Capítulo 31 CAIRO NARRANDO Eu ainda tava olhando para a janela, tentando acalmar a porrä da mente que tá na mão do palhaço. O sol começava castigar o telhado de zinco da boca, mas dentro da minha sala o clima era glacial. Eu não sou homem de agir no impulso quando o assunto é traição. Se eu fosse, não estaria vivo. A fúria que me cegou minutos atrás deu lugar a uma frieza analítica, o tipo de calma que precede os maiores massacres. Eu precisava de certezas. Eu precisava olhar para o abismo e ver se ele devolvia o olhar. — Rasta, Índio... quero força tarefa total — ordenei, sem tirar os olhos do envelope manchado. — Tragam os notebooks que a gente tomou do asfalto, chamem o moleque que manja de sistema. Eu quero cada sigla desse papel decodificada. Agora. Passei o dia trancado. O cheiro

