Capítulo 29 MAYA NARRANDO O tempo se tornou uma massa cinzenta e sufocante. Faz duas semanas que as paredes do meu próprio barraco deixaram de ser meu lar para se tornarem a minha cela. Eu não vejo o sol, a não ser pelas frestas das janelas trancadas. Não sinto o vento do morro. A única coisa que sinto é o peso da vigilância. Do lado de fora da porta, o rádio chia constantemente. Passos pesados de homens armados ecoam no corredor. Eu ouço os cochichos. Eles acham que eu não escuto, mas o silêncio da minha prisão aguçou meus ouvidos. — O clima tá tenso lá embaixo... o Cicatriz tá cercando... o patrão tá ficando maluco. As palavras flutuam por debaixo da porta como fumaça tóxica. Tem algo errado. Algo muito grande está acontecendo no morro, e eu sou o centro desse furacão, mesmo sem en

