Papai Cronos

1564 Palavras
De volta ao palácio do tempo, Cronos resolveu por tomar a forma de uma criança em seus dez anos, enquanto ria feliz ao voltar de sua aventura pelo mundo dos mortais. O deus ficou ali se lembrando das sensações que sentira na terra. Notou que uma das sensações era a nostalgia dos tempos em que seus filhos ainda eram crianças. Ao contrário do que as lendas diziam Cronos foi um pai muito amoroso com seus e nunca devorou nenhum deles. Quando acabou o seu reinado dividiu os seus domínios e os deixou para que os filhos escolhessem. Depois se retirou para o palácio do tempo hibernando durante eras. Atualmente vive de fazer travessuras com seus netos e filhos e alguns mortais, nada muito estremo. Acredita o deus do tempo que depois de um tempo tudo o que queremos é aproveitar os pequenos prazeres da vida, ainda mais se você é um imortal sem muito o que fazer. Cronos é filho, pai e avô e acredita que na vida ainda mais a de um deus, não haja alegria maior. Afinal a eternidade seria uma chatice sem os seus pirralhos a causar problemas. Levado por esse espírito paterno o deus resolveu olhar como iam os seus filhos em suas vidas. O primeiro foi Zeus que parecia estar no meio de uma briga f**a com Hera por causa de mais uma infidelidade do marido. O deus do tempo apenas suspirou para os filhos estando velho demais para se preocupar com as irresponsabilidades de Zeus e o temperamento de Hera. Cansado do casal briguento o deus do tempo se pôs a observar Poseidon, agora vivendo como o jovem Julian Solo que estava prestes a se casar com uma jovem humana de nome desconhecido para Cronos. Depois iria mandar um presente de casamento ao filho do meio. Embora já tivesse perdido as contas de quantas vezes esse filho se casou. Sinceramente as vezes Cronos não sabia quem era o pior ser era Zeus ou Poseidon. Mudando a visão que lhe aparecia as próximas a entrarem em seus olhos foram Héstia e Demeter que estavam junto a Koré e a Aphrodite em um dos muitos jardins no palácio da deusa da beleza. “Ao menos essas duas nunca me deram trabalho” pensou o deus do tempo resignado que seus outros filhos fossem tão problemáticos. Por último, mas não menos importante, seu filho mais velho e o mais difícil de alcançar. Hades o senhor do submundo. Observando o seu primogénito no submundo, tão escuro e solitário, Cronos não pode deixar de sentir um pouco de compaixão por seu filho mais velho. Ir ao submundo foi escolha do próprio Hades que não suportava a convivência com os outros deuses, que eram muito barulhentos para ele. Seu filho preferia o isolamento do submundo e isso era algo da própria personalidade de Hades que sempre fora calma, fria e indiferente. Mesmo sabendo disso tudo o senhor do tempo não pode deixar de ficar indignado, principalmente sabendo que seu filho acabara de se divorciar da deusa da primavera. - Nem ficar triste ele ficou – Resmungou alto o deus. O divórcio de Hades foi mais pacífico do que muitos acreditavam que seriam e a indiferença com que o deus dos mortos lhe dou com tudo aprofundou ainda mais a impressão r**m que todos os deuses tinham do senhor dos mortos. Não que ele ligasse. Segundo a opinião do mesmo Perséfone era muito barulhenta para o submundo sempre tão silencioso. E sem uma esposa para ter que lhe dar o senhor dos mortos pode se concentrar na única que apreciava fazer trabalhar. Que seu filho mais velho era um bom exemplo de irmão Cronos sabia e até estava orgulhoso, mas ele precisava ser um Workaholic? O senhor do tempo estava claro que Hades em realidade não fazia mais nada da vida além de trabalhar no submundo, tanto era, que muitas vezes os três juízes do inferno tiravam meio ano de férias porque simplesmente não tinham trabalho, já que todo o trabalho deles fora feito pelo o seu senhor. Indignado com a vida que estava levando o seu filho mais velho, o senhor do tempo decidiu que faria algo para mudar a vida monótona do filho. Mas o que fazer? O que poderia ativar o senso de responsabilidade de Hades ao ponto de ele ignorar o trabalho? Que tipo de coisa poderia fazer o seu filho impassível demonstrar um pouco de sentimentos? Cronos não tinha ideia, mas não significa que desistiria. Andando de um lado para o outro no salão o deus do tempo pensava, e seu cosmo ficou tão agitado que ele não notou que as imagens que projetava começaram a mudar. Mostrando o mundo humano as imagens pararam em cima de um diálogo que acabou por chamar a atenção do deus. - Viu como ele mudou depois de se tornar pai? – Falava uma mulher. - De fato! Nunca imaginei que ele fosse se tornar tão sensível depois do nascimento do meu neto – Respondeu um homem. - Bom o importante é que agora ele tem algo para fazer da vida que não seja apenas trabalhar – Devolveu a mulher rindo feliz. A conversa iluminou a mente de Cronos que teve uma ideia brilhante. Agora como colocá-la em prática? De m*l humor por seu plano está falhando antes mesmo de começar, o deus do tempo passa a mudar as imagens diante de si, como se o mundo fosse a sua tv. De forma totalmente aleatória o deus do tempo para em uma imagem de um jovem, em especifico o cavaleiro de Andrômeda. O garoto estava sentado, sozinho em um cemitério. Ele parecia bastante solitário. Mesmo de longe o deus do tempo conseguia sentir a melancolia do jovem rapaz, que já não tinha no olhar o brilho que o deus vira mais cedo. Não havia lágrimas ou queixas pronunciadas em voz alta, mas o vazio no olhar do garoto não era próprio da idade dele ou mesmo de sua condição como guerreiro de Athena. Um suspiro cansado escapou do jovem que se abaixou para pegar um buquê de tulipas amarelas jogadas no chão e as colocou no tumulo ao qual estava sentado. Sem pronunciar uma única palavra o jovem foi embora. Aproximando a imagem do tumulo no qual o jovem colocou as flores, o deus do tempo notou que não havia nome ou qualquer coisa que identificasse quem descansava lá. Intrigado Cronos continuou a analisar o local sem nada encontrar. Resignado o deus continuou a observar o jovem cavaleiro. Viu o garoto se dirigir a um pequeno grupo de apartamentos perto do cais e passar pela porta 102. Dentro do pequeno local, que o deus do tempo considerou muito bem organizado, Shun seguiu em direção a cama e lá se deitou. Sem fechar os olhos o virginiano ficou ali, inerte durante horas. Cronos o achou solitário e um pouco cansado. Já tendo se esquecido do filho, o senhor do tempo estava entretido observando o jovem que lhe tinha ajudado mais cedo. As coisas pareciam que iam ficar naquela monotonia depressiva, fazendo Cronos quase perder o interesse, se, não fossem as batidas brutais na porta. - Seu órfão maldito! – Gritava a voz de um homem – É melhor você abrir essa m***a de porta e me dizer aonde estar o filho da p**a do seu irmão! Naquele momento Cronos podia ver o jovem cobrir a cabeça com o cobertor. - Você e seu irmão são uma dupla de aberrações indesejáveis – Dessa vez gritava a voz de uma mulher – Dois mortos de fome, assassinos que ninguém quis. E os insultos e gritarias continuavam, o garoto escondido na cama não parecia nem um pouco disposto a se levantar para resolver o problema, apenas interessado em se esconder. Intrigado com aquela atitude passiva Cronos resolveu dar uma olhada em quem eram as criaturas que podiam aterrorizar até um cavaleiro de Athena. Qual não foi a surpresa do deus do tempo ao descobrir que aquelas pessoas na verdade eram servas da deusa da vingança. Se nem mesmo os deuses conseguiam lidar com aquelas criaturas, quem dirá um pobre mortal? Mas a pergunta que martelava na cabeça do senhor do tempo era, como diabos o garoto ofendeu Nêmesis? Tudo bem, a deusa se ofendia facilmente com quase tudo, mas raramente era ao ponto de mandar as suas servas atormentarem alguém. Isso era pior que as torturas do tártaro. Durante muitos dias o deus do tempo observou o jovem cavaleiro ser atormentado continuamente pela deusa da vingança e durante esse período Cronos descobriu que o jovem estava sendo perseguido simplesmente porque o seu irmão mais velho seduziu a deusa da vingança, como parte de uma aposta com o deus do amor. Ela descobriu a coisa toda e Ikki desapareceu, deixando o seu irmão caçula para ser torturado e limpar a bagunça no seu lugar. Sentindo pena do garoto Cronos decidiu interceder por ele, e enquanto pensava em como livrar o jovem do tormento de nêmesis, acabou se lembrando do filho mais velho e seu plano de colocar um pouco de emoção na vida de Hades. Nesse momento uma ideia brilhante passou pela mente do deus do tempo. Por que não m***r dois coelhos em uma única cajadada? Com um sorriso estranho a se formar na face o senhor do tempo convocou a deusa da vingança para uma pequena conversa.
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