HELENA Um cheiro forte de álcool invadiu minhas narinas, me despertando aos poucos. Franzi o rosto, incomodada, e virei de lado no sofá, tentando entender onde eu estava. — Tira isso daqui! — resmunguei, com a voz arrastada, ainda meio fora de mim. — Você tá bem? — a voz dele veio ansiosa, quase desesperada. Abri os olhos com dificuldade. A luz da sala parecia me cegar. Minha cabeça latejava como se houvesse um martelo batendo dentro dela, sem piedade. — Não, eu não tô bem! — resmunguei, tentando me sentar com esforço. — Minha cabeça tá doendo pra caramba! Ele ainda estava ali. Coringa. Sentado no chão, do meu lado. O rosto inchado e com marcas roxas, mas os olhos... os olhos estavam cravados em mim como se eu fosse tudo o que importava no mundo naquele momento. Olhos que misturava

