No santuário, Athena acaba de receber um informe de Hemes. Atrás dela o grande mestre e Shaka esperavam. -Parece que Zeus e Poseidon estavam pregando peças em Hades – Athena se virou falando com os dois homens que a aguardavam – As coisas parecem ter terminado sem maiores preocupações. Enquanto falava a jovem deusa caminhava em direção a sua estátua que se erguia no ponto mais alto do seu santuário. -Senhorita Athena – O grande mestre falou acompanhando os passos da jovem – O que faremos quanto ao caso de Shun? -Precisamos de mais provas – Respondeu a deusa – Tudo que temos até agora é a intuição de Shaka, apesar de sabermos quão poderosa ela é; não é o suficiente para reclamarmos com Hades. Eu também não quero começar uma nova guerra santa. A voz da deusa soava melancólica. Ela não queria acreditar que Shun deserdaria, mas também não conseguia encontrar provas de que ele estivesse em outro lugar. E se ele realmente estivesse nas mãos de Hades as consequências seriam desastrosas e talvez uma segunda guerra santa não poderia ser evitada. -Na realidade – Shaka falou um pouco hesitante – Aquela criança de Hades é muito estranha. Para o filho de um deus ele não emana cosmo algum e aqueles olhos, eu tenho certeza de que seja no céu ou no inferno não existem olhos iguais aquele. Os três caíram em profunda contemplação. Uma serva se aproximou. -Minha deusa – saudou a criada – Os cavaleiros de Bronze se encontram no salão do trono em busca de uma audiência. Tendo entregado a mensagem a jovem serva se afastou. Athena, o grande mestre e Shaka se entreolharam seria uma conversa longa. No salão do trono de Athena, os quatro cavaleiro de bronze que ali estavam se curvaram em respeito quando a deusa chegou, até mesmo Ikki o fez de m*l grado. Ikki, Hyoga, Shiryu e Seiya apenas queriam notícias de Shun. -Eu sei para o que vieram – Pronunciou a jovem deusa assim que se sentou em seu trono – no entanto, por agora eu não posso lhes revelar o paradeiro de Shun e devo alertá-los para não o buscarem por conta própria. Os quatro cavaleiros se agitaram, pelo o que eles sabiam Shun estava desaparecido e havia suspeitas dele ter deserdado. Eles apenas não sabiam se era verdade ou não. -Athena – Hyoga falou – Shun, ele não estaria em perigo, certo? A jovem deusa hesitou e frente a hesitação dela o grande mestre tomou a palavra. -Mesmo que ele estivesse, como cavaleiro é o dever de Shun enfrentar e superar o perigo de frente – A voz de Shion era digna e firme - Não importa o que aconteça daqui para frente vocês cavaleiros de bronze não devem se meter a menos que recebam ordens. Tendo dito isso os cavaleiros foram dispensados. As três pessoas que sobraram no salão suspiraram em seus corações sabendo que aqueles quatro não iriam obedecer às ordens dadas. -Eles não irão dar ouvidos as ordens Athena – Shaka deu voz aos pensamentos que os outros dois mantinham em seus corações - Creio que o destino de Shun agora é incerto. -O destino de um cavaleiro sempre foi incerto Shaka – Disse Shion – Vamos fazer o possível agora para evitar uma possível guerra. Enquanto o santuário se preocupava com uma possível guerra santa, o submundo estava em um dilema. Nos campos Elíseos Hades sorria de orelha a orelha assustando quem quer que o visse. Shun estava dormindo agora nos braços das ninfas depois de um dia conturbado a criança estava cansada. A felicidade de Hades estava tão grande que ele concedeu anistia a todas as almas que vagavam nas margens do rio caronte e lhes permitiu passagem para a vida pós mortem. Aquele dia era histórico no submundo. Alheio a confusão e excesso de trabalho ao qual delegou para seus espectros Hades de forma feliz e relaxada cuidava de seu jardim morto. Na realidade a felicidade do deus se dissipou um pouco quando viu o jardim. Desde que a criança chegara o mundo anteriormente morto de Hades tinha ganhado uma espécie de vida, de alguma forma aquele lugar melancólico e morto que anteriormente lhe trazia paz o incomodava agora. Deixando de lado as ferramentas de jardinagem o senhor dos mortos seguiu em direção ao local aonde seu filho fora encontrado. Pensando na criança ele não pode deixar de sorrir. Seus olhos vagaram pelo local e pousaram em uma pequena parte que brilhava cheia de vida e vigor. Surpresa se espalhou pela face do senhor dos mortos que se abaixou para tocar delicadamente a pequena flor que crescia no solo infértil e morto do submundo. Com medo de machucar a pequena planta o deus dos mortos não se aproximou demasiado. A flor nascera no local aonde seu filho fora deixado. Suas folhas brilhavam com o verde esmeralda dos olhos do infante e suas pétalas eram brancas e puras como a pele da criança. Aquela flor era um tesouro, pois nascia no inferno, onde a vida não perdurava. Animado o deus olhou ao redor e rapidamente caçou uma redoma de vidro entre suas coisas de jardinagem. Afastou as plantas mortas daquele pequeno ponto de vida e a protegeu. Chamou aquela flor de Shun e passaria a cuidar dela com o mesmo amor e carinho com o qual tratava o filho. Aquela pequena flor se tornara seu jardim inteiro.