O Dente do Passado

1164 Palavras

O papel tremia nas mãos de Lara. “Ele não é seu irmão. Mas você também não é quem pensa ser.” As palavras da carta deixada por Solange ecoavam como marteladas em sua mente. A letra trêmula, desorganizada, parecia escrita por alguém à beira da loucura — e talvez fosse mesmo. Mas a dúvida era um veneno lento. E Lara sabia que não podia ignorar aquele aviso, por mais insano que parecesse. Olhou o relógio: 03h42 da madrugada. O sono fugira. O coração, inquieto. Sentou-se à mesa da cozinha com uma xícara de café trêmula nas mãos e espalhou sobre a madeira todas as cartas antigas de sua mãe. Trechos sublinhados. Datas desconexas. Nomes soltos. E um nome retornava mais de uma vez. Às vezes em segredo, outras como uma sombra pairando sobre tudo: Dimas Andrade. “Ele foi minha perdição”, esc

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