O Eco do Sangue

1183 Palavras

O calor de agosto parecia mais c***l naquela manhã em que o avião pousou no Galeão. O céu do Rio de Janeiro, acinzentado e abafado, não o recebia com festa, nem com saudade — apenas com um silêncio pesado que combinava com o que ele carregava por dentro. Inácio desceu do avião com a firmeza de quem construiu um império com as próprias mãos. Os sapatos de couro polido, o terno italiano, a postura ereta... Tudo nele dizia “homem de sucesso”. Mas era só fachada. Por dentro, cada passo ecoava como um soco no estômago. Dez anos. Dez anos longe do Brasil, de Lara, dos Ferraz. Dez anos tentando construir uma nova história — com Esther, com a empresa que não levava o sobrenome que o enojava, com uma vida limpa, planejada, sem o caos dos dias antigos. Mas agora estava ali, de volta, convocado po

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