Adeus, Dodds

2869 Palavras
Dominick “Sonny” Carisi Jr. — Ainda não acredito que decidiu ir embora. — digo comendo o bolo de despedida do Dodds — É. — ele murmura — Nem eu. Eu sabia que essa unidade era temporária, mas gostei de vocês. — Vou sentir sua falta. — admito — Será o único. — Amanda implica rindo — Não fale assim, Amanda. — Liv ri — Tem uma pessoa que, com certeza, não sentirá a minha falta. — Mike diz — Lucy. — Ah, ela já se acostumou com você pegando no pé dela. — digo — Aliás, já não era pra ela ter chegado? — Amanda comenta — Ela volta hoje, não? — Bom dia, squad! — a voz de Lucy é ouvida Ela caminha pra onde estamos carregando a bandeja com cafés pra gente e apóia na mesa. Está com seus jeans, sua blusa preta e seu sobretudo tradicional. O diferente é seus cabelos que estão soltos. Ainda sorrindo, ela olha para a faixa que fizemos de despedida para Dodds e para o bolo dele. Depois, se vira pra ele. — Parece que o cão de caça do chefe vai sair do meu pé. — brinca — Eu disse. — Dodds dá de ombros — Vou sentir sua falta, cara. — ela o abraça brevemente — Um segundo. — Olivia diz pegando o celular que toca — Benson. — atende Eu estou parcialmente sentado sobre minha mesa enquanto ouço Liv no telefone e como meu bolo. Lucy para entre minhas pernas e se inclina na minha direção, com as mãos na minha coxa. — Essa é sua postura profissional? — sussurro para ela — Eu quero. — ela abre a boca me olhando — Não. Vai pegar o seu. — protejo meu pratinho de bolo — Por favor. Amor! — faz bico e tenta pegar meu bolo — Não vem com chantagem. Não vai rolar. — digo rindo e protegendo meu bolo dela — Feio. — ela me dá língua — Certo. Lucy e eu iremos pra lá. — ouço Liv dizer e Lucy se vira para nossa tenente que desliga a ligação — Fin tem algo. Parece que temos um caso. Agente penitenciário que estupra detentas. — Isso é sério? — Dodds franze o cenho e Lucy consegue passar o dedo na lateral do meu bolo, roubando a calda — Lucinda. — resmungo e ela leva o dedo sujo de chocolate a boca — É. — Olivia responde ao Mike — O filho do Fin é assistente social, a suposta vítima ligou para ele e Fin ligou pra mim. Lucy, você e eu vamos para o hospital encontrar com eles. — Tudo bem. — Lucy concorda — Espero que seja um caso rápido. — sussurro no ouvido da minha namorada — Se eu adiar mais um almoço pra família te conhecer, minhas irmãs me matam. — Do jeito que tô nervosa com isso, tomara que demore um pouquinho. — Lucy brinca — Vamos! — Liv a chama indo para a saída Antes de sair, Lucy passa novamente o dedo no meu bolo para roubar mais calda de chocolate. Enquanto ela segue Olivia, eu observo o balanço dos seus quadris dentro daquele jeans escuro. Suspiro. — Lamento que sua última semana seja com um possível complicado caso contra nossa própria raça. — Amanda comenta com Mike e eu viro o olhar na direção deles — Tudo bem. — ele diz — Eu quero fazer isso. ★ Lucy González ★ Com a falta dos remédios, eu estou sentindo um pouco mais a realidade. Meu apetite está desenfreado, tenho dores de cabeça constantes e dificuldades pra dormir cedo. Quase não tenho ido para o meu apartamento e o closet do Carisi está cheio de coisas minhas. As coisas tão evoluindo rápido, mas de forma natural. Por exemplo, já faz uma semana que trocamos a posição s****l. Agora, além do típico papai e mamãe que me deixava mais confortável, testamos posições que nos dão mais prazer, como eu por cima ou de quatro, por exemplo. Eu não sinto mais vergonha quando estou tomando banho e Carisi entra no banheiro pra pentear o cabelo ou escovar os dentes. Sinto-me livre e, sinceramente, tenho um pouco de receio sobre essa liberdade toda. Quando Liv e eu chegamos ao hospital, Fin já estava lá com seu filho, Ken. Ele nos apresenta e eu sorrio educada para ele. Ken é um homem n***o bonito, casado com um outro rapaz também charmoso e, segundo ele, estão com um bebê a caminho graças a ajuda de uma barriga de aluguel. Fiquei feliz por eles e, por um minuto, tentei imaginar um futuro assim com Carisi. Não consegui. Sempre que tento, só consigo nos imaginar do jeito de estamos, sem crianças. É esquisito. Liv, Fin e eu entramos na enfermaria, onde a ex-detenta está e ela parece incomodada. Tamara Johnson é uma mulher alta, uns trinta anos, n***a, cabelo raspado dos lados. Foi presa por ser cúmplice num assalto e agora está em liberdade condicional. — Tamara, eu sou a Olivia e essa é a Lucy, minha parceira. — Olivia diz se sentando de frente para ela — Podemos conversar sobre o que aconteceu com você? — O agente Soyer é guarda de Rikers. Ele me monitora aqui em fora também. Até então, ele só tinha me feito pagar uns boquetes, mas... — ela parece sem jeito — Eu disse a ele que não ia mais fazer isso. Eu voltei com o pai das minhas filhas. Estamos tentando uma nova vida. Ele se irritou, arrancou minha roupa e me estuprou dentro do carro dele. — O que você estava fazendo no carro dele, Tamara? — Liv questiona — Eu estava andando na rua e ele mandou que eu entrasse. Disse que queria falar comigo. Foi quando me pediu pra chupar ele, mas eu expliquei que não queria e o motivo. — Só pra deixar claro: — chamo sua atenção enquanto anoto os detalhes no meu bloquinho — Você disse “não”? — Disse! Eu disse sim! — ela afirma com firmeza — Na verdade, eu não sei nem porquê liguei pro Ken, vocês não se importam e não vão acreditar em mim. — Muito pelo contrário, Tamara. — Olivia a olha — Nós acreditamos em você e levaremos isso até o fim. *** Tamara, apesar de temerosa, aceitou colocar uma escuta para tentar pegar uma confissão do agente Soyer. O que nós não esperávamos é que a coisa saísse de controle a ponto dele tentar violentá-la novamente em um prédio abandonado do Brooklyn. Apesar de termos a gravação e o testemunho de nossos policiais que o prenderam — eu não estava na rua nesse dia —, ele conseguiu liberdade até o julgamento e aguardará no conforto de sua casa. Juntos, descobrimos que os estupros também ocorrem dentro da prisão e um segundo policial, Anthony Kennedy, também abusa das meninas. Temos o suficiente para pegar Soyer, mas não para pegar Anthony. — Se nós invadirmos a penitenciária feminina pra investigar os agentes de lá, eles irão se proteger. — Dodds diz — Por isso, precisamos bolar um bom disfarce para seguir com a investigação. — Liv diz — Eu ainda vou fazer um ano de esquadrão, mas todos aqui sabem que estou acostumada a lidar com caos e fúria. Além de disfarces em algumas missões do DSS. — começo a falar e todos me olham já imaginando o que irei propor — Eu posso entrar na Rikers como detenta. — Sem condições. — Carisi se opõe — Olivia é quem manda. — digo enquanto a tenente se mantém pensativa — Carisi tem razão, Lucy. — Amanda diz — Você é figurinha conhecida. Sem falar que as próprias detentas que você, provavelmente botou lá, irão te reconhecer. — Por isso é perfeito. Eles vão me oferecer um meio de me proteger e, provavelmente, essa proteção virá com um preço alto. — alego — Eu estarei com escuta o tempo todo e é assim que a gente pega ele. — Isso é arriscado, mas faz sentido. — Fin apóia — Tê, por favor, não aceita isso. — Carisi olha para Olivia Olivia está me encarando séria, enquanto segura seus óculos de grau e coça o queixo pensativa. Ela estreita os olhos analisando tudo o que eu disse em silêncio e, depois de quase um minuto, ela põe o óculos em cima de sua mesa, causando um baixo barulho que é seguido por sua decisão. — Vou preparar tudo. — se levanta — Yeah! — comemoro — No primeiro sinal de perigo que você não possa lidar, eu vou arrancar você de lá você querendo ou não. — ela me encara — Sim, senhora. — bato continência pra ela — Droga. — Carisi resmunga — Vou falar com o Barba. — Liv diz digitando o número do escritório do Barba no telefone fixo — Você quer ser presa por que? — Hum, deixa eu pensar. — me jogo no sofá de sua sala — O que combina comigo? — Sair do sério e espancar alguém. — Amanda diz — Ha! Ha! — rio sem humor — Com a velha Lucy. — a corrijo — Mas gostei. Eu sou conhecida por ter pavio curto. Até bati no promotor de Chicago uma vez. — todos me olham com olhos arregalados — Mas tá tudo resolvido, gente. Foi um m*l entendido. — Ótimo. Vamos resolver isso. — Liv diz *** Vestir aquele macacão laranja de presidiária era uma sensação esquisita. Os olhares indiferentes dos agentes e de superioridade das presas me irritavam. Sob meu macacão, uma escuta muito bem escondida faz com que o esquadrão ouça tudo o que eu falo e me garante que, a qualquer confusão grande, eles irão invadir a penitenciária e me tirar de lá de dentro. — Morgan, GG! — a policial que me guiava disse ao parar em frente à uma cela — Essa é Lucinda, a nova colega de vocês. Sem dizer mais nada, ela me joga pra dentro da cela após tirar minhas algemas e se retira. Carregando minha muda de roupas de cama, eu caminho até a cama vazia e me sento, deixando a trouxa de roupas ali. As mulheres ali aparentam ter no máximo quarenta anos e são normais, apesar de parecerem duronas. — E aí? — uma delas pergunta — Tá aqui por que? Ainda encarando o chão, eu balanço as pernas e a respondo usando meus dotes de atuação, que aprendi quando ainda estava na escola. — Tinha um cara no meu caminho. Agora não tem mais. — murmuro — Sei. — uma delas ri — Parece demais pra você, querida. Tem sempre um homem no caminho. — Você tem conhecimento aqui dentro? — Não. — Seguinte, só tenta se manter longe de confusão, ok? Você é bonita demais pra acabar morta ou machucada. Em silêncio, continuo na cela até a hora do lanche. Ainda em silêncio, saio pela prisão. Eu lancho quieta, numa cadeira vazia na mesa das mulheres da minha cela e, ao acabar primeiro, decido sair sozinha de volta. Preciso chamar a atenção de Anthony de alguma forma. — Ora, ora, ora! — uma voz irônica surge — Agente González. A mulher que me deixou igual ao Scarface. A mulher durona em minha frente estava acompanhada de mais três e tinha na lateral de seu rosto uma cicatriz que ia da sobrancelha, passava pela bochecha e chegava em seu queixo. Eu me lembro dela. Scarlett Olsen, conhecida como Queen. Hobbs e eu fomos recrutados para prender um traficante de armas e ela era braço direito dele. Durante uma luta corporal, ela apontou uma metralhadora na direção do meu rosto e, sem o que fazer, eu meti a mão em uma ferramenta que estava no chão e acertei seu rosto. Ela não sofreu trauma no crânio e nem ficou cega, mas ficou com uma marca feia. — Vejo que se juntou a... Como você chamava mesmo? Corja, não é? — ela sorri — Agora faz parte da corja que você tanto despreza. O que fez pra estar aqui? Espancou alguém? — Na verdade sim. Agora, me dê licença. — tento passar, mas ela se põe na minha frente, impedindo a passagem — O que você quer? — Você me colocou aqui e, pode ter certeza, que eu irei espalhar o boato de que há uma tira entre nós. — ela sussurra ameaçadora — Bem-vinda ao inferno. — Queen e as Cheerleader aí, deixem González passar. — uma voz irônica masculina surge As quatro saem e eu fico parada. Quando me viro, Anthony está ali. Ele caminha até mim e se oferece para levar-me em segurança para a minha cela. — Sabe, González, não irá durar muito tempo aqui. — ele comenta — Você colocou algumas das detentas aqui dentro. — Eu sei me virar. — digo impaciente — Não seja tão má. Eu posso proteger você. Quando ele diz isso, eu paro no meio do corredor e o encaro fingindo confusão. — Tá falando sério? Vai me ajudar mesmo? — Claro. — ele sorri — Mas terá que fazer algo em troca. — O que? — franzo o cenho — Aqui, todas que querem rir têm de fazer rir. — ele se aproxima acariciando meu rosto e me colocando contra a parede do corredor — Acho que nós não vamos nos entender. — Qual é, Lucy. — seu hálito vai de encontro ao meu rosto — Eu sei que você é uma pantera brava e que só precisa de alguém firme o suficiente para te domar. — Deixe claro, i****a. — rosno e ele sorri — Eu fodo. Todas elas. Elas querendo ou não. É o único jeito de continuar viva aqui, docinho. Não aguento e começo a gargalhar alto. Ele ri um pouco sem entender e me encara confuso. — Você é tão i****a. — digo Em poucos segundos, o esquadrão entra e ele me encara com raiva. — v***a! — Anthony Kennedy, você está preso. — digo sorrindo *** — Como é bom tirar aquele macacão. Nunca mais vou vestir laranja na vida. — digo ajeitando a gola da minha jaqueta — Você foi muito bem, Lucy. — Dodds diz — O cara cantou como um sabiá. — Que bom que não precisei esperar muito. — Liv está na casa de Danny Soyer. A esposa dele pediu ajuda para sair de casa com as crianças. Ele não quer deixar. — Não devíamos estar com ela? — franzo o cenho preocupada — Iremos pra lá agora. — Mike diz — Ei, Sonny! — ele dá um tapinha no ombro do meu namorado, que parece hipnotizado na tela do computador — Aconteceu alguma coisa? — pergunto — Eu passei. — ele diz baixo — O que? — Dodds e eu dizemos juntos — Eu passei! — ele se levanta e nos olha — Eu passei na prova da Ordem. — AH! NÃO ACREDITO! — Dodds grita comemorando, o abraçando aos risos — Parabéns, amor! — o abraço forte — Eu falei que você conseguiria. Eu te amo! — beijo sua bochecha — Eu não tô acreditando nisso. — Sonny diz emocionado — Você batalhou muito por isso. — Dodds diz ainda sorrindo — Parabéns, promotor Carisi. — Ah, sem essa. — ele ri — Espera! — chamo suas atenções — Isso quer dizer que você vai sair do esquadrão? Minha pergunta parece pesar no ar. Carisi franze o cenho pensativo e Dodds nos encara. — Falaremos disso depois. Juntos, nós três vamos até a casa do Soyer, onde Olivia está. Carisi dirigindo, eu no banco de trás e Dodds no carona. Quando Carisi estaciona e nós descemos do carro, vemos Olivia, a senhora Soyer, as duas crianças e o agente na porta. Olivia está ajudando-a a colocar as malas no carro, quando rapidamente Soyer puxa uma arma da cintura, agarra no pescoço da esposa e começa a atirar pra cima da gente. Olivia pega as crianças e se esconde atrás de seu carro. Já eu, fico sem reação ao ver o cara se virar na minha direção e atirar. Algo se choca contra o meu corpo e eu vou de encontro ao chão. Ao meu lado, Dodds tem uma bala no peito. — Socorro! — grito ao abraçá-lo, afim de proteger seu corpo ferido das balas Quando o tiroteio termina, percebo que Carisi conseguiu acertar um tiro no ombro do cara e Olivia o algemou, enquanto Samantha Soyer corria para acudir os filhos. — Dodds! Dodds! — me sento no chão e o ponho em meu colo, apertando a ferida com minhas mãos — Mike! Fica comigo! Fica comigo! — Lucy... — ele ofega — Aqui é o detetive Carisi. Policial ferido com um tiro no peito esquerdo. Precisamos de uma ambulância. — Sonny diz em seu rádio ao se aproximar — Aguenta! — grito — Fica comigo! Dodds! Eu vejo seus olhos perderem o brilho e então se fecham devagar. Sob minhas mãos, seus batimentos cardíacos vão diminuindo até pararem de vez. — Mike! — Sonny o chama nervoso, segurando seu rosto — Não, Mike. Aguenta. Mike! Já é tarde demais. Mike Dodds está morto.
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