Capítulo 30

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Capítulo 30 CAIRO NARRANDO Acordei com o peso mais doce e mais perigoso do mundo sobre o meu peito. O sol ainda não tinha coragem de aparecer por completo, mas a claridade cinzenta da manhã já denunciava a bagunça que a gente fez nesse quarto. A Maya dormia profundamente, o rosto sereno, uma mecha de cabelo grudada na testa suada. Ela parecia tão frágil, e depois de ontem, eu sentia que ela era a única coisa que me mantinha com os pés no chão. Passei a mão pelo cabelo dela, devagar, sentindo o cheiro de lavanda e de nós dois. O rádio em cima da cômoda interrompeu o silêncio com um chiado irritante, um barulho de estática que me trouxe de volta pro infernö no mesmo segundo. — Cairo? Tá na escuta? — Era a voz do Rastaquera. Baixa, urgente. Peguei o aparelho antes que o som acordasse el

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