Enquanto Zeus, Hades e Poseidon se enfrentavam no salão dos mares em Atlântida um certo deus do tempo observava divertido a confusão.
Mefistóles foi retirado de sua prisão no espaço-tempo por seu irmão e agora vivia no palácio das horas, mas vez por outra ele invadia o salão do tempo em que Cronos passava a maior parte de sua eternidade para dar uma pequena espiada nas ações dos deuses e dos mortais.
- O que há de tão engraçado no espelho d´água irmão – Cronos perguntou adentrando o aposento e se deitando preguiçosamente em um divã ao lado da janela que dava uma vista fenomenal para o universo.
- Meus queridos sobrinhos estão prestes a destruir o universo –Mefis falou rindo.
- De novo? –Falou Cronos despreocupado – Qual a razão da briga dessa vez?
- Parece que Poseidon sequestrou o filho de Hades –Explicou ao irmão entre uma risada e outra – Eu apenas não sei o que Zeus está fazendo lá.
- Deve ter ido por lenha na fogueira –Cronos falou com descaso e fechou os olhos – Apenas me chame se o universo realmente entrar em colapso.
- Pode deixar – Mefis soltou uma pequena risada e continuou a observar a confusão entre os três irmãos.
No salão dos mares a tensão estava grande. Os guerreiros dos três exércitos se confrontavam com olhares ameaçadores, apenas esperando as ordens de seus mestres para atacar.
O sorriso debochado de Poseidon, o olhar pateta de Zeus e o semblante sério de Hades tornava toda a situação imprevisível. No meio da coisa toda uma pequena criança s*******o alguma da confusão que se instaurava ao seu redor. A ignorância era certamente uma bênção ou o garoto apenas sabia que não sairia machucado daquilo.
Quem estava preocupada era a deusa Athena, que do ponto mais alto do santuário observava o santuário vizinho do deus dos mares balançar com três cosmos absurdamente poderosos.
-Quem te convidou Zeus? - Perguntou Poseidon sem um pingo de sutileza.
-Eu me convidei, é claro! - Respondeu o senhor dos raios sem um pingo de vergonha na cara – Para essas coisas ninguém me chama!
Nesse ponto Zeus e Poseidon começaram a discutir a respeito de Zeus ser muito mimado e birrento, perdendo totalmente o ponto principal da situação. Coisa que por sinal retirou o resto de paciência que Hades detinha.
-Calem a boca! - Gritou o deus dos mortos – Poseidon devolva meu filho! Zeus vá arranjar algo para fazer! E pelo amor de Gaia, Sorento, se você começar a tocar essa flauta eu juro que irei te aprisionar no tártaro.
O coitado do Sorento que apenas estava lustrando a flauta se encolhe de medo com a repentina explosão do temperamento do senhor dos mortos. Hades estava tão furioso que chamas começaram a sair de seu corpo se espalhando por todo o templo do mar, o lamento das almas prisioneiras do inferno pode ser ouvido e os guerreiros de Zeus que nunca haviam se deparado com tamanha miséria começaram a se contorcer de dor.
Repentinamente o salão se tornou um inferno. Ao redor do mundo chamas azuis consumiam as águas e fantasmas podiam ser vistos em plena luz do dia, causando medo e pânico nos infelizes que tiveram o azar de presenciar o fenômeno.
Nos braços de Poseidon a pequena criança se remexeu, estendendo os rechonchudos bracinhos em direção ao pai. Diante dos três deuses o pequeno pacote de bolinho soltou.
-Papaplapla – O garoto se contorcia tentando escapar dos braços do deus dos mares – Papa.......
Hades congelou. O garoto nos braços de Poseidon continuava se contorcendo de tal modo que o deus dos mares tinha dificuldade em segurar a criança. Em um momento de descuido Zeus agarrou o garoto e correu para a saída do templo do irmão.
-Bombeou dançou mano! - O senhor do Olimpo ria descontroladamente, enquanto fugia com a criança e uma tropa a reboque. O garoto continuava a gritar “papa” sendo levado pelo tio.
Quando Hades finalmente voltou para a realidade, uma explosão de cosmo varreu o salão, os espectros foram brutalmente reprendidos por deixarem Zeus levar a criança e Hades decretou que Poseidon estaria na lista n***a do inferno até a segunda ordem. Furioso com os irmãos o deus da morte partiu atrás de Zeus.
No Olimpo Zeus brincava com a criança de forma animada, parados e encarando o senhor dos trovões estavam Hera e Apolo. Ambos estavam ali para saber o motivo de Hades está pondo abaixo todo o Olimpo, mas não esperavam que a razão fosse responsabilidade do próprio Zeus.
-Não acredito que você realmente sequestrou o filho de Hades – Bufou Hera, observando o marido brincar com a criança com uma pitada de inveja visto que ele nunca fizera aquilo com os próprios filhos.
-Pai, o tio Hades está furioso! - Falou Apolo – Ele já destruiu o Jardim de Afrodite, a ferraria de Hefesto, o salão de Artémis e até os meus estábulos não escaparam. Ninguém consegue pará-lo.
-Chame Athena! - Bradou Zeus – Diga para ela e seus cavaleiros resolverem essa situação.
-Você enlouqueceu Zeus! - Gritou Hera – Transformar o Olimpo em um palco de guerra santa, apenas para satisfazer seus caprichos!
Hera estava tão furiosa que sentia que seu coração estava prestes a parar. Zeus continuava a brincar com o garoto e não se importava mais com nada. Nesse interim Poseidon adentrou no salão.
-Saiam! - Ordenou o deus dos mares – Quero falar com o meu irmão.
Hera e Apolo se entreolharam, dificilmente se sabia quando Poseidon chegou ali, mas eles sabiam que aquela confusão começou com ele.
-Saiam – Falou Zeus levemente, interrompendo o sermão que Hera estava prestes a dar no irmão - Aproveitem chamem Hades aqui.
Quando os dois deuses saíram, Zeus retirou a atenção que colocava na criança e lançou um sorriso descontraído para o irmão.
-Não sei como você ainda consegue sorrir assim – Falou Poseidon – Essa criança, ela não é normal.
-O garoto é filho de Hades, onde você espera que ele seja normal? - Devolveu Zeus revirando os olhos.
-É um bastardo! - Gritou o deus dos mares.
-Eu não tenho nenhum preconceito – Disse Zeus sorrindo e observando o irmão bufar.
Ele sabia ao que Poseidon se referia. O problema não era o garoto ser um bastardo, metade dos deuses do Olimpo eram. O problema era que aquele garoto intitulado o “herdeiro de Hades” não tinha um traço de sangue Olimpiano e ao mesmo tempo o poder que emanava daquele pequeno corpo era comparável ao poder dos deuses primordiais.
“Muito problemático” - Zeus pensou.
Do lado de fora do salão o cosmo n***o de Hades inundava tudo, murchando flores e degradando edificações. Ouvindo a conversa dos irmãos o senhor dos mortos resolveu guardar em seu coração um lugar para eles no tártaro.
-Devolva meu filho! - A voz baixa, rouca e ameaçadora de Hades soou enquanto ele abria a porta.
Os dois deuses o encararam com olhares complexos e não falaram nada enquanto viam o irmão se aproximar. A criança que brincava com Zeus ao ver o pai largou tudo o que estava fazendo e esticou os bracinhos na direção do senhor dos mortos.
Cansado daquele drama, Zeus deixou que o irmão tomasse a criança sem mais problemas.
-Hades de quem é essa criança? - Perguntou Zeus observando a forma doce e carinhosa com que Hades tratava o garoto.
-Ele é meu filho e isso é tudo que vocês precisam saber – Respondeu Hades – Se querem saber mais perguntem ao pai.
Curto e grosso como apenas o deus dos mortos consegue ser, Hades foi embora sem maiores explicações. No lugar em que ele estivera pela última vez uma montanha de ouro, prata e outros tesouros se erguia brilhante e majestosa.
Zeus caminhou até aquela montanha e pegou um pergaminho que flutuava no ar na frente daquela monstruosidade, ao ler ele soltou um riso sarcástico e jogou o rolo para Poseidon. O confuso senhor dos mares abriu o pergaminho que continha o seguinte dizeres:
“Isso deve cobrir as coisas que eu destruí, se precisar de mais avise”
Poseidon olhou aquelas palavras e olhou a montanha de riqueza novamente.
Certamente nenhum deus era mais rico que Hades.