Eles, os Campbell, passaram a viver em uma grande mansão, no topo da colina.
Era sofisticada. Os móveis eram antiguidades, o jardim era bem cuidado, o estábulo era limpo e tinha cinco cavalos, os quartos eram grandes – como todos os cômodos –, havia uma biblioteca grande e coberta de livros. Não passado muitos dias morando na colina, as aulas começaram.
A escola fora construída na Era Medieval, e as pessoas lá eram todas muito preconceituosas com “forasteiros”. Sabendo que a cidade era um refúgio mágico para bruxos, eles conseguiam entender o porquê.
No mesmo dia em que a menina contara sobre a magia para Robb e para Vicky, eles contaram para Dean que ficou muito animado, diferente de seus irmãos, que estavam ainda abalados com a notícia. Phoebe ofereceu-lhes ensinar tudo o que sabia sobre a Magia na parte da noite, após a escola, mas insistiu em pedir a eles que não contassem sobre os poderes aos pais, ela tinha suas dúvidas sobre seus poderes terem sido lacrados no nascimento por um ou ambos os pais. Eles então, apenas diziam a Peter que iam visitar sua amiga Jess e ele, feliz por estarem se acomodando com a mudança, nunca se importou.
Num dia de chuva, Jessica levou para a nova casa dos Campbell uma caixa grande e de madeira, onde estava entalhado na tampa um Pentagrama. Dentro da caixa havia uns estranhos itens, plantas, pedaços estranhos, dentes, pelos e até mesmo penas.
Aquilo eram ingredientes. Feitos de seres ou plantas mágicas para fazer uma varinha. Jess também mostrou um folheto de nomes de árvores. Então Jess perguntou como eles queriam suas varinhas e de que seriam feitas.
Victória escolheu que sua varinha seria de Macieira. Os ingredientes seriam ** de Fada da Água e pétala de Cravo – dissera Jess que é o tipo de varinha especialista em p******o; Dean disse que queria uma varinha de Salgueiro, ingredientes de escama de Dragão e lágrima de Fênix - é o tipo de varinha especialista em cura – Robert escolheu de Cedro, ingredientes seria dente de Vampiro e pelo de Lobisomem. – especialista em transformações.
– A varinha é apenas um instrumento temporário até vocês controlarem bem seus poderes, ela serve como catalizador e impede que vocês usem toda a sua força. Fiz isso pois vejo que suas magias são muito fortes para meros iniciantes e muito instáveis pelo mesmo motivo. Minha mãe achou sensato, para que ninguém se machuque.
Jessica estava ainda temerosa com r*****o aos irmãos, pois ainda que fossem fortes os mais velhos, o que lhe assustou foi a capacidade mágica no mais novo que ainda possuía apenas 10 anos, seu estágio mágico estava em púrpura, quase passando para o laranja. Phoebe disse que provavelmente a mãe deles era bruxa, de linhagem pura e poderosa e que por temer por seus filhos, lacrou seus poderes no nascimento. Ao perguntar sobre sua mãe, Robert nada respondeu, ficou pensativo demais, clado demais. ele se levantou e saiu do recinto, Vicky sorriu um pouco triste e tentou explicar.
– Nossa mãe sumiu. Já fazem muitos anos, Robb é o que ainda mais sente falta dela. Mas por que a pergunta?
– Suspeito que o lacre de vocês tenha sido feito por ela, agora que descobriram os poderes... Temo que ou ela faleceu, ou afrouxou o selo de propósito. – Vicky arregalou seus olhos, esperançosa.
– Nossa mãe ainda pode estar viva?
– Muito provavelmente. – nesse momento Dean fechou a cara e se levantou num salto.
– Nossa mãe morreu. Pare de dar esperança para os meus irmãos. – e saiu para o jardim também.
Eles começaram a praticar a Magia, muito felizes. No início foi bem difícil para Phoebe e Jéssica conseguirem liberar qualquer tipo de faísca dos irmãos. Dean era o único que, misteriosamente, conseguia manejar a sua energia mágica com muita facilidade, como se já houvesse praticado antes. Victória e Robert tiveram que passar por semanas de “terapia” mágica até Phoebe descobrir onde estavam seus selos e desbloqueá-los. Foi um alívio e tanto para os irmãos que agora se sentiam mais livres e conseguiam com exatidão praticar todo e qualquer feitiço que lhes era ensinado, adequadamente.
Conforme os meses passavam, Jess e Victória viraram grandes amigas. As vezes, quando não tinham aulas – normalmente nas segundas-feiras – Jéssica visitava a casa dos Campbell e tomava chá com o Sr. Campbell, Peter. Robert não sentia mais nada, absolutamente nada por Torrence e seus sentimentos por Jessica aumentavam cada minuto que passava. Era tanto que ele m*l conseguia se controlar perto dela. Planejava como se declarar, sem estragar tudo e por meses passou essa provação. Nunca teve coragem o suficiente, pois ele não se sentia suficiente para aquela mulher incrível.
Nas sombras, quando iam da escola para casa dos Griffin ou dos Griffin para a casa dos Campbell, Lise e seu companheiro misterioso os observavam sem serem notados.
– Cedo ou tarde eles vão acabar nos descobrindo. – disse o homem num sussurro enquanto observavam a janela da sala da mansão dos Campbell.
Peter tomava seu habitual chá de cravo e canela com limão e seus filhos mais velhos estavam sentados no sofá. Robert lendo serenamente um livro enfeitiçado para que Peter não descobrisse que era sobre magia, Victória lixava as unhas enquanto assistia qualquer coisa desinteressante na televisão.
– Uma hora ou outra eles vão precisar saber da verdade, Charles. Especialmente agora que eles foram totalmente libertos do selo que os protegia. – Charles repousou a mão em seu ombro esquerdo e a confortou.
– Na hora certa, Lise.
Dean entrou na sala às pressas e sem dizer nada, saiu pela porta da frente. Ao sair, institivamente, olhou para a direção em que Lise e Charles se encontravam. Ao não ver nada, continuou marchando colina abaixo.
– Você acha que ele já despertou? - Charles olhou apreensivo para Lise.
– Para o bem dele, espero que não. Precisamos sair daqui, quase fomos descobertos.
– Vamos.
Do lado de dentro da casa, no entanto, Peter coçava a cabeça, como se algo não estivesse certo.
– O que houve com o irmão de vocês? – Peter parecia surpreso, os irmãos deram de ombros.
– Ele está assim já tem umas semanas. Não conversa, m*l vemos ele sorrir. – disse Vicky. – nem parece nosso irmão.
– Será que está tendo problemas na escola? – Robert riu da ignorância do pai sobre os próprios filhos. – Sei bem que as pessoas daqui não gostam de pessoas de fora.
– Mais fácil ele ser o problema. – respondeu.
– Não achei que tivesse chegado à isso, ele sempre foi o mais carinhoso dos três. Será que está passando por aquela fase? Não está cedo? – Vicky pigarreou e olhou para Robert, que entendeu o recado.
– Só deve ser uma fase mesmo, não se preocupe.
Dean se tornara a pessoa mais egocêntrica, mais ridícula, mais irritante, m*l educado, ambicioso, metido e mau de Stratford. Ele mandava em todos, exigia que dessem tudo o que queria, ameaçava seus irmãos, seus “amigos”, sua professora de Magia – ou seja, maltratava Jess – e até mesmo seu dócil e bondoso pai – Peter.
Em uma tarde de outono, Victória pegou um livro que Jess mantinha guardado, mio que em segredo em sua casa, para ler. A capa era de couro preto e havia um pentagrama no centro. Haviam anotações mágicas de todos seus antepassados bruxos, até mesmo a primeira anotação de Fridda Griffin, sua avó, não estava gasta. Era:
Abril de 1934
Meu nome é Fridda e acabo de fazer quinze anos. Começo agora, com algumas inscrições, que ajudarão os próximos descendentes, e passará a ser o livro mais importante da família. Quem o destruir, sofrerá uma terrível maldição, que eu mesma convoco! Agora crio minha primeira experiência!
Eu tenho um irmão que é a pessoa mais irritante da Europa. Então criarei uma poção útil para ele.
Kormam Kam
Efeito: A pessoa será boa, prestativa e gentil.
Ingredientes:
1 Folha de Babosa
5 Flores de Cravo
1 Ramo de Hortelã
1 Pé de Kabruma
1 Parte do Preparador (Ex: Fio de cabelo ou Saliva)
Veio uma ideia brilhante na cabeça de Vicky, que sofria com seu irmão, Robert, nas mãos de Dean. Ia fazer essa poção, mas precisava de ajuda. E o que era Kabruma? Lembrara-se de uma de suas aulas. Kabruma era uma folha que representava a sorte e era encontrada nas margens dos rios onde se podia ouvir o canto das sereias.
A resposta era: Pedir ajuda a Jess e Robb.
* * *
Na clareira, onde Robert a conheceu, mas não sabia, eles passeavam na chuva calma. Já estavam encharcados e não se importavam.
– As sereias não são agradáveis e gentis! – dissera Jess para Robb. Eles falavam de sereias, pois ele comentara isso. – Elas são assassinas! Elas são extremamente lindas, mas seduzem os homens e os levam para a água, aí, elas voltam para sua forma verdadeira, que é um monstro h******l, e os comem vivos!
– São? Nossa! Eu pensava que elas eram dóceis e ajudavam os viajantes! – disse rindo.
– Bom. Você está errado!
Assim que acabou de falar, ela se jogou para trás e caiu na grama úmida, cheirosa e macia.
– Eu adoro a chuva caindo no meu rosto! Deite-se também! – disse Jess, convidativa.
Robert nunca sentira nada assim. Não era qualquer chuva, também não era uma que dava doenças. Era uma boa chuva. Uma chuva calma que relaxava os músculos do corpo, que dava felicidade à pessoa mais infeliz do mundo. E ele achava que estava sonhando, mas não, era real! Os belos e cheirosos cabelos de Jess estavam ao seu lado e agora ele podia respirar – estava de nariz entupido, pois escorregara e caiu no chafariz da escola, naquela manhã – Era como milagre.
Ele levou sua mão ao lado da cabeça e sentiu algo a segurando.
Era Jess. Ela segurava sua mão, ao mesmo tempo o olhava, com um leve sorriso no rosto.
Robert nunca percebera algo nela, desde o dia em que a conheceu. O cabelo era cortado com uma franja um pouco torta, o que a deixava mais atraente. Ela tinha um pontinho preto bem embaixo do olho esquerdo e seu sorriso... ah! Seu sorriso era tudo que Robert mais amava nela. Seu olhar apaixonado deixou Jess um pouco desconsertada e seu sorriso logo sumiu do rosto.
Ela sentou-se na grama e ficou encarando o resto da clareira enquanto a chuva ia, gradativamente, aumentando. Robert também se sentou e encarou Jess. Ela estava quase chorando, o que ele só pode notar por causa da expressão dolorosa que ela fazia ao olhar para o nada.
– Está tudo bem? – perguntara Robert.
– O nome dele era Pablo. – dissera Jess repentinamente.
– Quem é Pablo?
– O garoto... Que eu disse que se aproveitou de mim – disse. Ela depois que apagou suas memórias do dia que se conheceram, nunca mais tocou neste assunto, então Robert estava tão perdido no assunto quanto se podia estar.
– Quem se aproveitou de você? Por que? – ela deu um longo suspiro antes de dizer alguma coisa e se virou para Robert.
– Pablo Vidal. Os pais dele eram italianos, e eu era perdidamente apaixonada por ele. Mas ele não gostava de mim, me via apenas como uma amiga. Então procurei um livro de poções e achei uma receita. Amorum. Não tinha como errar. Mas errei. Coloquei muita canela – sua voz mudara para um miado e lágrimas escorriam de seu rosto junto a chuva.
– Ele não me deixava em paz! Ele me seguia para todos os cantos. Um dia, eu fui visitá-lo e vi um altar em minha homenagem! Então eu fui para a floresta, para acabar com nosso relacionamento, mas... Ele começou a me agarrar e a me beijar, eu gritava para ele me largar e ele continuava dizendo que não conseguiria viver sem mim. Meu pai nos encontrou enquanto colhia alguns ingredientes para minha mãe e lançou um feitiço em Pablo, que desmaiou. Ele foi enviado para um colégio interno em Barcelona... Mas até hoje, eu tenho medo que ele me ache.
Robert a encarou e passou o braço pelas suas costas.
– Nada nem ninguém vai fazer m*l a você! Ouviu? – disse. Jess afirmou mexendo a cabeça e o abraçou.
Suas testas se encontraram, em seguida foram seus narizes e por último seus lábios. Mas algo os fez pular por um susto.
Victória estava parada atrás deles.
– Desculpa atrapalhar o relacionamento, mas preciso de vocês dois! – dissera.
Jess e Robb se levantaram e a olharam.
– O que poderia ser tão importante? – disse Robert.
– Preciso de uma flor chamada Kabruma! E Vocês vão ajudar a pegar.
– Tem um riacho aqui perto! – disse Jess – Mas, Victória, por que você quer Kabruma? Vai fazer alguma poção de sorte?
– Não. – disse, mas logo viu os olhares suspeitos e sorriu nervosamente. – Só uma surpresa para Dean! – disse animada.
Eles começaram a andar. Estavam perto do riacho, no meio da floresta, quando Jess puxou o braço de Robert, levemente.
– O que? – ele perguntou.
– E Torrence? Você não sente nada mais por ela? – perguntou Jess. Robb deu um leve sorriso e a beijou.
– Não importa! Não é quem eu quero! Não é o que meu coração quer! Eu não quero Torrence! Eu quero Jessica Griffin, você!