Pré-visualização gratuita O homem dos óculos de coração
Era um belo dia no mundo humano. O sol brilhava, o vento cantava, as flores se abriam, e, apesar de todo os problemas que a humanidade causava a si mesma, naquele momento, em especial naquele pequeno parque no subúrbio de Tóquio o mundo inteiro parecia em paz.
Usando chinelos, bermuda, uma camiseta florida e um estranho óculos de sol em forma de coração, o deus do tempo, Cronos, relaxava em um banco ali naquele parque. Protegido pela dos raios solares embaixo de uma frondosa macieira, o senhor do tempo observava os seres humanos, jovens e velhos, que por ali passavam, enquanto bebia o que parecia uma deliciosa água de coco.
Perto do local em que o deus estava havia um pequeno parquinho para crianças o que ocasionava o som de muitas risadas nos ouvidos do deus do tempo que sorria nostálgico, ao lembrar de seus próprios filhos quando eram pequenos. Um mais problemático que o outro, mas todos eles enchiam o palácio do tempo de alegria.
O sorriso e a aparência do deus do tempo assustavam muitos pais e crianças ali presente, pois apesar de para Cronos ele estar vestido de maneira muito humana, para os próprios humanos ele parecia estranho e perigoso, talvez um pouco t****o.
E foi isso que levou o deus do tempo a ser pela primeira vez, detido por um oficial da lei humana. A cena seria engraçada se não fosse trágica. Do começo ao fim Cronos não pode acreditar no que estava acontecendo e sua estupefação foi tanta que apenas retomou a atenção quando já estava na delegacia.
- O senhor tem direito a uma ligação – Falou o oficial para o deus – Há alguém com quem deseja entrar em contato?
- Já nos vimos antes meu jovem? – Perguntou de volta o deus do tempo, sentindo que aquele jovem oficial lhe era estranhamente familiar.
- Creio que não senhor – Respondeu impassível o policial – O senhor vai querer fazer uma ligação?
- Sim, para a minha neta. – O senhor do tempo respondeu lembrando que Athena estava no Japão, e, embora ele não devesse estar ali era melhor do que usar seus métodos para sair daquela situação – Athena.
- Muito bem, senhor! Espere aqui que eu devo pegar o formulário para a ligação.
Assim que o jovem oficial se virou, Cronos conseguiu ver no pescoço do rapaz uma marca de nascença em forma de estrela e finalmente notou o motivo do jovem lhe ser tão familiar. “Ele não era o pirralho que Tsukiyomi teve com aquela humana uns quinhentos ou será que foram setecentos anos atrás?!”
Depois de se lembrar de onde vira o jovem oficial, o deus do tempo parou de lhe prestar atenção apenas lembrando do drama que foi, quando o deus da lua japonês acabou por se apaixonar por uma humana tendo até mesmo um filho com ela. Naquela época as coisas foram tão caóticas que foi convocado até a alta cúpula dos primordiais para julgar o caso. Um exagero na opinião de Cronos. Como um deus ocidental há muito já via como normal a união de deuses e humanos. Afinal se convocasse uma cúpula primordial a cada neto que seus filhos lhe davam com mortais, talvez não existisse fim para tal reunião.
Um pensamento levou a outro e Cronos se pegou pensando em todos os netos que tinha, tanto deuses como semideuses. Ele sentou uma dor de cabeça imensa ao lembrar que o Olimpo fora construído apenas para abarcar os filhos de Zeus e Atlântida foi feita para os filhos de Poseidon, para que não houvesse conflito entre os filhos do mar e dos céus. “Esses meus pirralhos problemáticos”
Enquanto o deus do tempo pensava em como falhou na criação do caráter dos dois filhos mais novos, que lhe davam netos a torto e a direita, o oficial voltou com um pedaço de papel em mãos. Tornando sua atenção ao humano Cronos pode a semelhança entre o garoto e o pirralho oriental da lua.
- Aqui está senhor – Falou o oficial entregando o papel – É só preencher e depois pode fazer a ligação.
O deus nada falou e apenas assentiu em concordância. Encarando o papel o deus do tempo notou que não entendia nada ali. Não que não pudesse ler as palavras apenas não entendia o que elas queriam dizer. “O que diabos deveria ser uma identidade?”
Meio desesperado e confuso Cronos pensou que o melhor seria apenas desaparecer dali e apagar a memória daqueles humanos, mas aquilo se descoberto poderia ser entendido como declaração de guerra, mas aquela situação já estava ficando maçante. “d***a! Eu só vim aqui relaxar” pensou o deus.
Suspirando em resignação o senhor do tempo se preparava para localizar o deus mais próximo que tinha para lhe tirar dali sem provocar uma guerra. Ou seja, ele se preparava para se comunicar com Athena por cosmo. “Se isso já ia ser problemático antes, vai ser pior agora”.
Resignando-se ao seu destino o deus do tempo se preparava para chamar a jovem deusa da guerra, se não escutasse duas vozes peculiares.
- Como você terminou aqui Jabu? – Ecoou no recinto uma voz doce e amável.
- É uma longa história Shun, mas valeu por me tirar daqui. – O cavaleiro de unicórnio ria sem graça, ainda sem acreditar que de tantas pessoas no mundo aquele que iria livrar a sua pele ia ser justamente a pessoa que mais atazanava.
- Não tem problema – Respondeu Shun sorrindo e terminando de assinar os papeis de liberação do amigo – Apenas não se meta mais em confusão.
Terminando todos os procedimentos com os quais já estava acostumado, por causa de Ikki, Shun se preparava para ir embora com Jabu quando ouviu uma voz em sua cabeça.
“Ei garoto! Me ajuda!” Mirando por todos os lados Shun tentava descobrir a origem da voz até que descansou o seu olhar em um homem velho de roupas estranhas. “Quem é você?” Perguntou o jovem sabendo que a voz provinha daquele homem.
“Eu te conto se você me ajudar” respondeu o deus ao cavaleiro de Athena. “Responda!” devolveu Shun estreitando o olhar. “Se eu contar você me ajuda?” tornou o deus. “Sim” concordou Shun.
“Muito bem! Sou Cronos. Não faça mais perguntas e me tire daqui. Eu não sei o que é um ‘endereço”.
Aquela situação era muito estranha. O que o deus do tempo fazia em uma delegacia no Japão? Mas como Shun já tinha prometido ajudar assim o faria. Pedindo para Jabu esperar o santo de Andromeda caminhou até o homem de óculos de coração no rosto.
- Com licença oficial – Shun se aproximou – Pode me dizes o que aconteceu? Esse homem é meu avô e ele sofre de um transtorno dissociativo grave. Como ele veio parar aqui?
Em uma única frase o jovem aclarou o relacionamento entre os dois e chamou o deus do tempo de i****a. Essa habilidade com palavras era muito semelhante à de Hades pensou o deus do tempo se lembrando das respostas concisas e cortantes que recebia do filho mais velho, com alguma tristeza.
- Entendo – Respondeu o oficial – Ele foi denunciado como suspeito de ser um t****o no parquinho aqui perto.
A resposta surpreendeu Shun que ao voltar a encarar o deus, entendeu o motivo das pessoas terem o confundido com um t****o. “Creio que isso é sem precedentes”.
Pobre Shun, se ele conhecesse as histórias de Zeus e Poseidon no mundo humano jamais pensaria isso.
- Bom eu posso atestar que meu avô é um homem doente, mas não é m*l oficial. E creio que ele não tenha feito nada de errado além de parecer um pouco estranho – Começou a argumentar Shun – E como ser estranho não é um crime o senhor não tem nada com o qual possa deter o meu avô, então se me der licença vou leva-lo para a casa.
Do começo ao fim a voz de Shun se manteve firme, calma e doce. Sem dar a chance ao oficial de responder o jovem cavaleiro saiu dali puxando o deus pelo braço e rapidamente desapareceu junto a entidade e Jabu que não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo.
Assim que saíram da delegacia o deus apenas agradeceu e sem mais explicações foi embora, deixando dois humanos estupefatos.
- O que acabou de acontecer Shun? – Jabu inqueriu o garoto ao lado que encarava o céu.
- Não faço a mínima ideia Jabu – Respondeu Shun recuperando o olhar – Vamos para casa.