Bailey
Eu já tinha terminado meu banho e ajudado minha mãe com alguns sanduíches enquanto meu pai e Maya guardavam as coisas no carro. Toalhas, cesta de piquenique, bebidas e algumas máscaras para o caso de acabar esbarrando com pessoas por aí.
O lugar que frequentávamos era pouco movimentado e a faixa de areia permitia que os carros ficassem estacionados por ali mesmo. Eu acreditava que, por mais que outras pessoas passassem para o local, estacionariam a bons metros de distancia de nós.
Quando voltei para o quarto, Joalin tinha saído do banho e com os cabelos molhados, arrumados para trás com a ajuda de um óculos escuro. Ela vestia um short jeans e um conjunto de biquíni preto, cujo a parte de baixo era mais alta que seu umbigo.
-Tá pronta?- perguntei e a vi vestindo a blusa.
-Sim, precisam de ajuda com alguma coisa?
-Não, arrumamos tudo bem rápido. Onde estão suas coisas?- perguntei.
-Na mochila em cima da cama- disse sem tirar os olhos do espelho, começando a esfregar o protetor no rosto.
-Posso colocar minhas coisas contigo?- ela assentiu e eu guardei meu celular, fone, óculos escuros e minha carteira lá dentro. Coloquei uma das alças nas minhas costas e calcei as havaianas brasileiras- Chinelo sem meias? A raridade que é seu pé ver a luz do dia- brinquei com a loira, passando meu braço pelos seus ombros e saindo do quarto junto com ela.
-Só três lugares me obrigam a isso, praia, piscina e cachoeira- ela enlaçou seu braço na minha cintura, acompanhando o ritmo dos meus passos na descida da escada.
-É engraçado que eu realmente não lembro de ver seu pé em outras situações além dessas. Nunca.
-Eu tenho nervoso, nojo, não sei. Realmente não gosto de pés.
Percebemos que a casa já estava vazia e caminhamos até a garagem. Dentro do carro, meus pais estavam no banco da frente e Maya atrás do motorista, me sentei no meio e deixei a finlandesa ao meu lado ficar na janela.
-Precisamos conversar com a produção sobre nossa mudança, se as coisas derem certo com o apartamento quando eu ligar.
-Vai ligar hoje a noite?- assenti- É, melhor falar antes que eles pensem que estamos querendo esconder.
-E se eles acharem que estamos escondendo, não vão aprovar- afirmei
-Provavelmente a condição vai ser mostrar os quartos separados, fazer um vídeo explicando ou algo do tipo- ela olhou pela janela, vendo a estrada passando. O trajeto até a praia não demoraria mais de meia hora.
-Sim, eles vão nos fazer deixar claro o que todos já sabem "Somos amigos, existe um contrato" e depois vão usar do marketing que isso vai gerar.
-Isso as vezes me cansa- ela deitou a cabeça no meu ombro.
-Eu não entendo- Maya se meteu- Eles querem que deixem claro que não pode ter relacionamentos no grupo e depois usam disso para fazer marketing?
-Exatamente- Joalin concordou- É difícil de entender como a mídia funciona, até hoje não faz sentido para mim.
-A verdade é que não importa o que é verdade ou não, o que vocês fazem ou deixam de fazer. A importancia é atrair fãs, o que atrai é lucro, o que não atrai deve ser escondido ou descartado- meu pai deu sua opinião, eu não podia deixar de concordar, era exatamente assim que funcionava.
Enquanto gerava, podíamos tudo. Se prejudicasse, era hora de parar. Na real, o marketing era maior e mais importante que qualquer cláusula do contrato, tudo podia ser quebrado ou flexibilizado se atraísse fãs, mídia. Parecia que as normas só valiam mesmo para situações difíceis onde a imagem do grupo podia ser prejudicada.
-Eu tenho medo dessa indústria carniceira, principalmente agora que seu pai não vai viajar contigo- Minha mãe começou, eles absolutamente me apoiavam em tudo mas eu entendia a preocupação, era como pisar em ovos.
-Não se preocupem, eu cuido dele- Joalin brincou, bagunçando meus cabelos.
-Você não sabe como isso me deixa mais tranquila, Joalin- dona Vanessa virou para trás com um sorriso no rosto- Não sei se conseguiria deixar meu bebê sozinho se não fosse por você e Sabina- ela fez uma voz fofa e me segurei para não revirar os olhos.
-Bailey é um bebê- minha irmã falou, fazendo a loira gargalhar.
-Maya está virando a própria versão de Sabina- meu pai disse rindo.
-Todos nós sabemos que Joalin é a única garota do planeta capaz de conviver com Bailey por mais de 3 segundos sem enlouquecer- ela voltou a fazer todos gargalharem, menos eu, é claro- Ou você casa com ela ou fica solteiro pelo resto da vida- ela sussurrou no meu ouvido, fazendo minhas bochechas esquentarem.
Onde essa garota estava com a cabeça? m***a, eu estava a um pequeno passo de esquecer do beijo naquela tarde e poder ter um dia de praia como amigos normais, mas parece que minha irmã não podia mesmo me deixar concluir a missão. Mesmo sem saber de nada, ela não podia ter feito isso.
-Vocês passaram protetor solar?- Obrigado Deus, minha mãe havia puxado outro assunto, antes que as coisas se tornassem estranhas e meu silêncio junto ao rosto corado me causasse constrangimento.
-Eu passei, quando chegar na praia preciso de mais uma camada. O sol parece estar quente- Ok, eu sabia que para ela, acostumada com o verão mexicano, o clima não poderia nem ser considerado praiano. Ao mesmo tempo, sentia que o esforço era mútuo, seja ele meu para fazer ela se sentir em casa e m***r as saudades do país, ou dela, para mostrar que estava feliz e que se agradava com a pequena alta de temperatura e o sol, nem tão quente, britânico.
-Uhm, eu não- eu era mesmo lerdo, devia admitir. Vi Joalin passando seu protetor antes de entrarmos no carro e mesmo assim me esqueci de passar o produto.
-Está no porta-mala, me lembre de te dar quando chegarmos- Meu pai avisou.
-Acho que tenho aqui- vi a finlandesa tirar a mochila do meu colo e começar a procurar nos bolsos- Achei.
Esperei que ela me entregasse o pote, mas ao contrário disso ela colocou a mão em meu queixo, virando meu rosto em sua direção e colocou o creme nas minhas bochechas, esfregando pelo meu rosto. Fechei os olhos e senti a ponta de seus dedos na minha testa, em seguida correndo até meu pescoço. Seu toque era macio e aconchegante.
Abri novamente os olhos quando achei que ela tinha terminado e a vi colocando mais produto nas duas mãos e em seguida esfregando pelos meus ombros, seus dedos correram por entre minha regata e espalmaram minha nuca.
A encarei com um sorriso no rosto, ela era tão linda e tão especial. Ela sorriu sem graça quando percebeu que eu a encarava e vi que suas bochechas ganharam um tom mais avermelhado.
Toquei a ponta do seu nariz e de maneira automática, coloquei a mão em seu pescoço em seguida. Por sorte, Maya forçou uma tosse que interrompeu o que quer que seja, que eu estava fazendo, a encarei sem saber se eu deveria ficar aliviado ou constrangido.