De pai para pai

774 Palavras
O sorriso no rosto do deus do tempo era irritante aos olhos do deus da morte. Hades estava zangado tanto pela aparição repentina de seu pai, quanto pela bagunça que este causou em seu reino. Ele só não sabia qual lhe dava mais raiva. Massageando a ponte alta do nariz, enquanto embalava a criança em seus braços, Hades lançou um olhar repleto de significado para o pai. Uma pergunta muda e irritada do que Cronos fazia no submundo. - É claro que todos esses anos aqui só serviram para estragar a sua personalidade! – O deus do tempo falava enquanto as penas de suas roupas carnavalescas voavam por todo o canto – Poupa palavras até mesmo para seu pai. Nem parece aquele garoto adorável que vivia me seguindo e imitando por tudo quanto era lado. - O que você quer? – Perguntou rangendo os dentes, enquanto seus subordinados tremiam de medo ante a clara fúria de seu mestre. - O garoto – Cronos colocou um olhar sarcástico no rosto apontando para criança no colo do filho, fazendo com que os espectros e Hades entrassem em posições de batalha – Calma! Eu apenas vim ver como está o garoto. Isso não foi o suficiente para retirar a tensão do ar. Dando um suspiro pesado, Cronos sacudiu uma das mãos e o espaço ao redor dele e do filho começou a mudar. Em poucos instantes eles estavam na dimensão do tempo, uma região misteriosa no universo aonde Cronos reinava absoluto, naquele lugar deuses como Hades, Zeus e Poseidon não eram melhores que os frágeis humanos, por essa razão o trio de irmãos divinos odiavam esse lugar. - Pai! – Hades exclamou furioso - Fico feliz que ainda lembre que eu sou seu pai! – Cronos falou, enquanto ao seu comando uma mesa completa para o chá da tarde aparecia no local – Venha, sente-se! É hora do chá.    Sem muita vontade Hades se sentou na companhia do pai para o chá. Ele sabia que naquele lugar sua vontade não seria levada muito a sério. Enquanto o deus do submundo xingava o deus do tempo em sua mente, um berço se materializou ao seu lado. Encarando o pai com uma pergunta muda, Hades entrou em modo de defesa, protegendo o garoto que pegou como filho com seu próprio corpo. Cronos não sabia se ria ou chorava vendo isso. - Coloque o garoto no berço. Não vou fazer nada com nenhum de vocês – Falou o deus do tempo com uma voz pacificadora – Somente o trouxe aqui para conversar, além do mais, você não vai conseguir tomar chá com uma criança no colo. Hades encarou o pai por algum tempo antes de finalmente se resignar e colocar o bolinho no berço, acompanhando o deus do tempo em seu chá. Cronos sorriu entregando ao bebê uma estrela. - Então....... – Hades incentivou o pai a começar a falar. - Aqui – Falou Cronos retirando o medalhão que Nêmesis lhe deu do bolso – Esse medalhão é a prova de que o garoto é seu filho. - O quê? – Avaliando o medalhão Hades, encarava o pai de maneira interrogativa esperando uma explicação – Como assim? Quem é esse garoto? Por que você o deixou comigo? Quem são os pais? - Ele é.......... bem, Nêmesis o deixou comigo. – Cronos respondia enquanto elaborava o seu teatro – Segundo ela, o menino tem poderes divinos, todos selados no medalhão. Eu não estou muito a fim de criar o garoto, como de todos os seus irmãos você é mais sozinho e responsável, achei que seria uma boa ideia deixá-lo com você. Hades olhava para o sorriso de seu pai um tanto desconfiado. As coisas que saiam da boca de Cronos, poucos se atreveriam a acreditar. Hades olhou para o bebê que rolava no berço inquieto. - Não importa. Eu já o levei como meu filho, seja lá quem ele for, já não importa mais. – Cronos pode ver no olhar do filho uma sugestão rara de sorriso e não pode deixar de se surpreender. – Cuidarei bem dele. Levantando-se, Hades foi até o berço e tomou o garoto de volta aos seus braços. Sem dizer mais uma palavra, Cronos entregou o medalhão ao filho e o mandou de volta ao submundo com a criança. Sozinho ali, o deus do tempo começou a pensar com seus botões. “Agora que Hades é pai, nada melhor que comemorar” Com isso em mente, ele pegou uma caixinha brilhante do bolso, um celular, e mandou uma mensagem para o seu neto favorito. Ao final das contas, ninguém entendia mais de festas do que Dionísio.
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