SUN

1203 Palavras
Joalin Segui o olhar de Bailey até sua irmã mais nova e ela deu de ombros, com um sorrisinho malicioso no rosto. Abaixei a cabeça e por sorte senti meu celular vibrar, me livrando do clima estranho que se instalara no carro.  Ouvi o áudio que minha mãe tinha me mandado, sobre algumas dificuldades dos meus irmãos com o finlandês, ela me pediu para, quando falasse com meus irmãos, que me comunicasse apenas no idioma. De fato era uma bagunça, se eu que nasci na Finlândia e passei meus primeiros anos de vida por lá tinha mais facilidade com o espanhol, idioma que falei minha vida inteira, e até mesmo o inglês, não conseguia calcular como estava sendo difícil para os pequenos. Minha mãe só tinha tamanha facilidade com a língua porque ela só foi, realmente, exposta ao espanhol e inglês depois de adulta.  Meu celular estava uma bagunça, várias conversas não respondidas que me fizeram perceber que estava deixando o aparelho de lado durante os últimos dias. Respondi minha mãe com outro áudio, ainda sobre a batalha de idiomas, e disse que queria conversar com ela e meu pai sobre minha mudança. Aproveitei para responder algumas mensagens de texto, em sua maioria das minhas amigas mexicanas, Deus, sair do México só me fez perceber, ainda mais, a conexão surreal que tenho com a América Latina.  -Vocês não estão falando m*l de mim, não é?- Bailey percebeu que eu estava digitando para Sabi -Deveríamos?- perguntei rindo.  -Não tenho falado muito com ela ultimamente- ele deu de ombros- Acho que está chateada comigo. Uma hora estamos falando inglês, três segundos depois você está gravando áudio em finlandês e digitando em espanhol, é difícil acompanhar.  -Eu posso tentar descobrir alguma coisa, se quiser. Acho que vocês deveriam conversar e entender o que está acontecendo- dei minha opinião, terminando de digitar para a Hidalgo.  -É, você tem razão- ele apoiou a cabeça em meu ombro e encarou a janela.  Menos de 5 minutos depois, Matt estacionou na larga faixa de areia. O céu estava azul, mas o mar tinha tonalidade bem diferente da qual eu era acostumada a ver no Caribe. Sorri mesmo assim, não demorando para abrir a porta e caminhar pela areia, como eu sentia falta do mar.  -Se sente em casa?- Bailey passou a mão pelos meus ombros e me olhou com um sorriso nos lábios, que retribuí na mesma hora.  -Não sei se consigo viver longe da praia -Londres não fica tão longe, além do mais, daqui a alguns meses vamos passar mais tempo em Los Angeles e em aviões do que em casa.  -A vida com o Now United me garante boas praias ao redor do mundo- sorri- Cadê o protetor?- perguntei, o sol não estava muito forte mas com certeza era o suficiente para queimar.  -Vou pegar a mochila no carro- Ele deu alguns passos para trás, o segui e ajudei os outros três a tirarem as coisas da mala e forrarem no chão.  Observei em volta, de um lado de nós, em uma distância considerável, tinha um casal de idosos e do outro, uma família de pai, mãe e dois filhos, um adolescente e uma garotinha.  -Vão entrar na água?- o filipino voltou, deixando minha mochila com as outras coisas e perguntando para os mais velhos.  -Acho que vou- Maya deu de ombros, depois de ver os pais negando. Passei mais uma camada de protetor e me sentei na areia, esperando o produto secar. Vanessa começou a distribuir as coisas que tinha trago para nós comermos e passamos certo tempo apenas nos alimentando e encarando a linda paisagem em nossa frente.  -Quer jogar futebol?  -Bailey, eu não sei fazer isso- ri.  -Vamos lá, eu te ensino.  -Ai meu Deus- ri me levantando e tentando me livrar da areia que grudou no meu corpo.  Passei cerca de uma hora tentando aprender a chutar uma bola, mas falhei na missão. Meu melhor amigo jogava bem e queria que eu tentasse roubar a bola do seu pé, o que me parecia impossível e me fez quase cair o tempo todo. Provavelmente, se ele não tivesse me segurado, eu teria dado de cara com a areia por pelo menos meia dúzia de vezes.  Desistindo do esporte e sentindo o sol aquecer minhas costas, Matt nos mostrou uma foto que tinha tirado no momento exato de uma quase queda minha. A bola estava a alguns centímetros do chão, provando que teoricamente eu consegui roubá-la de Bailey, eu tinha um braço solto no ar e a outra mão segurando o ombro do asiático, meu corpo estava inclinado mostrando que por muito pouco não caí e o garoto tinha as duas mãos em minha cintura e uma expressão assustada no rosto.  Era hilário e nos fez gargalhar por longos minutos, não sei exatamente como foi possível da foto ser tirada no milésimo de segundo correto mas a única certeza é que viraríamos meme nas mãos de nossos fãs. O inglês pediu autorização para postá-la e depois que nós dois concedemos, decidi convidar os irmãos May para um mergulho.  -Está muito fria, não sei se consigo- a garota reclamou colocando os pés na água.  -Isso é porque você nunca foi para a Finlândia- ele encarou a irmã- Alguém praticamente me empurrou para dentro do mar congelante.  -Era o único jeito de fazer você entrar- dei de ombros com um sorriso sapeca- Também estou acostumada com as águas mais quentes do México, mas a sensação de ficar na sauna e depois pular no mar extremamente frio é muito boa.  -Você é louca- Maya disse dando mais uma passo. -Preciso concordar- foi a vez de seu irmão mais velho. Eu estava me preparando para entrar mais um pouco quando senti o braço de Bailey circulando minha cintura, não demorou mais de três segundos para que meus pés se afastassem do chão.  -BAILEY, ME COLOCA NO CHÃO- gritei, gargalhando o vendo dar passos mais rápidos, limitados pela correnteza da água. Ele me ajeitou em seu colo e me segurou com as duas mãos, como se eu fosse uma noiva.  -Preparada?- perguntou e sem esperar por minha resposta, mergulhou. Senti o impacto, seguido pelo frio intenso diretamente na minha cabeça, dei impulso para voltar para a superfície e tremi com o ar gelado que me atingiu. Bailey emergiu logo em seguida e pude ouvir a voz de Maya alguns passos atrás de nós.  -Preparada para que, Bailey Thomas Cabello May? Só se for para sua morte, já que você espirrou água em cima de mim- Ela disse um pouco brava com o irmão e pronta para correr em sua direção e começar uma guerra de água.  Entrei na brincadeira (se é que posso chamar a revanche da caçula dessa forma) quando vi que ele fugia mar adentro. Estava mais próxima e pulei em suas costas, enlaçando minhas pernas em seu corpo e braços em seu ombro, tentando impedir sua fuga.  Ele colocou as mãos nas minhas coxas, o dando impulso para me ajeitar em suas costas e se virou para a irmã, que começou a jogar água em seu rosto. Tombei meu corpo para trás, mergulhando e me soltando do filipino e me livrando da água que os irmãos estavam espalhando. 
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