Uma descoberta para mudar o mundo

1242 Palavras
O tempo é algo interessante. Sua percepção muda de acordo com a pessoa que o vê passar e ao mesmo tempo ele é a coisa mais imutável que existe.     Observando seu filho correr alegre pelo jardim era nesse tipo de pensamento que a mente de Hades se via envolta.     Como deus o tempo era irrelevante para ele, mas pela primeira vez em sua longa vida, o senhor da morte sentia que o tempo não era suficiente. Para ele parecia que seu bebê crescia rápido demais ele não queria isso.     Hades se via envolto no dilema mais antigo dos humanos, sentindo as mesmas emoções que qualquer pai ou mãe que se preze no mundo sentia ao ver seu filho crescendo.     Ele sentia medo e orgulho.    -Papai – O garoto lhe chamou a atenção - Uma flor.     O sorriso meigo junto aos olhos brilhantes cativava a mente e o coração de qualquer pessoa que os visse e com Hades não seria diferente. Ele pegou a flor que lhe era oferecida com um sorriso relaxado e a colocou atrás da orelha enfeitando os grossos cabelos negros.     Vendo as ações do pai, o menino sorriu feliz e saiu correndo novamente. Ao longe os deuses da morte e do sono observavam as interações entre pai e filho. Em suas mentes uma crescente preocupação.     A criança já tinha quase três anos, quando ele era bebê não dava para perceber. No entanto à medida que o garoto crescia a semelhança dele com o cavaleiro de Andrômeda ficava mais óbvia e eles acreditavam que o seu senhor também havia percebido isso. Principalmente porque o dito cavaleiro tinha a aparência idêntica ao do seu senhor.    Hypnos e Thanatos se questionavam se deveriam levantar a questão para Hades ou se deveriam deixar a vida seguir seu rumo. De repente uma explosão de cosmo é ouvida e sentida pelos dois vinda da direção que o deus da morte e a criança estavam. Assustados os gêmeos saem correndo na direção do distúrbio.    Quando chegam lá a cena os choca.     Hades está empunhando sua espada em direção a criança que está cercada de correntes. Atrás do garoto a armadura de Andromeda se ergue orgulhosa com seu brilho rosa a refletir na criança.     As correntes começam a se mover, a criança no centro de sua formação começa a manifestar um poder além dos deuses. Um forte tremor sacode todo o submundo. Lágrimas de sangue rolam pelo rosto da pequena criança.     -Papai – Uma única palavra que parecia estar carregada de significado.     O poder do garoto parecia se descontrolar cada vez mais. De súbito as correntes atacam aos deuses com clara intenção de m***r. Hades se defende, mas a espada é presa pelas correntes e tomada de suas mãos o forçando a recuar.     Um cosmo dourado emana da armadura, o cosmo de Athena. Um feixe de luz rasga os céus cruzando o submundo e chegando até a superfície.       No santuário de Athena o tremor no submundo causou alerta, o feixe de luz assustou a deusa daquele santuário. Rapidamente Athena convoca o grande mestre e seus cavaleiros. Sem perder muito tempo com explicações ela dá ordens.     -Shaka, Mu e Aiolos – Chama a deusa - Vão até o local do feixe de luz e tragam de volta o cavaleiro de Andrômeda. E sejam rápidos!     Nem bem as ordens foram dadas os três cavaleiros partiram. No salão com outros santos dourados reunidos a deusa se acalmou e explicou.     -Aquele é um sinal da armadura de Andrômeda - Sentando-se no trono com ar cansado a deusa continuou – O desaparecimento de Shun é algo preocupante, precisamos dele de volta.     -Eu entendo suas preocupações Athena – Se pronunciou Afrodite – No entanto o cavaleiro de Andrômeda já está desaparecido a três anos. Por que apenas agora há algum sinal?     -Eu não sei Afrodite – Suspirou a deusa – Cavaleiros! A partir de agora devem se preparar para um possível confronto armado. Se a suspeita do desaparecimento de Shun for o que eu acredito que seja, temo que uma nova guerra santa nesse século não possa ser evitada. A partir de agora até novas ordens o santuário entra em lei marcial.     Com suas ordens dadas Athena dispensou seus cavaleiros.     Lembrando-se dos meses de investigações que acabaram em nada a três anos atrás a jovem deusa tinha em seu coração duas esperanças; a primeira que Shun estivesse morto e assim poderiam enterrá-lo com a honra merecida de um cavaleiro e a segunda era que o garoto deveria ter uma boa explicação para três anos de desaparecimento.     No entanto a deusa sabia que nenhuma das duas era boa.    Enquanto três cavaleiros corriam em disparada para um enorme feixe de luz e o santuário entrava em lei marcial. No submundo o caos reinava.     Hades tentava com todas as suas forças junto aos deuses gêmeos suprimir os poderes de Shun, mas quanto mais tentava controlá-los mais descontrolado os poderes ficavam. O poder era tamanho que o equilíbrio do mundo dos mortos se via afetado.     Os espectros não conseguiam resistir a tamanho poder e aos poucos todos, mesmos os três juízes caíram inconscientes. As almas estavam sendo destruídas, as chamas do flaetonte congelaram e o gelo do cócitos derreteu. O Estige estava pintado de vermelho e as almas do submundo foram varridas para a inexistência. As margens do Caronte nunca estiveram tão vazias.     No Olimpo os deuses tinham uma estranha sensação, como se o frágil equilíbrio que mantinha o mundo estivesse sendo abalado. Foi Artémis quem primeiro apontou para o estranho feixe de luz que cruzava o centro do Olimpo e parecia vir do submundo. Isso perturbou os deuses.     Agitados, a única coisa que impediu os Olimpianos de descerem até o inferno para tirarem satisfação com Hades foi uma ordem de Zeus para que nenhum deus descesse ao submundo e a instauração de lei marcial pelo senhor do olimpo.     Nos Oceanos Poseidon passava por maus bocados. Os temores do submundo estavam causando tsunamis e maremotos de escalas gigantescas pelo mundo. Mesmo a contra gosto o senhor dos mares não podia deixar que os humanos fossem exterminados por isso ou teria que ouvir uma montanha de reclamações de Athena e outros deuses terrestres a respeito de sua ineficiência no trabalho.     Assim os marinas foram mandados para os quatro cantos do mundo para ajudar no controle dos desastres. O templo de Atlântida estava em lei marcial e o próprio Poseidon estava tendo que pedir ajuda a todas as entidades aquáticas que conhecia para fazer o controle das águas. O poder para controlar as águas era enorme. Do lado de fora do salão do deus dos mares vários deuses se reuniam para fortalecer o cosmo de Poseidon que por sua vez usava de todo o seu poder físico e mental para diminuir ao máximo as ondas e torrentes que apareciam ao redor do mundo ao mesmo tempo.    Os tremores não paravam. Vinham um atrás do outro. Poseidon já estava no limite que seus poderes ainda parcialmente selados permitiam e os marinas se viam no fim de suas habilidades. O Olimpo e o santuário se mantinham em silêncio.     Nos Elíseos, que agora não parecia diferente do inferno três cavaleiros de Athena puseram seus pés. A visão daquele lugar era esmagadora e o mais chocante era que depois de andarem um pouco o trio de cavaleiros encontrou três deuses desfalecidos no chão. Hades, se a ironia permite, estava quase morto.     Um pouco mais à frente a causa de tudo isso.     Um bebê
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