Bailey
Quando meu pai estacionou o carro na porta de casa, uma típica chuva de verão começava a cair. Fui o primeiro a entrar em casa e senti a oscilação das luzes assim que acendi o interruptor.
-Pelo menos não vamos passar frio se a energia cair- meu pai comentou, vindo com a sexta de piquenique logo atrás de mim.
-Quer tomar banho primeiro?- perguntei para Joalin.
-Pode ir na frente, vou ajudar sua mãe a limpar e guardar as coisas.
-Tudo bem- sorri para ela e subi as escadas junto de meu pai e minha irmã. Definitivamente uma das melhores coisas da minha casa era a quantidade de banheiros, nada pior que chegar da praia e precisar esperar para tomar banho.
Liguei a banheira e enquanto a mesma enchia, tirei o sal do meu corpo e lavei meu cabelo no chuveiro. Coloquei um pouco do primeiro vidro de sais de banho que encontrei na prateleira, peguei meus fones de ouvido e acionei uma música qualquer em um volume relativamente alto, fechei os olhos e relaxei, eu sempre evitava a banheira quando as temperaturas estavam muito baixas e agora finalmente podia voltar a utilizá-la.
Aproveitei o tempo para pensar na vida, refletir um pouco sobre os próximos passos que eu daria. Meu aniversário estava se aproximando mas semanas antes dele, Joalin completaria 19 anos e eu precisava pensar na melhor forma de fazê-la comemorar, mesmo que longe de sua família e em um momento tão delicado para o mundo. Queria que ela se sentisse bem, em casa, acolhida e amada, realmente precisava de um bom plano.
Tentei tomar nota mental das melhores ideias, mas infelizmente nenhuma delas parecia boa o suficiente. Talvez eu pedisse ajuda para Maya, ou eu poderia ligar para Sabina e Krystian para que eles pudessem me ajudar a decidir o que poderia dar certo.
Provavelmente passei mais tempo do que deveria na água, meus dedos já estavam extremamente enrugados. Esperava que Maya tivesse oferecido seu banheiro para Joalin, porque quando levantei para me enxugar, conseguia ver pela janela que a noite tinha caído e a chuva engrossado um pouco.
Meus fones caíram no chão quando me assustei com a porta sendo aberta abruptamente. Encarei Joalin e o tempo parou, não sabia qual de nós dois estava mais vermelho, muito menos quanto tempo passou até que eu voltasse aos meus sentidos normais e que o relógio voltasse a girar para nós.
Já era tarde demais, quando eu consegui controlar minhas mãos trémulas e enrolar a toalha na cintura. Ela já tinha me medido de cima a baixo, seus olhos se arregalara antes de finalmente tomar ciência do que estava acontecendo, do que ela tinha acabado de fazer ou que eu tinha percebido sua encarada? Ela rapidamente virou para trás, como se tal atitude fosse capaz de excluir os últimos segundos de sua mente.
-Bailey!- exclamou assustada e eu nunca vesti minha boxer de maneira tão rápida. Encarei meu reflexo no espelho, vermelho, extremamente vermelho.
-Pode virar- fiz o possível para não encará-la enquanto vestia a calça de moletom.
-Desculpa, eu- ela tossiu- Quer dizer, eu bati na porta várias vezes para saber se estava tudo bem. Pensei que você tinha morrido ou sei lá- atropelou as palavras, tentando se justificar- m***a- a loira esfregou a mão pelo rosto e prendeu os cabelos em um coque.
-Eu acho que acabei passando tempo demais na banheira, estava de fone, por isso não te escutei- disse, minha voz falhou nas últimas palavras e eu pressionei os olhos com força- Você tomou banho?- perguntei me virando para o espelho e pegando a escova para pentear os cabelos, tentando quebrar o clima estranho que havia se formado.
-Ér... Tomei
-Tudo bem- me virei para ela e terminei de arrumar os fios. d***a Bailey, você não deveria ter tomado banho escutando música e se metido nessa situação completamente constrangedora- Eu demorei muito? Acho que perdi a noção do tempo.
-Quase duas horas.
-d***a, não sei para onde foram meus fones- passei o olho pelo piso e peguei um deles, que estava debaixo da pia. Avaliei a área em volta de mim e Joalin localizou o outro lado, o pegando e se aproximando de mim, dando-o em minha mão.
Dei dois passos para trás e me segurei na pia, estava acontecendo de novo, exatamente como no carro quando Maya nos interrompeu com uma tosse forçada. O que estávamos fazendo? Porque as coisas vinham mudando entre nós? Minha respiração funda foi nítida, assim como a virada brusca da finlandesa.
-Eu, eu vou deixar você terminar de se arrumar- sem fazer a mínima ideia do porque, ou sem ter total consciência de meus atos, segurei em sua mão e a virei para mim.
-Bailey- ela repetiu, quase do mesmo jeito que fez quando abriu a porta e percebeu que eu estava sem roupa. A loira mordeu os lábios com força e pressionou os olhos, como se tivesse tentando criar coragem para sair daquele ambiente.
Merda, eu não tive tempo para raciocinar corretamente, pelo menos não antes de ver Joalin se aproximando de mim.
-Eu acho que nós temos um problema- seu tom de voz era baixo e para minha surpresa, ela tinha um sorrisinho ligeiramente malicioso no rosto.
Por um segundo eu me senti apenas um bobo inocente, e tudo bem, eu podia até ser mesmo, mas era esse mesmo garoto de quase 18 anos ligeiramente inexperiente que ela estava beijando. Mais uma vez.
Seus lábios encostaram nos meus de maneira ofegante e em forma de súplica. Uma mão correu para meu pescoço e a outra para meu abdômen, guiei meus braços abraçando seu corpo e quando senti sua língua pedindo passagem e o beijo sendo aprofundado, assim como seu corpo se colando cada vez mais ao meu, mais uma vez me encaixei no papel do mesmo garoto bobo.
Deus, da onde aquela personalidade secreta havia surgido? A começar pela encarada, ou o sorriso malicioso, a atitude ou esse beijo quente. Era uma espécie de alter ego ou algo do tipo?
De fato, a Joalin que estava bem em minha frente era desconhecida e inexplorada por mim.
Meu coração palpitou tão forte que, possivelmente, foi sentido pela finlandesa. Consegui sentir seu sorriso entre meus lábios, como prova de que seu efeito sobre mim era conhecido e nítido, e suas mãos foram descendo pelas minhas costas, encaminhei uma de minhas mãos até sua nuca tentando ter o mínimo de controle da situação e mordi seus lábios de leve.
Ela se afastou, a menos de dois milímetros e encarei seus olhos azuis tão de perto. Eram profundos e oceânicos. A luz piscou uma vez e em seguida todo o cômodo se apagou, me tirando a privilegiada visão de seu olhar.
-Nós realmente temos um problema- sussurrei, ainda com a mão em seu pescoço, a puxando para um selinho.