Cronos encarava Nêmesis com um olhar repleto de sentimentos complicados. A deusa vingança tranquilamente tomava seu chá sem se importar com os sentimentos alheios. O silêncio no local era pesado e os sons dos relógios ao redor não ajudavam a diminuir a tensão.
- Realmente não vai me ajudar? – O deus do tempo quebrou o silêncio inquerindo.
- Não quero me envolver com Athena e seus cavaleiros novamente. Além do mais, essa situação toda é culpa sua – O tom da deusa da vingança era desinteressado enquanto ela brincava com um biscoito e fazia um gesto com a mão, convocando sua general que prontamente respondeu ao chamado de sua mestra.
- Isso pode causar uma nova guerra santa, você não se importa? – Cronos já estava no limite de sua sagacidade para tentar obter a ajuda da deusa.
- Na verdade eu não me importo. Isso é problema seu, minha parte eu já fiz. – respondeu a deusa displicente – Além do quê, a menos que você tenha deixado pistas, não acho que eles tenham inteligência o suficiente para imaginar que ele esteja no inferno.
- Você.... realmente...... – Cronos bufou de frustração por não saber o que responder, apenas olhando a deusa da vingança pegar a caixa que sua general tinha trazido e a colocando em cima da mesa. – O que é isso?
- Um pequeno presente para você. Não venha me dizer depois que eu lhe deixei na mão. – Dito isso a deusa partiu junto ao seu servo, deixando sozinho um deus do tempo com um grande pepino nas mãos.
Tomando a caixa em mãos, Cronos bufou. Abrindo a caixa, encontrou um pequeno pingente. O objeto era adornado com uma magnólia e uma rosa, desenhadas em prata e ouro. O deus não pode deixar de se surpreender, quando um rápido lampejo de ideia passou por sua mente.
A ideia logo foi descartada. Seria uma loucura, mesmo que resolvesse seus problemas com Athena e os cavaleiros. – “Se bem que ......” – Ele não tinha nada a perder e o garoto já estava com Hades......
A cada momento a ideia em sua mente tomava forma. Antes que o deus pudesse se quer se lembrar do motivo pelo qual tinha vetado a ideia, já estava a caminho do santuário de Athena na Terra.
Cronos se decidira, iria transformar Shun em um deus.
Enquanto isso no templo de Athena.......
Os doze cavaleiros de ouro e os quatro cavaleiros de bronze estavam presentes junto ao grande mestre no salão. Diante da deusa cada um falava o que sabia a respeito do desaparecimento misterioso de Shun. A tensão estava grande na sala.
Os dourados estavam em completa alerta. O desaparecimento de um cavaleiro sem motivo só cabia em duas hipóteses: a primeira; deserção, mas os garotos de bronze juraram que o cavaleiro de Andrômeda jamais faria isso. A segunda; guerra.
Era a últimas que mais preocupava a elite de ouro, para eles seria melhor se Shun fosse mesmo um desertor. É claro que nenhum deles expressaria esse pensamento em voz alta, principalmente dado que fora a deusa deles que primeiro notou a ausência do garoto.
- Creio vossa senhoria, que devemos passar a prestar mais atenção aos movimentos do Olimpo – Era Camus quem falava – Se o que Shaka disse é certo e isso tem algo a ver com algum deus, é provável que tenhamos de nos preparar para uma guerra santa.
- Vamos com calma Camus – Dessa vez quem falava era Afrodite – Se tiver algo a ver com algum deus, um movimento precipitado demais somente irá alerta-lo e caso não tenha, nossas ações poderão ser vistas como uma declaração de guerra.
Um silencio profundo se instalou na sala.
Uma guerra. Era o que todos ali queriam evitar a todo custo.
- Não sejamos precipitados – Athena falou – Vamos analisar os fatos primeiro, e mesmo que isso seja obra de um deus, antes devemos localizar Shun e a partir daí tomaremos uma decisão.
Todos assentiram em uníssono e até o grande mestre se surpreendeu com a maturidade da garota. Isso mostrava que suas lições foram escutadas e que a jovem estava cada vez mais ciente de seu dever como deusa.
Com tudo dito e feito, Shion ia atribuir aos cavaleiros suas missões com base no plano que traçara anteriormente. Separá-los-ia em grupos de busca e investigação, mas quem sabia que seria interrompido pelo deus do tempo.
- Olá! – Cronos chegou em uma carruagem dourada de teto aberto, puxada por cavalos de Pegasus e rodas de nuvens. Uma coisa bem exagerada e tão brilhante que doía os olhos.
Todos no salão ficaram em silêncio sem saber como responder aquilo. Vendo as faces perplexas de todos os presentes, Cronos resolveu sair da carruagem. O deus do tempo vestia uma roupa de discoteca azul brilhante dos anos 70, que combinava com uma faixa vermelho vinho segurando seu penteado Black Power na cabeça. As mangas esvoaçantes de seu robe rosa choque brilhante que vinha por cima da roupa bizarra, bateram nas faces dos cavaleiros de leão e touro, enquanto o deus descia da carruagem, cobrindo assim ambos os cavaleiros de glitter e purpurina rosa.
Athena não sabia como reagir. Em todos os seus milênios como deusa, jamais vira um deus, ainda por cima um da segunda geração, se portar daquela maneira tão...... espalhafatosa.
- Ninguém ensinou vocês que quando alguém chega é por certo cumprimentar a pessoa, principalmente se for mais velho – O deus reclamou, se esquecendo do fato de que não fora convidado ali, mas não deixando ninguém falar resolveu jogar a bomba que era o seu plano – Parem de procurar o cavaleiro de Andrômeda ele está vivendo sua vida pai e filho....
- O quê! – Ikki exclamou não deixando Cronos terminar de falar – Que p***a é essa de pai e filho?
- Oh garoto m*l educado, me deixa falar – O deus reclamou olhando para os pontos de interrogação em cima da cabeça de todos os presentes no salão – Shun. Está. Com. O. pai. Dele. – Vendo que ninguém ali tinha entendido se dignou a explicar – Shun não é filho do Mitsumasa Kido, ele é filho de um deus. E agora voltou para a família.
- Como assim? – Athena perguntou perplexa – Quem são os pais dele? Por que agora? Como isso aconteceu? Como ele veio parar na terra? E o que o senhor, o deus do tempo, tem a ver com essa história?
- Calma! Uma pergunta de cada vez! Os detalhes não importam. Eu somente vim avisar que não vai ter guerra santa e que o garoto está bem. – Dito isso Cronos passou a flutuar no ar. Seus sapatos plataforma batendo na cabeça de Seiya.
- Comece explicando essa história de Shun ser filho de um deus – Shion se pronunciou indicando aos cavaleiros para se afastarem com um gesto.
- Pois bem...... – Cronos começou se preparando para contar a história que tinha forjado – Há muitos anos um certo deus se apaixonou por uma mortal, mas não puderam ficar juntos. Desse amor nasceu um pequeno fruto e esse foi Shun. Temendo não poder ficar para proteger a criança, esse tal deus deixou um medalhão com o garoto e voltou para o mundo divino. Shun herdou grande parte do poder do pai e o poder estava prestes a sair de controle, então eu, que sou um grande amigo desse deus resolvi interceder e fazer uma reunião pai e filho. Por esse motivo vocês não precisam gastar tempo procurando-o.
Terminando de falar Cronos tirou um medalhão do bolso.
- Essa é a prova de que Shun é filho de um deus. O lugar dele é no mundo divino, junto ao pai, treinando para controlar o poder divino que tem – Depois de mostrar o medalhão tornou a guardá-lo e sorriu. – Alguma pergunta?
- Quem é o pai de Shun? Nós o conhecemos? – Athena indagou, mas é claro que dada a história longa e complicada que Cronos inventou, ele não se preocuparia em mentir um pouco mais – Isso minha cara, não posso dizer. Apenas vim aqui para lhe alertarem; parem de investigar. Esse assunto não lhe diz respeito.
Sem dar chance de reposta para ninguém, o deus do tempo rapidamente voltou para sua carruagem, indo embora de imediato. Perplexos os cavaleiros não sabiam o que comentar. Nessa situação Athena os dispensou, enquanto pensava que atitude tomar diante da inesperada situação.
Enquanto isso no submundo.......
Hades já havia retornado ao seu reino. O passeio que deu no mundo mortal havia deixado seu pequeno bolinho cansado, tanto que o garoto dormiu o tempo todo no colo do deus, no caminho de casa. Era apenas que Hades não esperava se deparar com uma grande confusão quando retornasse, que acabou acordando o garoto que lhe encarou com os olhos lacrimejantes.
Olhando naqueles orbes verdes, uma fúria não pode deixar de crescer no deus. Quem se atrevia a acordar seu filho?
Manifestando sua aura n***a, o senhor do submundo pois fim ao caos instalado em seu reino, com passos firmes seguiu em direção ao centro do problema aonde estavam seus três juízes ajoelhados e nervosos, apenas para se deparar com seu pai em uma ridícula roupa carnavalesca sentado em um carro alegórico de muito m*l gosto e rindo como uma hiena.
- Olá, meu querido filho.