GRANPA

1677 Palavras
Bailey Mostrei o celular para Joalin, estávamos quase chegando na casa de meus avós e Maya estava em um longo processo de adivinhação do porquê eu e Joalin estávamos gargalhando quando ela entrou no nosso quarto, nos avisando que era hora de ir.  "Hello" Joalin visualizou a primeira mensagem de Savannah. "Good Morning".  "OMG" era a terceira, seguido de "Acho que vocês mandaram esse vídeo no lugar errado"  -Olha essa sequência doida de emojis- Joalin riu com meu celular nas mãos.  "OMG, acho que finalmente estou entendendo"  "Minha boca é um túmulo, não se preocupem"  "Vocês são lindos juntos"  "LOVE THIS" Usou emojis entre as letras.  -Ela têm talento para comediante- eu falei.  -É tão natural e fofo.  -Vocês vão mesmo me m***r de curiosidade desse jeito?  -Estávamos conversando sobre coisas aleatórias no grupo do NU. Você sabe como Noah e Josh ficam engraçados quando se juntam, Sav está respondendo as mensagens com atraso por causa do fuso e isso é hilário. - a loira disse com uma tranquilidade surpreendente.  -Olha, vocês dois estão ficando mais estranhos a cada dia.  -Bem vinda a família- falei para Joalin- Ela está se referindo e implicando com nós dois, não só comigo, isso significa que você avançou de nível. Já pode trocar seu sobrenome para May.  Ok, talvez não tenha sido a frase mais inteligente para se usar e eu percebi isso quando meus pais gargalharam, a finlandesa abaixou a cabeça com as bochechas vermelhas e é claro, minha irmã caçula não perdeu a oportunidade de me envergonhar:  -Isso é um pedido de casamento ou algo do tipo? Porque se for, acho que existem formas bem mais inteligentes e românticas de fazer isso.  Como se tudo isso já não fosse o suficiente, o rádio tocava uma playlist de músicas marcantes da última década e no momento exato em que Maya fechou a boca, a frase "I'm gonna marry her anyway" (Vou casar com ela de qualquer maneira) da música Rude, foi pronunciada, em alto e bom tom.  -Está chovendo- apontei para a janela. Foi literalmente a primeira coisa que eu pensei para fugir de todo aquele clima estranho que havia se instalado, os pingos eram fracos e alguns raios e trovões deixavam claro que era uma chuva típica de verão.   -Está chovendo faz uns 5 minutos, filho- percebi o sorriso no rosto da minha mãe pelo reflexo no retrovisor.  -Vocês dois parecem mesmo mais felizes que o normal, é culpa da programação agitada de aniversário ou estão escondendo algo de nós?- meu pai perguntou, também sorrindo.  -Estão vendo? Não sou só eu!  -Acho que estamos animados com a mudança e com a volta do grupo- Joalin deu de ombros, ela disfarçava 1000 vezes melhor do que eu.  -Isso é ótimo, vocês cresceram tão rápido- minha mãe voltou a falar. -Quando planejam se mudar? Eu não vejo a hora de Bailey sair de casa logo- Maya provocou, mais uma vez.  -Tão engraçada, nem parece que quase morre de saudades quando eu estou viajando. Mas ainda assim respondendo sua pergunta, porque sou educado, vamos nos mudar logo logo, assim que as coisas do apartamento estiverem acertadas.  -Queremos fazer isso rápido para termos tempo de organizar tudo antes da próxima convocação do grupo- Joalin justificou.  -Bom, chegamos- meu pai estacionou o carro próximo a casa dos meus avós.  -Tem certeza que não devo me preparar para conhecer toda a sua família, certo?- Joalin sussurrou para mim, antes de abrir a porta e descer. O número de carros estacionados na rua era grande e por isso precisaríamos andar um pouco, e essa também deveria ser a preocupação dela com relação a outros parentes meus.  -Fica tranquila, só eles dois estão aí- sorri encarando meus próprios sapatos e segurei sua mão, um pouco trêmula- Essa rua está sempre cheia de carros- justifiquei.  -A tatuagem ficou incrível- Maya deu um pulinho surgindo do meu lado e segurando minha outra mão, enquanto caminhávamos em passos lentos- Não doeu?  -Obrigada Maya- a finlandesa sorriu- Doeu um pouco mas estou sonhando com isso a tanto tempo que valeu a pena.  Uma luz um pouco forte clareou a rua escura por alguns segundos, me fazendo olhar para trás e perceber que meu pai tinha acabado de tirar uma foto de nós três.  -Cenas que o i********: precisa apreciar- ele balançou o aparelho em suas mãos. Eu apenas neguei com a cabeça e continuei andando entre as duas, com certeza os fãs estavam tendo muitas emoções esses últimos dias.  -Chegamos- apontei para a frente da casa tipicamente inglesa e Maya deu alguns passos, batendo na porta com a aldrava- Pronta?  -Nervosa, eles podem me odiar- ela falou baixo, mais uma vez.  -Duvido muito, provavelmente vão gostar mais de você do que de mim- tentei tirar uma risada dela e funcionou, pelo menos até minha avó abrir a porta.  -Oh Meu Deus! Como eu estava com saudade dos meus netinhos- ela e meu avô, que tinha surgido com um pano de prato nas mãos, abriram os braços e eu e minha irmã fomos até eles, os abraçando.  -Não vai nos apresentar sua namorada, meu filho?- meu avô puxou Joalin pela mão e os dois a abraçaram, deixando envergonhada, e depois fizeram o mesmo com meus pais.  -Essa é Joalin, mas nós não estamos namorando, vô- eu sorri sem graça- Somos amigos e trabalhamos juntos.  -Fiquei sabendo que é seu aniversário, parabéns querida- ele continuou, sem me dar ouvidos.  -Feliz aniversário, ficamos felizes de recebê-los em uma data tão importante. E Bailey, eu e seu avô também já fomos só amigos um dia, querido- a senhorinha sorriu e deu um tapinha nas minhas costas- Não precisam esconder de nós- ela sussurrou para a loira, que corou em seguida.  -Venham, entrem. Está esfriando aqui fora e essa chuva está prestes a aumentar- ele nos puxou para dentro, um pouco incomodado com os pingos espaçados que caíam sobre a lente de seus óculos.  -Espero que meu neto não esteja te enrolando e te trate bem, querida- meu avô falou.  -Ele me trata muito bem, senhor- ela sorriu, sem graça.  -Pode nos chamar de vô e vó, meu bem. Você já é da família- minha avó falou, nos guiando até a sala.  -Nossa comida já está quase pronta, estamos muito felizes que tudo está melhorando e que já possamos nos ver- ele voltou a falar, se sentando ao lado da minha avó em um sofá. Meus pais e Maya sentaram no outro e eu direcionei Joalin, pela cintura, até a poltrona, ela se sentou e eu fiz o mesmo no braço do móvel, apoiando minha mão por volta do seu pescoço.  -E então, como vocês dois se conheceram?- minha avó perguntou com um sorriso no rosto e apesar de já ter falado para ela que fazíamos parte do mesmo grupo, eu tinha certeza que ela gostaria de ouvir nossa história com detalhes.  -Uhm, nós nos tornamos amigos logo no início do nosso primeiro bootcamp, eu acho- eu comecei.  -Nos aproximamos muito com o tempo e com a convivência. Percebemos que temos gostos, expectativas e visões de mundo parecidas então logo criamos nosso pequeno grupinho quando todos estavam tentando se encontrar e se encaixar dentro do Now United, junto com Sabina e Krystian.  -É claro, eu me lembro que Bailey disse que você competiu com a outra amiga dele, Sabina, pelo México, certo? Pode ser uma questão de esteriótipo mas você não me parece mexicana- ele perguntou e eu senti medo que Joalin estivesse desconfortável com as perguntas, mas aos poucos ela parecia mais familiarizada. -Na verdade eu sou finlandesa, nasci lá mas morei um tempo na Espanha e praticamente toda minha vida no México, tenho uma alma mexicana. -Ah sim, agora eu me lembrei que Matt me falou sobre isso quando você chegou na casa deles. A idade está me deixando esquecida- minha avó sorriu- Você estava se mudando de volta para a Finlândia quando a fronteira fechou e teve de ficar no Reino Unido, certo?  -Sim, Bailey me socorreu. Eu não tinha como voltar para o México e nem voar até a Finlândia porque os dois fecharam a fronteira nesse meio tempo.   -Agora decidimos que vamos passar um tempo morando juntos, em Londres- me intrometi, falando.  -Oh, isso é ótimo. Sabemos a quanto tempo você estava querendo ir para a capital e como isso irá auxiliar e facilitar seu trabalho- ele me incentivou- E é claro, vocês podem estar namorando escondido de nós, eu já fui jovem um dia- falou com um sorriso no rosto e piscou na nossa direção, recebeu um tapinha de repreensão da minha avó logo em seguida.  -Querida, me desculpe a i********e mas preciso elogiar sua roupa. Essa cor lhe caiu muito bem- minha avó falou com a loira e eu sorri a encarando.  -Muito Obrigada- ela respondeu sorrindo.  -Combina com os olhos dela- eu falei, dando de ombros.  -Você é daltônico? Ela tem olhos azuis e o macacão é verde, Bailey- minha irmã mais uma vez não perdeu a oportunidade.  -Eu não posso achar que combina do mesmo jeito? Eu sei que a roupa é verde e o olho é azul- falei óbvio e Maya me deu língua como resposta. -E então, Joalin, quantos anos está fazendo?- É, parece que eu tinha mesmo acertado como essa noite seria.  -Hm, 19- ela provavelmente se lembrou do que tínhamos conversado mais cedo. Mais uma vez eu me preocupei com a quantidade de perguntas que meus avós estavam a fazendo.  -Oh, isso é engraçado. Você e Bailey parecem ter a mesma idade- ela disse com um sorriso e depois sussurrou para mim, como se a loira não tivesse prestando atenção- Boa escolha, ela é simpática e madura.  Eu ri, revirando os olhos e encarei a garota ao meu lado, ela sorriu para mim da mesma forma e apoiou uma de suas mãos sobre minha coxa, tirei meu braço dos seus ombros e entrelacei nossos dedos.  -Vamos tirar uma foto?- meu pai se meteu.  -Vamos que a janta já deve estar pronta- meu avô falou animado, ainda com o pano de prato nas mãos. 
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