O poder de um deus

830 Palavras
No centro de um mar de correntes uma criança de cabelos verdes, pele pálida como a morte e o rosto manchado de sangue se erguia. Os olhos encobertos em sombras pelos longos cabelos do garoto lhe davam um ar macabro. Ele parecia estar falando algo, mas da distância em que estavam os cavaleiros era incompreensível.     -Fiquem longe do meu filho – Um gemido baixo e rouco soou. A voz parecia carregada de dor e urgência. Lançando o olhar para a fonte da fala, os cavaleiros viram o moribundo imperador da morte tentar com dificuldade se levantar do chão. No entanto o deus apenas caiu inconsciente novamente.     Shaka encarou mais uma vez a criança, com a informação deste agora ser filho de Hades e tinha outro detalhe que parecia ter sido passado em branco pelos cavaleiros que agora foi notado pelo virginiano. A armadura de Andromeda.     -Creio que encontrei o Shun – Shaka falou chamando a atenção dos companheiros – E ele está prestes a destruir o mundo.     MU e Aiolos observavam com choque a constelação da princesa brilhar de forma incandescente e a pequena forma da criança aos poucos crescer e se tornar um adolescente. Outro fato chocante foi a armadura de Virgem abandonar o corpo de Shaka tomando lugar ao lado da armadura de Andromeda.     -Acho que vai precisar de mais do que nós três para resolver esse problema – Aiolos tentou contar uma piada para relaxar. Como cavaleiro de Athena já havia passado por poucas e boas na vida e na morte, mas nunca tinha visto um poder tão assustador assim.     -MU mande uma mensagem de ajuda para o santuário - Falou Shaka rapidamente – Avise que precisamos de todos os cavaleiros de ouro e da deusa nos Elíseos imediatamente.     Chamar ajuda era um plano bom, no entanto MU não teve a chance de sequer pensar em mandar algo quando da terra emergiram mulheres equipadas dos pés à cabeça para batalha. Não dando muito tempo de reação aos cavaleiros as guerreiras começaram a atacá-los de todos os lados, como anticorpos que tentavam expulsar vírus malignos do corpo.    O brilho que saia da armadura de Andromeda se intensificou ainda mais quando a armadura de virgem passou a brilhar junto com ela. E Shun, o causador de toda essa confusão apenas permanecia no centro de tudo em transe. Sua mente estava colapsando junto com o mundo ao seu redor.     Na morada do deus do tempo, Cronos não parecia estar ciente de que o mundo, ao menos o submundo e o mundo humano estavam enfrentando o apocalipse. O deus estava mais preocupado com seus experimentos culinários.     Fazia alguns séculos que Cronos havia construído uma cozinha em sua casa, fruto de um desejo fugaz de aprender a cozinhar. Só que depois de quase ter destruído o Olimpo tentando fazer um sanduíche ele desistiu. Hoje, no entanto, bem no dia do apocalipse ele, inspirado, resolveu fazer um bolo. A lembrança da sobremesa que comera no mundo humano não saia de sua cabeça e ele achava que não era tão difícil.     Bem quando o deus do tempo estava colocando o bolo para assar entra uma irritada Héstia em sua cozinha.    -Papai! O mundo está prestes a acabar, o que o senhor está fazendo? - Questionou a deusa, assustando Cronos e fazendo ele derrubar a massa no chão.     -Ocupado! - Respondeu suspirando e com pouca paciência lhe sobrando, brincou com o tempo da massa e fez um bolo – E como o mundo pode estar acabando? Não me diga que Zeus e Prometeu foram jogar tiro ao alvo com os asteroides de novo? Eles não aprenderam nada com os dinossauros?!    -Não é isso! - Falou a deusa com impaciência - Algo aconteceu no submundo.     -Hades brigou com Poseidon de novo? - Questionou Cronos, nem passando por sua cabeça que ele pode ser culpado disso.    -Não, ninguém sabe ao certo. Zeus proibiu os deuses que habitam o Olimpo de desceram a terra, mas eu olhei pelo espelho d’água e Poseidon parece estar passando por maus bocados - Héstia parecia receosa – Zeus disse para não vir lhe perturbar, mas aquele feixe de luz está ficando mais forte e...    -Feixe de luz? - Interrompeu Cronos, agora prestando verdadeiramente atenção as palavras da filha.     Vendo que o Pai estava realmente desatualizado das notícias, Héstia o levou rapidamente para fora de casa e lhe mostrou o raio de luz que cruzava o Olimpo até a imensidão da galáxia. Nisso a deusa viu pela primeira vez na vida o deus do tempo suar frio.     Cronos ignorando a tudo e a todos correu até a parte mais profunda de seu templo, no lugar onde corria um rio sinuoso de galáxias e universos. E lá ele pode ver o colapso.     Universos colidindo com universos, um poder nunca antes visto. Aliás, Cronos o viu uma vez. Era o poder que Gaia e Urano juntos conseguiram suprimir.     O poder da criação do universo e o poder de sua destruição.     O Caos.    Mas como infernos?!  
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