Capítulo 3

1906 Palavras
  De manhã, Robert acordou meio tonto. Estava confuso e sua cabeça doía como se tivessem jogado sua cabeça contra o concreto. Ele sabia que havia levantado para caminhar, mas não sabia explicar para si mesmo quando e como havia voltado. Logo depois, Victória acordou, reclamando também de dor de cabeça e que jurava que tinha se esquecido de alguma coisa, ela também estava confusa.   Quando Peter acordou olhou suas crianças aturdidas e deu uma leve gargalhada. – Acho que esqueceram como é desconfortável acampar!  Victória correu para ir ao banheiro e Robert, passando as mãos nos cabelos se levantou devagar, procurando seu sapato. – Ok. Peter vou à cidade, vou conhecer a vizinhança. – Peter percebeu a empolgação de Robert, mas não falou nada e o deixou ir. – Compre algo gostoso na padaria e nos encontre na colina para o almoço, vamos estar em casa.  – Em casa... - sussurrou antes de sair.   Robert andou devagar, quase sem dar muita atenção às coisas ao seu redor, chegou em uma praça e se sentou para pensar, ele tinha aquele sentimento estranho de ter esquecido algo valioso, seu coração gritava no peito, sem ele entender. As ruas pela manhã estavam lotadas de visitantes por causa do festival que estava tendo, porém Robert sentia que tinha alguém o observando já há algum tempo. Ele deu uma olhadela ao redor,  procurando qualquer suspeito e notou uma menina baixinha que o observava do outro lado da praça, sorrateiramente. Quando seus olhares se encontraram, ela não tentou desviar, o que causou em Robert um certo desconforto. Ele olhou mais atentamente e percebeu que seus olhos eram de um tom único de chocolate ao leite e pensou que já a tinha visto em algum lugar, talvez no trem, ele não tinha certeza. A menina finalmente desviou o olhar e entrou em uma capela que ali havia. Ele fez menção de segui-la, mas sua irmã apareceu na hora.     - Robb! Vamos na padaria, estou morrendo de fome! Você viu o tamanho da estátua de dragão que tem a caminho daqui? Eu fiquei impressionada. - Victória estava tão tagarela que Robert de repente se lembrou da dor de cabeça.    - Dragão? Não vi nenhuma estátua assim. Acho que não prestei muita atenção.   Robert estava tão imerso em pensamentos no caminho, que não conseguiu admirar a beleza daquele lugar. Até mesmo Victoria estava impressionada. Os prédios eram rústicos, sem serem velhos, muito bem preservados. Os edifícios comerciais eram bem iluminados e por toda parte haviam árvores e flores. Não haviam carros, pois tudo era bem próximo, sem necessidade de um meio de transporte, o que deixava a cidade silenciosa e convidativa ao conforto. Se ouvia bem o som da natureza, os pássaros voando e cantando. O sol brilhava, livre de nuvens, mas sem queimar demais a pele. Era um frescor revigorante aos pulmões.    - Como eu pude não perceber nada disso no caminho? – exclamou maravilhado.   - Estava pensando em Torrence? – perguntou Vicky.   Neste momento Robert apertou o peito e sentiu algo estranho.   - Eu... não sinto falta dela. Na verdade eu me esqueci completamente da existência dela enquanto dormia. Por alguma razão eu sinto falta de alguém, mas não é dela. – Vicky fez uma careta interrogativa na direção do irmão.  - Bom, isso é bem estranho vindo de você. Vocês viviam agarrados, me admira não sentir saudades. – ela o observou por um momento, vendo sua expressão aflita. – Seria saudades da mamãe?    Seu coração acelerou e Robert pareceu ofegante. Ele se apoiou na irmã e teve o vislumbre de uma menina correndo descalça na floresta. Alguns homens a perseguiam. A menina possuía um capuz azul  aveludado e parecia desesperada. Robert se sentou no banco com dificuldade.   - Robb? Robert? – chamava sua irmã. – Está tudo bem? – ao encostar no menino ofegante, Victória teve seus olhos inundados com chamas, uma visão dolorosa de uma vila sendo destruída por fogo. Vicky não aguentou muito tempo e acabou por desmaiar.   Robert quando voltou a si, percebeu uma menina tentando acordar sua irmã desfalecida. Ela o olhou atentamente quando percebeu que ele voltara a si.  - O senhor está bem? – perguntou com preocupação. Sua voz era familiar.   - Estou bem, o que houve com minha irmã? – perguntou passando a mão na cabeça que doía muito.           - Eu não sei ao certo, quando eu saía da capela com meus pais avistei você em transe e sua irmã caída ao seu lado. Aconteceu algo?                                     Ao observar a menina agachada com sua irmã nos braços, Robert se lembrou de onde conhecia sua voz e por que seu rosto parecia tão familiar.   - O seu nome... é Jéssica?   A menina levantou o olhar lentamente em direção aos olhos azuis de Robert e ela parecia aterrorizada.   - Como? Como sabe meu nome?   Robert pegou Victória nos braços e a deitou no banco da praça delicadamente.   - Eu nunca contei isso a ninguém, mas eu desde pequeno tenho sonhos que acabam se realizando. Eu sonhei com você noite passada, com essa sua mesma expressão de agora. Eu acho que nunca nos vimos antes.   A menina que havia se afastado um pouco deles, sorriu um pouco nervosa e um pouco aliviada. Mas aos poucos o nervosismo foi aumentando.  - Eu acho que ando tendo esses sonhos acordado. Agora mesmo eu estava sonhando, mas eu estava acordado, conversando com minha irmã sobre a nossa... – Robb parou por um momento ao notar uma pessoa de manto azul turquesa desaparecendo em uma rua logo adiante. – mãe. Jéssica continuou lhe fazendo perguntas e distraindo o menino que acabou por se esquecer da pessoa de antes e se atentou à sua irmã que acordava.   Na rua não muito distante, um homem puxou a pessoa do manto azul turquesa para uma parede e apertou firme seus braços contra ela.  - Que d***a, Lise, está tentando acabar com todos esses anos de treinamento por um mero momento? – na hora um vento forte passou por eles e o manto caiu de seus cabelos ao ombro, descobrindo sua face, seus cabelos castanhos e olhos azuis como o céu. Ela parecia confusa.  - Eu não iria deixar que me vissem.   - Mas viram. Por sorte não a reconheceram. Precisa ser mais cuidadosa. Sabe muito bem como é o regulamento. Você n******e interferir.  A mulher se ajoelhou e abaixou seus olhos.  - Não vai acontecer mais.  - Vamos voltar. Vamos.                                                                 *                   *                      *      Victória acordou e colocou a mão na testa.  - Meu Deus, por que eu sempre acordo com dores aqui neste lugar?  - Talvez por que você tenha desmaiado na rua?  - respondeu Robert com sarcasmo. – Você está bem?  - Fora a dor de cabeça, estou bem. O que aconteceu?  - Com você eu não faço ideia, comigo eu tive uma espécie de visão acordado. Como se estivesse sonhando acordado. Eu vi uma vila inteira...  - ...pegando fogo. – completou Vicky. – E uma menina sendo perseguida, não é? Eu também vi! – Robert empalideceu na hora. – Robert? Robert! Você está bem? – perguntou Jess, ela parecia aflita. – Estou bem. – Robert falou. – Nossa. Você me assustou. – ela suspirou. – Achei que estivesse tendo outro episódio. O que houve? – assim que Robert a olhou percebeu que o cabelo de Jess era parecido com da menina de sua visão. Era ela? Não podia ser. – Estou bem, acho que levei Vicky pro sonho junto comigo quando ela me tocou e por isso ela acabou desmaiando. - Jess o encarou por um momento tentando pensar com clareza.  – De qual família vocês disseram que pertencem? – perguntou se levantando e caminhado um pouco pensativa.  –  Não dissemos. – respondeu Victória. – Somos os Campbell. – a menina sorriu nervosamente e balançou a cabeça em negativa. – Vocês devem estar com fome! – ela falou ainda rindo e tentando mudar o assunto.   – Eu estou! – disse Victória. – Hum... Parece que ainda não nos apresentamos devidamente. Prazer! Sou Victória Campbell, irmã de Robert. – Jess a cumprimentou e suspirou. – Você é bem diferente dele. – ela falou olhando seus cabelos de fogo um pouco duvidosa. – Prazer! Sou Jessica, mas pode me chamar de Jess. – Victória sorriu e a cumprimentou educadamente.   Quando suas mãos se encostaram, o anel de Jessica se iluminou em uma luz púrpura que as fez se afastarem instintivamente como se tivessem recebido uma carga elétrica nos dedos. Elas ficavam olhando as mãos sem entender.  –  Meninas... o que foi isso? – perguntou Robert que observou a cena sem acreditar. Neste momento a mãe de Jessica apareceu a procurando e presenciou a cena que espantou a todos.  – Jess?  – perguntou sua mãe. Jess a olhou, estava um pouco aturdida. – Quem são esses bruxos? Nunca os vi por aqui. – Jessica voltou os olhos para os dois e ainda com um ar de dúvida falou: – Vocês são bruxos? – Robert e Victória se olharam e se sentaram ao gramado gargalhando a plenos pulmões. – Mãe? Isso é possível? – Idiotice! Como poderíamos ser bruxos?  – perguntou Victória. A mãe de Jessica se aproximou dos dois e lhes estendeu a mão para levantarem.  – Realmente não sabiam? – quando os dois balançaram a cabeça em negativa, a mulher suspirou. – Me chamo Phoebe, sou mãe de Jéssica. O anel de minha filha é especial. Ele só responde a bruxos poderosos. E principalmente - só a bruxos. – Vocês devem ser... – disse Jess. – Lancei um feitiço poderoso de esquecimento em vocês. Me assustei em ver seu irmão aqui hoje e ele sabia meu nome! Não achei que se lembraria nem disso! – Mas eu disse que foi um sonho. E como eu poderia esquecer? – perguntou Robert ruborizado. - Espera, você o quê?! – Vou colocar esse anel em seus indicadores. Se brilhar, vocês têm poderes assim como eu! Se não, vocês não são bruxos e eu me equivoquei. – Jess apanhou o indicador esquerdo de Victória e colocou o anel. – A luz pode ter sido reflexo do meu próprio poder mágico.    No mesmo momento, o símbolo soltou uma cor púrpura muito forte que quase cegou a todos e logo se apagou. Victória arregalou os olhos. E não foi a única, todos ao redor quase caíram para trás com tamanho poder. Ela perguntou se aquilo era normal, e Jess constrangida, passou para o dedo de Robert, a Triqueta do anel soltou um brilho azul  claro um pouco fraco de inicio que logo começou a ressoar e ficar mais vibrante.    – O que as cores significam? – perguntou Robert. Quem respondeu foi a mãe de Jessica.  – Significa que vocês são bruxos. As cores são escalas e intensidades da magia individual. A cor base, de um iniciante é verde, a de Robert podemos dizer que está num estágio 3 de poder, o que é muito pra uma pessoa que nem ao menos sabia que possuía poderes. São 7 estágios, compostos por 7 cores que os define e seu poder, Victória, está no estágio 5.  Ouve um momento de silencio, onde nem a respiração deles se ouvia. Phoebe voltou a falar:  – Como vocês não cresceram treinando magia, esse nível de vocês é absurdo. Vocês provavelmente vêm de uma família nobre e poderosa de bruxos. Como dizem que se chamam? – Campbell. – disseram os irmãos ao mesmo tempo. 
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