Pré-visualização gratuita Prólogo
Era a pior decisão a ser tomada pelos três homens, mas no fundo, eles não tinham escolha. Aliás, eles não tinham nenhum plano para que pudesse proteger as mulheres da qual amavam.
O relógio marcava 2:47 da madrugada e lá estavam eles, olhando para suas amadas, que dormiam tranquilamente depois de tudo o que lhes haviam acontecido.
Raymmond suspirou, seu coração pesado, tirando um único fio de cabelo do rosto de Cassie. Ela ia mata-lo, mas precisava fazer aquilo.
Já os irmãos Reves, não pensavam diferente. Por mais que ambos ainda não haviam conversado sobre Karoline, nutriam aquele sentimento forte de amor pela policial ruiva. Sebastian estava na janela, olhando o céu, enquanto Daniel a olhava.
Os últimos dias foram de muita adrenalina. Duas semanas depois da invasão na sede um da Compania em Nova York, onde perderam um aliado, eles continuaram fugindo, passaram por mais perseguições, mataram mais pessoas. Tudo para sobreviver.
Logo, os três irmãos tomaram a decisão mais difícil da vida deles. Precisavam fazer aquilo, precisavam protegê-las e a melhor maneira era tomando a atenção da Compania apenas neles.
Eles não tinham muita coisa, mas confiavam de que as duas não fossem atrás deles. Até porque, o plano estava muito bem traçado, onde não haveria rastros.
Se reuniram na sala do casebre que arranjaram em Stanford, algo bem pequeno e escondido. Era um lugar perfeito. Olharam o aparelho celular na mesinha, certificando-se de que tudo estava em seu devido lugar. Sem trocar nenhuma palavra, apenas um aceno, os três irmãos deram uma última olhada no lugar e desejando que o plano desse certo, sem fazer nenhum barulho, eles saíram da casa.
***
O dia foi amanhecendo, mesmo com as cortinas brancas tampando a janela, era impossível não acordar com aquele dia lindo.
Fora uma noite muito bem dormida para Cassie. A quanto tempo, não tinha aquilo? Seu corpo estava até bem mais descansado. Dormir em uma cama macia fazia diferença, ainda mais com o homem que amava ao lado.
Tateou o outro lado da cama, mas estava vazio. Isso a fez abrir os olhos e perceber que estava sozinha.
-Ray? - Chamou, mas não teve resposta. Foi quando se levantou e começou a procurar pela casa.
Já Karoline se mexeu na cama, sentindo-se sozinha. Abriu os olhos devagar e cerrou o cenho ao não encontrar olhos azuis à sua frente. Ao se mexer, virando para trás, também não encontrou olhos castanhos em lugar algum. Sentou na cama e escutou o chamado de Cassie para Raymmond, o que não teve resposta. Foi quando resolveu se levantar.
As duas se encontraram no pequeno corredor que dava a sala.
-Onde eles estão? - Perguntou Karoline, bocejando.
Cassie deu de ombros.
- Eu não sei, mas eles não estão em casa.
- Eu acho que essa preocupação não é nada. Eles devem ter saído para comprar algum mantimento…
-Fizeram isso ontem. - Respondeu Cassie em prontidão. Seu coração acelerado. - Eu só espero que esteja tudo bem.
Karoline balançou a cabeça.
-Vamos para a sala. Aposto que estão lá conversando e nós aqui, preocupadas.
As duas andaram pelo pequeno corredor, chegando ao cômodo, mas perceberam mais uma vez, que não havia ninguém lá.
-Cassie. - Chamou Karoline, apontando para o celular no centro da mesa.
A morena caminhou devagar e pegou o aparelho. As duas trocaram olhares, sem entender nada e não querendo que seus pensamentos fossem verdade. Cassie ligou o celular e percebeu que estava aberto em um vídeo.
-Hey!!! - Era Raymmond, sorrindo. Estava escuro, o que as fez pensar que foi gravado a noite. - Bem, eu não sei como dizer isso a vocês, mas… - Ele respirou fundo. - Estamos nessa caminhada a muito tempo, vocês duas têm se arriscado muito para estar ao nosso lado em busca de justiça… Uma justiça que eu nem sei se teremos um dia…
-Me dá isso aqui, Raymmond. - Uma voz baixa pegou o celular e logo, Sebastian apareceu. - Vocês devem estar se perguntando o porque não estamos aí do lado de vocês, acordando mais uma vez… É difícil o que vamos explicar, mas nós três tomamos uma importante decisão… De coração, eu espero que vocês nos perdoem algum dia por conta disso.
Sebastian pareceu colocar o celular inclinado e apoiado em algum lugar. Foi quando ambas reconheceram o armário da cozinha atrás deles. Daniel se juntou a Raymmond e Sebastian, começando a falar.
-Não podemos deixar que essa m***a de Compania acabe com a vida de vocês. Eles nos querem, estão à nossa procura e não de vocês. Tudo o que aconteceu, foi apenas porque vocês se envolveram conosco e nisso, pessoas inocentes morreram… Sentimos muito mais uma vez por seus pais, Karoline.
Raymmond deu um passo à frente.
-Infelizmente, nós vamos deixar vocês protegidas, não podemos deixar que ninguém mais chegue perto de vocês. - Ele parecia nervoso. - E o nosso pedido é… Não vão atrás de nós, deixe que resolvemos esse assunto por nós mesmos. Não coloquem mais a vida de vocês em risco. Não vamos suportar mais a ideia de perde-las.
-Ray tem razão. -Continuou Daniel. - Karol, nós vamos sair dessa e… Quando chegar a hora, espero que Sebastian tenha amadurecido o suficiente para conversarmos melhor.
O homem fechou a cara na direção do irmão.
-Ridículo!
Raymmond revirou os olhos.
-Cassie, eu vou voltar para você, mas também espero que você respeite a decisão que tomamos. Nós vamos dar um jeito, nem que seja a última coisa que eu faça. Eu te amo muito. Adeus.
Ele se aproximou da câmera e dando uma última olhada, ele desligou o vídeo.
As duas mulheres estavam perplexas, olhando o vídeo e sem saber o que pensar. Mais uma vez,elas estavam à mercê, sem saber o que fazer. Mais uma vez, eles foram embora, Deus sabe o que fizeram. O que lhes restavam era apenas esperar.
Mas se eles achavam que elas iam desistir deles, estavam enganados.