a noite, daria umas boas fotos, o que acha?
-Perfeito, depois podemos comer alguma coisa- dei de ombros. Guardei a câmera e estiquei minhas pernas no painel, fechando os olhos por um segundo e me perguntando se aguentaria ficar acordada por mais meia dúzia de horas.
Me mantive assim por alguns minutos, até sentir a velocidade do carro ir diminuindo e perceber que estávamos chegando em nossa primeira localização. Bocejei, me forçando para abrir os olhos.
-Acho melhor a gente esperar um pouco para ver se vão embora- ele apontou para um único casal que estava no lugar.
-Acho que sim- concordei, voltando a gravar- Nós chegamos e estamos esperando tudo esvaziar, porque ainda não é tão tarde, para a gente sair e tirar as fotos. Quais são os planos para mais tarde, Bay?- soltei meu cinto e inclinei meu corpo em sua direção.
-Vamos comer e aí acho que já podemos ir dirigindo até o lago- disse- Estamos no verão então não vai demorar tanto para amanhecer.
-É, se quisermos assistir ao nascer do sol é melhor adicionar uma margem de erro ao tempo- o encarei, concordando.
-Pensou no que vamos comer?- ele olhou para a lente, antes de virar para mim.
-Prefere pizza ou hambúrguer? Energético também seria ótimo.
-Acho mais fácil encontrar uma pizzaria aberta. Vou procurar algum lugar 24 horas, na internet.
-Ok- sorri vendo-o abaixar o olhar para o celular. Mordi meus lábios olhando para ele e esperei alguns segundos, me perguntando se eu deveria ou não o questionar e aumentar um ítem em nossa pequena lista da madrugada.
-O que você quer perguntar?- Olhou em minha direção.
-Como sabe que quero perguntar alguma coisa?- mantive meu braço esticado, para que a câmera nos enquadrasse.
-Pela sua expressão- pareceu óbvio- Te conheço a anos, sei ler o que você quer só pela forma que você mexe as sobrancelhas e pisca os olhos- disse divertido, estalando a língua no céu da boca em seguida.
-Nossa- eu ri- Não sabia que minhas expressões entregavam tanto assim.
-Pode não entregar para quem não te conhece- deu de ombros- Está me enrolando porque decidiu não falar mais?- voltou para o assunto inicial.
-Eu queria saber se as pessoas tomam banho nesse lago que nós vamos.
-Sim- ficou em silêncio por alguns segundos- Oh, não! Você está pensando em entrar? E me levar junto?
-É só a gente se aquecer antes de entrar- respondi indiretamente.
-Não temos saunas como na Finlândia, Jojo. Daquela vez você precisou quase que me jogar no mar.
-Ligamos o aquecedor do carro.
-Você vai sozinha?- tentou me convencer com um sorriso no rosto.
-Não- ri baixo e toquei a ponta de seu nariz, vendo-o revirar os olhos.
-Se voltarmos para casa para pegar roupas, vamos acabar acordando alguém.
-E se trocarmos a pizza por algo que venda pronto no mercado e ver se encontramos alguma peça de banho por lá?
-Lá no lago tem umas casinhas de banho, que podem ser usadas na saída, para tomar banho- ele pareceu pensativo.
-Você está quase concordando com isso. Vamos, por favor.
-Precisamos de toalhas, sabonete e shampoo.
-Encontramos tudo isso no mercado- dei de ombros- Compramos qualquer coisa para comer e umas latas de energético.
-Tudo bem, você conseguiu me convencer, mas se eu ficar doente você quem vai cuidar de mim- riu, destravando as portas do carro
-Trato feito- estiquei meu dedo mindinho em sua direção, fazendo a promessa como duas crianças.
- Paramos em algum supermercado 24 horas na estrada.
-Ótimo- sorri vitoriosa- Agora vamos tirar nossas fotos?
-Vamos, se não não vai dar tempo- Saímos do carro sem nos importar com a presença do casal.
Bailey caminhou até mim, enroscando o braço na minha cintura. O local era bem iluminado e no final da praça, alguns muitos degraus levavam a um pequena igreja, no topo de um pequeno monte. Aquela escada parecia o ponto ideal para algumas boas fotos e por isso, apoiei a câmera em um murinho, para que pudesse capitar nosso ângulo.
O filipino tirou o celular do bolso e tirou algumas fotos minhas, muitas delas me pegando completamente de surpresa. Sorri quando trocamos de lugar e eu assumi seu aparelho, percebendo como todas aquelas luzes valorizavam ainda mais sua beleza e o brilho do seu olhar.
Por conta do frio, da presença de estranhos e da hora da madrugada, não nos prolongamos e quando ambos estavam satisfeitos com as fotografias tiradas, caminhamos silenciosamente de volta para o carro, obviamente depois que eu peguei minha camera.
Filmei nossas mãos entrelaçadas e o caminhar de nossos pés, até chegarmos perto do veículo e me preparar para gravar a próxima parte da nossa madrugada:
-Feito- bati a porta do carro e passei o cinto pelo pescoço, conversando com a câmera.
-As fotos ficaram ótimas- Ele me entregou o celular, mostrei algumas no vídeo.
-Realmente, estão perfeitas!
-Nem parece que tiramos em 5 minutos, ou que você nem percebeu quando eu tirei a maioria delas.
-Pode trabalhar com fotografia- olhei em sua direção e percebi um sorriso crescendo em seus lábios.
-A modelo ajuda- minhas bochechas queimaram com o comentário
-Hm, próxima parada: Supermercado- mudei de assunto e finalmente terminei de filmar mais uma parte.
-Você viu a trend que fizeram com vários momentos desde que você chegou aqui, principalmente com as entrevistas, dizendo que eram possíveis comentários com entonações sexuais entre nós dois?- ele riu baixo, quando percebeu que eu já não gravava mais.
-Eu vi, aquilo está rondando a internet desde que chegamos na casa de seus avós, mais cedo. Achei loucura mas ao mesmo tempo criativo e bem pensado.
-É, os nossos fãs estão se superando a cada dia.
-É... Bay- abaixei um pouco meu tom de voz.
-O que foi?- se virou para mim por um segundo.
-Eu não sei se é um bom momento para ter essa conversa ou se ela deveria mesmo existir mas...
-Aconteceu alguma coisa?- franziu o cenho, sem tirar os olhos do volante enquanto passava por um cruzamento.
-Não mas- suspirei e pressionei meus olhos- Quer dizer...Já que entramos nesse assunto da trend, acho que precisamos conversar sobre o banheiro?
-O banheiro?- não entendeu- Ah! O banheiro.
-É, sobre o que realmente aconteceu no banheiro.
-Como assim o que realmente aconteceu no banheiro?